FECHAR
Feed

Já é assinante?

Entrar
Índice

Hantaviroses

Última revisão: 30/01/2011

Comentários de assinantes: 0

Reproduzido de:

DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS – GUIA DE BOLSO – 8ª edição revista [Link Livre para o Documento Original]

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Vigilância em Saúde

Departamento de Vigilância Epidemiológica

8ª edição revista

BRASÍLIA / DF – 2010

 

Hantaviroses

 

CID 10: A98.5

 

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Descrição

As Hantaviroses são antropozoonoses virais agudas, cujas infecções em humanos podem se manifestar sob várias formas clínicas, desde o modo inaparente ou como enfermidade subclínica, cuja suspeita diagnóstica fundamenta-se nos antecedentes epidemiológicos, até quadros mais graves e característicos, como a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR), típica da Europa e da Ásia, e a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), detectada somente nas Américas. Nesta ultima Síndrome observa-se febre, mialgia, dor dorsolombar e abdominal, cefaleia intensa, náuseas, vômitos e diarreia. Achados laboratoriais mais comuns: linfócitos atípicos >10%, plaquetopenia (< 150.000 até 20.000) infiltrado pulmonar difuso. Esta fase dura cerca de 1 a 6 dias, mas pode se prolongar por até 15 dias e regredir. Quando surge tosse seca, em geral é o início da síndrome mais severa (fase cardiopulmonar), acompanhada por taquicardia, taquidispneia e hipoxemia, que evoluem para edema pulmonar não cardiogênico, hipotensão arterial e colapso circulatório. RX com infiltrado intersticial difuso bilateral, enchimento alveolar, derrame pleural. O índice cardíaco é baixo e resistência vascular periférica elevada. Achados laboratoriais: leucocitose, neutrofilia com desvio a esquerda; linfopenia; hemoconcentração; plaquetopenia; redução da atividade protrombínica e aumento no tempo parcial de tromboplastina, elevação de TGO, TGP e DHL, hipoproteinúria, albuminemia, proteinúria; hipoxemia arterial. A letalidade é elevada, em torno de 40%.

 

Sinonímia

Febre Hemorrágica com Síndrome Renal

Nefrose e nefrite hemorrágica, na antiga União Soviética; febre songo ou febre hemorrágica epidêmica, na China; febre hemorrágica coreana, na Coreia; nefropatia epidêmica, na Escandinávia; nefrite epidêmica ou febre hemorrágica epidêmica ou nefrite dos Bálcãs, na Europa; e febre hemorrágica epidêmica, no Japão.

 

Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus

Síndrome de insuficiência pulmonar do adulto por vírus hanta (SIRA).

 

Agente Etiológico

Vírus RNA, pertencente à família Bunyaviridae, gênero Hantavírus.

 

Reservatórios

Os hantavírus são transmitidos por roedores silvestres da ordem Rodentia, família Muridae. As subfamílias Arvicolinae e Murinae detêm os principais reservatórios primários da FHSR, enquanto que os da subfamília Sigmodontinae, da mesma família Muridae, são os roedores envolvidos com a SCPH. Cada vírus está associado apenas a uma espécie específica de roedor hospedeiro. Nesses animais, a infecção pelo hantavírus aparentemente não é letal e pode levá-lo ao estado de reservatório por longos períodos, provavelmente toda a vida.

 

Modo de Transmissão

Inalação de aerossóis formados a partir de secreções e excretas dos reservatórios (roedores). Outras formas mais raras de transmissão: ingesta de água e alimentos contaminados; percutânea, por meio de escoriações cutâneas ou mordeduras de roedores; contato do vírus com mucosas (conjuntiva, boca, nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas dos roedores, em indivíduos que trabalham ou visitam laboratórios e biotérios contaminados. Embora considerado evento raro, foi descrita transmissão pessoa a pessoa na Argentina.

 

Período de Incubação

Em média, 2 semanas, com variação de 4 a 60 dias.

 

Período de Transmissibilidade

Desconhecido.

 

Complicações

     Na FHSR - Insuficiência renal irreversível.

     Na SCPH - Insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.

