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Anti-helmínticos

Última revisão: 16/09/2015

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Reproduzido de:

Formulário Terapêutico Nacional 2010: Rename 2010 [Link Livre para o Documento Original]

Série B. Textos Básicos de Saúde

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos

Brasília / DF – 2010

 

          5.5.1 Anti-helmínticos

Isabela Heineck

 

As helmintíases representam grave problema de saúde pública, com variedade relacionada ao saneamento básico, grau de escolaridade, condições socioeconômicas hábitos de higiene e idade, entre outras. A elefantíase, por exemplo, é a segunda principal causa de incapacidade permanente em todo o mundo (causa deformação de pernas e genitais), e os ancilostomídeos provocam anemia grave, um dos mais importantes problemas materno-infantis1. O aumento da susceptibilidade dos indivíduos infectados concomitantemente com ancilostomídeos e bactérias, protozoários, ou infecções virais, incluindo o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e tuberculose, também é de considerável preocupação na saúde pública2. Os principais sintomas dessas doenças são dor abdominal, obstrução intestinal, depleção de carboidratos, anemia, desnutrição, fraqueza, diarreia, anorexia, prurido e deformação1. O tratamento das helmintíases é feito com terapia farmacológica oral, em diferentes doses e posologias. Os anti-helmínticossão considerados relativamente eficazes e seguros3.

Albendazol tem sido considerado como primeira escolha para algumas helmintíases intestinais, como para o tratamento de ancilostomíase por Ancylostoma duodenale e Necator americanus 2. Tem eficácia comparável a outros anti-helmínticos que atuam contra Ascaris lumbricoides e Trichiuris trichiura, para este último deve ser utilizado em regime de múltiplas doses2. Revisão Cochrane4 avaliou o tratamento de massa de filariose linfática com albendazol em monoterapia ou como coadjuvante de outros agentes antifiláricos; em comparação a placebo, determinou menor densidade de filárias em seis meses; mostrou eficácia discretamente menor do que ivermectina e semelhante em comparação a dietilcarbamazina; dada a diversidade de resultados, não foi possível mostrar o efeito de albendazol sobre parasitos adultos e larvários, quer isolado ou em combinação com outros fármacos. Para estrongiloidíase (Ancylostoma braziliense) e larva migrans cutânea (A. caninum), albendazol tem sido indicado como opção à ivermectina5. É recomendado para hidatidíase (E. granulosus), sendo usado como coadjuvante de ressecção cirúrgica ou drenagem percutânea do cisto5. Albendazol mostrou-se capaz de reduzir o número de lesões císticas viáveis na neurocisticercíase causada por Taenia solium em pacientes adultos6. anti-helmínticos tem sido indicados para tratar anenia em grávidas causada principalmente por ancilostomídios. No entanto, revisão Cochrane de três estudos (1.329 mulheres) não observou resultado significante na anemia materna após a utilização de dose única de albendazol ou mebendazol durante o segundo trimestre da gravidez7. O esquema de dose única se limita a algumas indicações e a dose em criança até 2 anos deve ser reduzida para 200 mg 6 (ver monografia, página 375).

Dietilcarbamazina tem uso restrito para tratamento de filaríase linfática, tendo efeito sobre microfilárias e parasitos adultos. O resultado de esquemas de dose única de dietilcarbamazina isolada, associada com albendazol e ivermectina com albendazol sobre filaríase foi medido após 2 anos. O tratamento com dietilcarbamazina isolada e associada com albendazol demonstraram significantes benefícios de longo prazo em reduzir a microfilaremia (P < 0,05), com redução desprezível sobre a antigenemia8. De acordo com a revisão sistemática conduzida por Reddy e colaboradores, o uso combinado e em dose única de dietilcarbamazina e albendazol reduziu a prevalência de microfilaremia de 16,7% para 5,3% e de ivermectina e albendazol de 12,6% para 4,6%. A diferença entre as combinações não foi estatisticamente significante1. Em programa indiano de eliminação de filaríase linfática9, dose única anual de dietilcarbamazina, isolada ou em associação com albendazol, mostrou que a prevalência de microfilaremia decresceu significantemente com ambas as estratégias, com maior declínio com a associação (72% vs. 51%) que também determinou maior redução de antigenemia (62%; P < 0,001) e de ovos dos parasitos (49% vs. 97%). Outra comparação entre dietilcarbamazina isolada (300 mg, em dose anual) e associada a albendazol (400 mg) mostrou perfis de segurança símiles10 (ver monografia, página 485).

Ivermectina é considerado fármaco de primeira escolha para o tratamento da estrongiloidíase humana 5, 11 e para oncocercose, sendo preferida à dietilcarbamazina em razão de graves reações associadas à destruição das microfilárias5. Também é útil em escabiose12, filaríase e larva migrans cutânea5, 11. Como tratamento em massa para erradicação de filariose linfática, ivermectina e dietilcarbamazina foram avaliadas em relação ao número de formas parasitárias adultas. Ivermectina e dietilcarbamazina destruíram 96% e 57% das microfilárias e reduziram sua produção em 82% e 67%, respectivamente. Em tratamentos de longo prazo corre-se o risco de toxicidade13 (ver monografia, página 800).

