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PCR para Guiar Antibiótico em DPOC Exacerbada

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 23/01/2020

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Contexto Clínico

 

Sabe-se que o tempo de antibioticoterapia emdiversas condições clínicas é passível de críticas, uma vez que o tempo deprescrição é bastante arbitrário. O uso de marcadores inflamatórios tem sidoestudado com o intuito de diminuir o tempo de uso de antibióticos. O uso de umteste beira-leito (point of care) de proteína C-reativa (PCR) poderiaser uma maneira de reduzir o uso desnecessário de antibióticos sem prejudicaros pacientes que apresentam exacerbações agudas da doença pulmonar obstrutivacrônica (DPOC).

 

O Estudo

 

É apresentando, aqui, um estudo multicêntrico, aberto,randomizado e controlado, envolvendo pacientes com diagnóstico de DPOC em seuprontuário clínico de cuidados primários, que consultaram um clínico em 1 de 86clínicas médicas gerais na Inglaterra e no País de Gales por conta de umaexacerbação aguda da DPOC. Os pacientes foram designados para receber oscuidados usuais guiados por um teste de PCR (grupo guiado pela PCR) ou apenasos cuidados habituais (grupo de cuidados habituais).

Os desfechos primários foram o uso de antibióticos,relatado pelos pacientes, para exacerbações agudas da DPOC dentro de 4 semanasapós a randomização (para mostrar superioridade) e o estado de saúderelacionado à DPOC 2 semanas após a randomização, conforme medido pelo ClinicalCOPD Questionnaire, uma escala de 10 itens. com pontuações que variam de 0(muito bom estado de saúde da DPOC) a 6 (muito ruim estado de saúde da DPOC) ?paramostrar não inferioridade.

Um total de 653 pacientes foi submetido à randomização.Menos pacientes no grupo guiado por PCR relataram uso de antibióticos do que osdo grupo de cuidados habituais (57,0% versus 77,4%; odds ratioajustada, 0,31; IC 95%, 0,20 a 0,47). A diferença média ajustada no escoretotal do Questionário Clínico da DPOC em 2 semanas foi de -0,19 pontos (ICbilateral de 90%, -0,33 a -0,05) a favor do grupo guiado por PCR. As decisõesde prescrição de antibióticos tomadas pelos médicos na consulta inicial foramverificadas para todos, exceto um paciente, e as prescrições de antibióticosemitidas nas primeiras 4 semanas de acompanhamento foram verificadas para 96,9%dos pacientes.

Uma porcentagem menor de pacientes no grupo guiadopor PCR em reação ao grupo de cuidados usuais recebeu uma prescrição deantibióticos na consulta inicial (47,7% versus 69,7%, para uma diferençade 22,0 pontos percentuais; odds ratio ajustada de 0,31; 95% IC, 0,21 a0,45) e durante as primeiras 4 semanas de acompanhamento (59,1% versus79,7%, para uma diferença de 20,6 pontos percentuais; odds ratioajustada, 0,30; IC 95%, 0,20 a 0,46). Dois pacientes no grupo de cuidadoshabituais morreram dentro de 4 semanas após a randomização por causasconsideradas pelos pesquisadores como não relacionadas à participação noestudo.

 

Aplicação Prática

 

A prescrição de antibióticos guiada por PCR paraexacerbações da DPOC em clínicas de cuidados primários resultou em umaporcentagem menor de pacientes que relataram uso de antibióticos e quereceberam prescrições de antibióticos de médicos, sem evidência de dano. Esseestudo sugere potencial nova abordagem ambulatorial na exacerbação de DPOC, comuso de exame mais disponível que outro também estudado para contextossemelhantes, que é a pró-calcitonina (inclusive, sendo mais caro). Vale apremissa de que outros estudos em contextos diferentes precisam validar essetipo de conduta; ainda assim, parece algo promissor.

 

 

Bibliografia

 

1.            Butler CC et al. C-ReactiveProtein Testing to Guide Antibiotic Prescribing for COPD Exacerbations. N EnglJ Med 2019; 381:111-120

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