 

Diagnóstico

Suspeita clínica e epidemiológica. O diagnóstico laboratorial: Elisa IgM logo no início dos sintomas; imuno-histoquímica (material: tecidos e fragmentos de órgãos, colhidos até, no máximo, 8 horas após o óbito) ou RT-PCR (material: soro, coágulo sanguíneo e fragmentos de tecidos, colhidos nos primeiros 7 a 10 dias da doença).

 

Diagnóstico Diferencial

Leptospirose, influenza e para influenza, dengue, febre amarela, coxsackies, adenovírus e arena vírus, malária pneumonias, pneumonias atípicas (Legionella sp, Mycoplasma sp, Chlamydia sp), histoplasmose pulmonar, pneumocistose, dentre outras doenças infecciosas. Abdome agudo de etiologia variada, síndrome da angústia respiratória (SARA), edema agudo de pulmão (cardiogênico), pneumonia intersticial por colagenopatias (lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide); doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), são outras patologias que se incluem no diagnóstico diferencial.

 

Tratamento

Síndrome Pulmonar por Hantavírus

Os casos suspeitos devem ser imediatamente transferidos para hospital com unidade de terapia intensiva. O paciente deve ser transportado em condições que assegurem a estabilidade hemodinâmica e os parâmetros ventilatórios adequados, com oxigenoterapia e acesso venoso, evitando-se a administração excessiva de líquidos por via endovenosa e observando-se as normas de biossegurança.

 

Como, até o momento, não existe terapêutica antiviral comprovadamente eficaz contra a SCPH, são indicadas medidas gerais de suporte clínico para manutenção das funções vitais, com ênfase na oxigenação e na observação rigorosa do paciente, desde o início do quadro respiratório, inclusive com uso de ventilação assistida. A hipotensão deve ser controlada, ministrando-se expansores plasmáticos e mantendo-se extremo cuidado na sobrecarga hídrica, evitando-se o uso de drogas vasopressoras. Os distúrbios hidroeletrolítico e ácido-básico devem ser corrigidos, inclusive com assistência em unidade de terapia intensiva, nos casos mais graves. Recomenda-se o isolamento do paciente em condições de proteção com barreiras (avental, luvas e máscara dotadas de filtros N95).

 

CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS

Características Epidemiológicas

A SCPH por hantavírus é uma doença emergente detectada em 1993 no sudoeste norte-americano e neste mesmo ano em Juquitiba/São Paulo. No Brasil, desde aquele ano até dezembro de 2008, foram confirmados 1.119 casos, dos quais 91,8% (1.027) por critério laboratorial. As regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste registraram 440 (39,3%), 338 (30,2%) e 249 (22,3%) casos, respectivamente, enquanto que a Norte (63) e a Nordeste (13), juntas, detectaram apenas 6,8% dos casos. Apesar da ocorrência da doença em todas as regiões brasileiras, apenas 14 estados registraram casos, dos quais 69,5% localizam-se em Minas Gerais (210/18,8%), Santa Catarina (198/17,7%), Paraná (174/15,5%), São Paulo (128/11,4%) e Rio Grande do Sul (68/6,1%). O Mato Grosso detectou 152 casos (13,6%), enquanto que o Distrito Federal (59), Para (56), Goiás (38), Maranhão (10), Amazonas (4), Rondônia (3), Rio Grande do Norte (2) e Bahia (1) notificaram, em conjunto, 15,5% das Hantaviroses dos últimos 15 anos. Metade dos indivíduos acometidos (50,0%) residia em área rural; cerca de 65,0% exerciam ocupação relacionada com atividades agrícolas e/ou de pecuária e 77,6% eram do sexo masculino. A faixa etária mais atingida foi a de 20 a 39 anos (intervalo de 8 meses - 66 anos), com 58,2% das ocorrências. Em 758 (67,7%) casos, a infecção ocorreu em ambiente de trabalho. A taxa de letalidade media é de 46,5%; 88,6% dos pacientes necessitaram de assistência hospitalar.

 

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DA SÍNDROME CARDIOPULMONAR POR HANTAVÍRUS (SCPH)

Objetivos

Detectar precocemente os casos e surtos; conhecer a historia natural da doença e a distribuição geográfica dos hantavírus; identificar fatores de risco, espécie de roedores reservatórios e tipos de vírus circulantes; estudar as tendências da doença; propor e implantar medidas de prevenção e controle.