Praziquantel é a primeira escolha na esquistossomose causada por todas as espécies de Schistosoma 5, 11, 14. Estudos apontam resultados positivos no uso de praziquantel em combinação com albendazol no tratamento da cisticercose, após ressecção cirúrgica. No entanto, o benefício desta combinação ainda não está claro15 (ver monografia, página 913).

Oxamniquina é opção ao praziquantel no tratamento de esquistossomose. Seu uso no Brasil, desde a década de 1970, indica efetividade de cura parasitológica em torno de 80%, havendo comunicados de menor eficácia em tratamento de esquistossomose em outros países. Em pediatria representa recurso importante, pois praziquantel não é produzido em apresentações farmacêuticas adequadas para uso em crianças. Oxamniquina é relativamente bem tolerada, tendo como efeitos adversos comuns náuseas, vômitos, sonolência, tontura e, mais raramente, convulsões 14, 16 (ver monografia, página 888).

 

Referências

1.REDDY, M.et al. Oral drug therapy for multiple neglected tropical diseases. A Systematic Review. JAMA, Chicago, Ill, v. 298, n. 16, p. 1911-1924, 2007.

2.KEISER, J.; UTZINGER, J. Efficacy of current drugs against soil-transmittedhelminth infections. Systematic review and meta-analysis. JAMA, Chicago, Ill, v. 299, n. 16, p. 1937-1948, 2008.

3.De CARLI, G.A.; TASCA, T.; MACHADO, A. R.L. Parasitoses Intestinais. In: DUCAN, B. B. et al. Medicina Ambulatorial: Condutas de atenção primária baseada em evidencias. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. p. 1465-1475.

4.ADDISS, D. et al. Albendazole for lymphatic filariasis. Cochrane Database of Systematic Reviews). In: The Cochrane Library, Issue 7, 2010. Art.No. CD 003753. Disponível em: <http://cochrane.bvsalud.org/portal/php/index.php>.

5.WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO model formulary 2008. Geneva. 2008. Disponível em <http://www.who.int/selection_medicines/list/WMF2008.pdf>.

6.ABBA, K.; RAMARATNAM, S.; RANGANATHAN, L. N. Anthelmintics for people with neurocysticercosis. Cochrane Database of Systematic Reviews. In: The Cochrane Library, Issue 7, 2010. Art. No. CD 000215. Disponível em: <http://cochrane.bvsalud. org/portal/php/index.php>.

7.HAIDER, B. A. et al. Effect of administration of antihelminthics for soil transmitted helminths during pregnancy. Cochrane Database of Systematic Reviews. In: The Cochrane Library, Issue 7, 2010. Art. No. CD005547. DOI: 10.1002/14651858. CD005547.pub2. Disponível em: <http://cochrane.bvsalud.org/portal/php/index. php>.

8.SUNISH, I. P. et al. Impact of single dose of diethylcarbamazine and other antifilarial drug combinations on bancroftian filarial infection variables: assessment after 2 years. Parasitol. Int., [S.l.], v. 55, n. 3, p. 233-236, 2006.

9.RAJENDRAN, R. et al. Community-based study to assess the efficacy of DEC plus ALB against DEC alone on bancroftian filarial infection in endemic areas in Tamil Nadu, south India. Trop. Med. Int. Health, [S.l.], v. 11, n. 6, p.851-861, 2006.

10.YONGYUTH, P. Adverse reactions of 300 MG diethylcarbamazine, and in a combination of 400 MG albendazole, for a mass annual single dose treatment, in migrant workers in Phang Nga province. J. Med. Assoc. Thai., Bangkok, TH, v. 90, n. 3, p. 552-563, 2007.

11.BRITISH MEDICAL ASSOCIATION; ROYAL PHARMACEUTICAL SOCIETY OF GREAT BRITAIN. British national formulary. Anthelmintics. 59. ed. March 2010. London: BMJ Publishing Group: Royal Pharmaceutical Society of Great Britain, 2007. Disponivel em: <http/www.medicinescomplete.com/mc/bnf>. Acesso em: julho 2010.

12.STRONG, M.; JOHNSTONE, P. Interventions for treating scabies. Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 7, 2010. Art. No.: CD000320. DOI:10.1002/14651858. CD000320.pub2. Disponível em: <http://cochrane.bvsalud.org/portal/php/index. php>.

13.STOLK, W. A. et al. Effects of ivermectin and diethylcarbamazine on microfilariae and overall microfilaria production in bancroftian filariasis. Am. J. Trop. Med. Hyg., Mclean, Va., US, v. 73, n.5, p. 881-887, 2005.

14.FERRARI, M. L. A. et al. Efficacy of oxamniquine and praziquantel in the treatament of Schistosoma mansoni infection: a controlled trial. Bull. WHO, [S.l.], v. 81, p. 190196, 2003.

15.BYGOTT, J. M.; CHIODINI, P. L. Praziquantel: neglected drug? Ineffective treatment? Or therapeutic choice in cystic hydatid disease? Acta Trop. Aug., [S.l.], v. 111, n. 2, p. 95-101, 2009.

16.SACONATO, H.; ATALLAH, A. Interventions for treating schistosomiasis mansoni. Cochrane Database of Systematic Reviews. In. The Cochrane Library, Issue 7, Art. No. CD 000528. Disponível em: <http://cochrane.bvsalud.org/portal/php/index.php>.

 

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