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Efeitos da Vacinação para Meningo B na Inglaterra

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 24/04/2020

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Contexto Clínico

 

A Neisseriameningitidis continua sendo uma das principais causas de meningite, sepse eoutras infecções graves em todo o mundo. Quase todas as infecçõesmeningocócicas são causadas por um dos seis grupos capsulares (A, B, C, W, X eY), que se distinguem por diferentes composições bioquímicas das cápsulas depolissacarídeos. Nas últimas duas décadas, o uso de vacinas conjugadas compolissacarídeo capsular meningocócico-proteína levou a grandes sucessos naprevenção da doença meningocócica invasiva.

Em setembro de 2015, o Reino Unido introduziu avacina meningocócica do grupo B multicomponente (4CMenB, Bexsero) em seuprograma nacional de imunização com financiamento público, com um esquema deinjeção de duas doses para bebês, com reforço de 12 meses.

 

O Estudo

 

Utilizando dados da vigilância nacional aprimoradada doença meningocócica invasiva na Inglaterra, os pesquisadores avaliaram oefeito da vacinação na incidência da doença meningocócica do grupo B durante osprimeiros três anos do programa. O efeito da vacinação foi avaliado comparando-sea incidência observada de doença com a incidência esperada, com base naincidência durante o período de pré-vacinação de quatro anos em coortesequivalentes, e com o uso de tendências da doença em coortes de criançasmenores de 5 anos que foram não elegíveis para receber a vacina. A eficácia davacina foi estimada com o uso do método de triagem indireta.

A aceitação do 4CMenB na Inglaterra permaneceuconsistentemente alta; dados dos primeiros três meses de 2018 mostraram que92,5% das crianças haviam completado as imunizações primárias no primeiroaniversário e que 87,9% haviam recebido as três doses aos 2 anos. De setembrode 2015 a agosto de 2018, a incidência da doença meningocócica do grupo B naInglaterra (coorte média anual de nascimentos, aproximadamente 650.000 bebês)foi significativamente menor nas coortes elegíveis à vacina do que a incidênciaesperada (63 casos observados em comparação com 253 casos esperados; taxa de incidência, 0,25; intervalo de confiança [IC] de 95%,0,19 a 0,36), com redução de 75% nas faixas etárias que eram totalmenteelegíveis para a vacinação. A eficácia da vacina ajustada contra a doençameningocócica do grupo B foi de 52,7% (IC 95%, -33,5 a 83,2) com esquema deadministração de duas doses para bebês e de 59,1% (IC 95%, 31,1 a 87,2) com administraçãode duas doses programação mais um reforço em um ano. Durante o período de trêsanos, houve 169 casos de doença meningocócica do grupo B nas coortes elegíveisà vacina, e um número estimado de 277 casos (IC 95%, 236 a 323) foi evitado.

 

Aplicação Prática

 

O programa 4CMenB foi associado a um efeito positivocontínuo contra a doença meningocócica do grupo B em crianças na Inglaterra, ea proteção após três doses da vacina foi mantida por pelo menos dois anos. Osdados são muito importantes para se pensar em termos de políticas de saúdepública. Contudo, é importante ressaltar que, na mesma edição no New EnglandJournal of Medicine (NEJM), em outro ensaio clínico sobre vacina parameningococo B em adolescentes na Austrália (onde há muito baixa incidência dadoença), não foi observado benefício em termos de diminuição de colonização deorofaringe, além de não ter sido observado efeito manada. Porém, pensando emsaúde pública e no universo de crianças do estudo inglês, faz sentido avacinação desse grupo etário.

 

Bibliografia

 

1.            Ladhani SM et al.Vaccination of Infants with Meningococcal Group B Vaccine (4CMenB) in England.N Engl J Med 2020; 382:309-317

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