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Inibidores de Transcriptase Reversa Análogos de Nucleosídeo

Última revisão: 16/09/2015

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Reproduzido de:

Formulário Terapêutico Nacional 2010: Rename 2010 [Link Livre para o Documento Original]

Série B. Textos Básicos de Saúde

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos

Brasília / DF – 2010

 

        5.4.2.1 Inibidores de transcriptase reversa análogos de nucleosídeo

Pelo menos dois inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeo ou nucleotídeo (ITRN) devem ser usados concomitantemente a um inibidor da transcriptase reversa não análogo de nucleosídeo (ITRNN) ou um inibidor de protease (IP) no tratamento de primeira linha13. Como alternativa, podem-se usar três representantes desse grupo, contendo abacavir ou fumarato de tenofovir desoproxila, quando há complicações adicionais com o inibidor da transcriptase reversa não análogo de nucleosídeo. Revisão sistemática Cochrane comparou tratamento com associação em dose fixa de abacavir, lamivudina e zidovudina com esquemas de ITRN com efavirenz ou IP. Não houve diferença significativa entre os grupos quanto a efeitos adversos graves e contagem de células CD4+; falha virológica foi semelhante entre a associação tripla de ITRN e esquema com IP, e menor no esquema com efavirenz. Os autores concluíram que a associação de três ITRN em dose fixa é uma alternativa viável para tratamento inicial de pacientes com dislipidemia pré-existente ou que não toleram ritonavir16. Esses antirretrovirais são usados em casos de risco ocupacional13.

Abacavir (ABC) apresenta eficácia semelhante a de outros ITRN, mas pode ocasionar reações de hipersensibilidade potencialmente letais. Estudos evidenciaram polimorfismo genético do alelo HLA-B*5701 como causa de tais reações; a implementação de um teste com capacidade preditiva negativa de aproximadamente 100% resultou em redução significativa de tais reações17(ver monografia, página 970).

Didanosina (ddI) apresenta uma série de potenciais efeitos adversos que podem restringir seu uso, no entanto pode ser usada em combinação com outro ITRN em adultos ou em crianças infectadas por HIV em estágio sintomático. Nas crianças essa combinação propicia melhora no desenvolvimento neurológico e crescimento, além dos benefícios gerais de reconstituição imunológica e redução da viremia plasmática. A dose deve ser ajustada conforme o peso corporal ou função renal1, 13 (ver monografia, página 634).

Lamivudina (3TC) constitui-se em alternativa para compor esquema de TARV, também para profilaxia vertical e foi o primeiro análogo de nucleosídeo aprovado para tratamento de infecção crônica pelo vírus da hepatite B, por inibir também a polimerase deste vírus, reduzindo sua replicação18 (ver monografia, página 803).

Zidovudina (AZT) é usada em casos de exposição ocupacional. Em revisão Cochrane19, um estudo de casos e controles mostrou risco 81% menor de infecção nos profissionais de saúde que a receberam após a exposição, comparativamente aos controles. Não se encontraram estudos que comparassem o efeito de duas ou mais terapias antirretrovirais neste contexto13. Pode ser usado ainda na profilaxia da transmissão vertical, como monoterapia (eficácia aumenta com a duração do tratamento, que deve ser iniciado no período pré-natal) ou associada à lamivudina20. Comprova-se também sua eficácia na prevenção da transmissão perinatal do HIV. Em ensaio clínico randomizado e controlado por placebo, recém-nascidos do grupo tratado apresentaram taxas de infecção de 8,3%, comparativamente a 25,5% entre os não tratados21. Zidovudina permanece sendo o fármaco de uso mais seguro na gravidez. A eficácia da zidovudina varia de 67% –quando iniciada antes do terceiro trimestre de gravidez, em intervenção tripla –até 50%, quando usada a partir da 36ª semana. Intervenções visando redução da transmissão perinatal do HIV foram analisadas em revisão sistemática Cochrane22, incluindo quatro ensaios clínicos (n=1585) que compararam zidovudina com placebo. O antirretroviral superou o placebo, não havendo evidência de que terapia prolongada fosse mais eficaz que a de curto prazo, no entanto, esta foi associada a menor ocorrência de efeitos adversos. Outra revisão Cochrane20 mostrou que a combinação de zidovudina e lamivudina, dada a mães no período perinatal e aos recém-nascidos por uma semana, tem se mostrado muito eficaz. Zidovudina associada a outros antirretrovirais, tem sido preconizada a partir do terceiro trimestre da gestação23 (ver monografia, página 1056).

Zidovudina + lamivudina é uma combinação em dose fixa, sinérgica entre si e que retarda a resistência viral; pode ser usada para profilaxia da transmissão vertical ou como parte de esquema com um ITRNN ou um IP. Combinação em dose fixa aumenta a conveniência para o paciente e, potencialmente, a adesão a tratamento, além de facilitar a logística de estocagem e distribuição24. A combinação associa-se a acidose lática e esteatose hepática25. Revisão Cochrane20 evidenciou que a administração a grávidas HIV positivas no período pré-natal,intraparto e pós-parto, e ao neonato durante uma semana após o parto é eficaz na profilaxia da transmissão vertical (ver monografia, página 1058).

 

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