 

Notificação

Doença de notificação compulsória e investigação obrigatória.

 

Definição de Caso de SCPH

Suspeito

     Paciente com quadro febril (acima de 38°C), mialgia, cefaleia e sinais/sintomas de insuficiência respiratória aguda de etiologia não determinada, na primeira semana da doença; ou

     Paciente com enfermidade aguda, apresentando quadro de insuficiência respiratória aguda, com evolução para óbito na primeira semana da doença; ou

     Paciente com quadro febril (acima de 38°C), mialgia, cefaleia e que tenha exposição a uma situação de risco, relacionado ou não a casos confirmados laboratorialmente.

 

Confirmado

Critério laboratorial - Caso suspeito com os seguintes resultados de exames laboratoriais emitidos, apenas, por laboratórios da rede do Ministério da Saúde:

 

     Sorologia reagente para anticorpos séricos específicos para hantavírus da classe IgM; ou

     Imuno-histoquímica de tecidos positiva (identificação de antígenos específicos de hantavírus); ou

     RT-PCR positivo para hantavírus.

 

Critério clínico-epidemiológico - Indivíduo com quadro clínico de insuficiência respiratória aguda, que tenha evoluído para óbito, sem coleta de amostras para exames específicos, e que tenha frequentado áreas conhecidas de transmissão de hantavírus ou exposição à mesma situação de risco de pacientes confirmados laboratorialmente, nos últimos 60 dias.

 

Descartado

Todo caso suspeito que durante a investigação tenha diagnóstico confirmado laboratorialmente de outra doença ou que não preencha os critérios de confirmação acima definidos.

 

MEDIDAS DE CONTROLE

Redução de Fontes de Abrigo e de Alimentação de Roedores

Reduzir ao máximo todos os resíduos que possam servir de proteção e abrigo para os roedores no peridomicílio; eliminar todas as fontes de alimentação internas e externas as habitações; impedir o acesso dos roedores as casas e aos locais de armazenamento de grãos.

 

Medidas para Controle de Roedores

Realizar desratização, quando necessária, somente no intra e peridomicílio.

 

Precauções para Grupos de Profissionais Frequentemente Expostos

Informar sobre as formas e riscos de transmissão; usar os equipamentos de proteção individual (EPI), nível de biossegurança 3 (NB-3); buscar assistência imediata quando desenvolverem enfermidade febril.

 

Precauções para Ecoturistas, Caçadores e Pescadores

Evitar montar barracas ou dormir em áreas com presença de fezes ou com covas ou tocas; não tocar em roedores vivos ou mortos; não usar cabanas ou abrigos que tenham estado fechados por algum tempo, sem previa ventilação e, quando necessário, descontaminação; impedir o acesso dos roedores aos alimentos; dar destino adequado aos resíduos sólidos; e manter o plantio distante 30m das residências.

 

Descontaminação de Ambientes Potencialmente Contaminados

Ventilar o ambiente por, no mínimo, 30 minutos, abrindo todas as portas e janelas; umedecer pisos e paredes com solução de água sanitária a 10% ou solução de água com detergente ou, ainda, solução de fenol a 10%; aguardar 30 minutos antes de proceder à limpeza; limpar móveis e utensílios com um pano umedecido em detergente ou por outro produto recomendado, para evitar a formação de aerossóis.

 

SOBRE OS DIREITOS AUTORAIS DO DOCUMENTO

Consta no documento:

“Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial.”

O objetivo do site MedicinaNet e seus editores é divulgar este importante documento. Esta reprodução permanecerá aberta para não assinantes indefinidamente.

 

Conecte-se

Feed

Sobre o MedicinaNET

O MedicinaNET é o maior portal médico em português. Reúne recursos indispensáveis e conteúdos de ponta contextualizados à realidade brasileira, sendo a melhor ferramenta de consulta para tomada de decisões rápidas e eficazes.

Medicinanet Informações de Medicina S/A
Av. Jerônimo de Ornelas, 670, Sala 501
Porto Alegre, RS 90.040-340
Cnpj: 11.012.848/0001-57
(51) 3093-3131
info@medicinanet.com.br


MedicinaNET - Todos os direitos reservados.

Termos de Uso do Portal