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Lidocaína e Salina em diferentes volumes para Tendinopatia do Tendão de Aquiles

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 19/11/2020

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Contexto Clínico

 

A tendinopatia do tendão de Aquiles égerada por lesão por ?excesso de uso?, com taxa de incidência de 2-3 por 1.000pacientes adultos. A maioria (74%) desses pacientes tem tendinopatia de Aquilesda porção média. Corredores têm maior risco de desenvolver sintomas, com riscoao longo da vida de 52%. O tratamento inicial da tendinopatia de Aquiles é oexercício combinado com o gerenciamento de carga. Apesar do início dostratamentos, dois terços dos pacientes continuam a apresentar sintomas em umano de acompanhamento, e, em 10 anos, cerca de um quarto dos pacientes aindaapresentam sintomas. Cerca de um terço desses não respondedores eventualmenterequer cirurgia. Portanto, opções de tratamento conservador eficazes sãonecessárias para melhorar o desfecho de pacientes com tendinopatia crônica deAquiles que não respondem ao tratamento inicial com exercícios.

 

O Estudo

 

Apresentamos um ensaioclínico randomizado duplo-cego e controlado por placebo desenvolvido no departamentode medicina esportiva de um grande hospital geral distrital na Holanda.Participaram 80 adultos (com idades entre 18-70 anos) com tendinopatia deAquiles crônica da porção média diagnosticada clinicamente. Destes, 39 foramrandomizados para injeção de alto volume sem corticosteroides e 41 paraplacebo. Os participantes foram instruídos a realizarem um programa deexercícios por 24 semanas (cuidado usual) combinado com uma injeção de altovolume de 50 mL de solução salina e lidocaína (grupo de intervenção) ou umainjeção de 2 mL de placebo de solução salina e lidocaína (grupo de placebo) noinício do estudo.

O resultadoprimário buscado foi dor e função avaliadas usando o questionário validado doInstituto de Avaliação Desportiva de Aquiles (VISA-A) após 24 semanas. Osdesfechos secundários foram satisfação do paciente, retorno ao esporte, grau defluxo Doppler ultrassonográfico, escala visual analógica no teste de 10 saltos,potência e flexibilidade dos músculos gastrocnêmio e sóleo, questionário dedetecção de dor para dor neuropática e inventário de enfrentamento da dor. Osparticipantes foram avaliados no início do estudo e em 2, 6, 12 e 24 semanas.

Apenas umparticipante (1%) foi perdido no acompanhamento. A pontuação VISA-A médiaestimada melhorou significativamente, de 40,4 (intervalo de confiança de 95%,32,0 a 48,7) no início do estudo para 59,1 (50,4 a 67,8) em 24 semanas no grupode injeção de alto volume e de 36,9 (27,1 a 46,8) para 58,5 (47,9 a 69,1) nogrupo de placebo. A pontuação VISA-A ao longo do tempo não diferiu entre osgrupos (ajustado entre a diferença de grupo em 24 semanas, 0,5 pontos,intervalo de confiança de 95%, -17,8 a 18,8). Nenhuma diferença significativaentre os grupos foi encontrada para a satisfação do paciente (21/37 (57%) x 19/39(49%) pacientes, P = 0,50) e retorno ao esporte desejado (15/29 (52%) x 19/31(61%) pacientes ativos em esportes, P = 0,65) em 24 semanas. Nenhum dos outrosresultados secundários diferiu entre os dois grupos.

 

Aplicação Prática

 

O que esteensaio clínico aponta é que uma injeção de alto volume (com salina e lidocaína)sem corticosteroides, além do tratamento habitual, não foi eficaz para aredução dos sintomas em pacientes com tendinopatia de Aquiles crônica da porçãomédia. O foco do estudo é interessante, uma vez que é voltado para o desfechode funcionalidade, que foi medida de forma objetiva, ainda que um resultadofavorável à intervenção não tenha sido demonstrado. Porém, é preciso deixarclaro que a análise de desfechos com componentes mais subjetivos, ainda queavaliados por escalas, como é o caso da dor, está mais sujeita a variaçõesindividuais de percepção. De toda forma, não podemos recomendar o uso deinfiltrações de maior volume no tratamento da tendinopatia de Aquiles crônica.

 

Bibliografia

 

1.            van der Vlist Arco C, vanOosterom Robert F, van Veldhoven Peter L J, Bierma-Zeinstra SitaM A, Waarsing Jan H, Verhaar Jan A N etal. Effectiveness of a high volume injection as treatment for chronicAchilles tendinopathy: randomised controlled trialBMJ  2020;  370 :m3027

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