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Produtos para o Tratamento do Tabagismo

Última revisão: 18/09/2015

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Reproduzido de:

Formulário Terapêutico Nacional 2010: Rename 2010 [Link Livre para o Documento Original]

Série B. Textos Básicos de Saúde

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos

Brasília / DF – 2010

 

Produtos para o tratamento do tabagismo

 

Sheila Silva Monteiro Lodder Lisboa

 

Inspirados, certamente, pelo difícil esforço que representa o abandono ao hábito de fumar, têm sido propostos vários enfoques com o intuito de prestar auxílio a tal decisão. Sob o aspecto farmacológico, vem sendo estudado o uso de ansiolíticos, antidepressivos, clonidina, lobelina e vareniciclina (os dois últimos agonistas parciais de receptor da nicotina), entre outros. Recorre-se ainda a outras técnicas de auxílio, como informação em meios de comunicação de massa e programas de terapia de grupo ou individual.

Há razões para se acreditar que ansiolíticos possam ser úteis na interrupção do hábito de fumar: a ansiedade pode ser sintoma da abstinência ao fumo e o próprio ato de fumar uma tentativa de alívio da ansiedade. Uma revisão sistemática Cochrane com os ansiolíticos diazepam e meprobamato, além de metoprolol, oxprenolol e buspirona, concluiu pela falta de prova consistente; entretanto, não foram rejeitados possíveis efeitos benéficos que contribuiriam para cessar o hábito.

Do mesmo modo, há razões para acreditar que os antidepressivos ajudem a parar de fumar. A abstinência à nicotina pode produzir sintomas depressivos ou precipitar episódio intenso, com alívio fornecido pelos antidepressivos; a nicotina pode ter efeitos antidepressivos que sustentam o hábito de fumar e antidepressivos poderiam substituir este efeito; e alguns antidepressivos teriam efeito específico sobre vias neurais ou receptores envolvidos com a dependência à nicotina. Com base nessas hipóteses, outra revisão sistemática Cochrane demonstrou que os antidepressivos bupropiona e nortriptilina ajudam a parar de fumar no longo prazo, mas os inibidores seletivos como fluoxetina não o fazem. Estas provas sugerem que o modo de ação da bupropiona e da nortriptilina seja independente do mecanismo da ação antidepressiva e que ambos teriam eficácia semelhante à substituição pela nicotina, com a vantagem de que seus efeitos adversos raramente levariam à suspensão do tratamento.

Demonstrou-se, apesar do reduzido número de ensaios analisados, que a clonidina é eficaz no tratamento do tabagismo, mas os efeitos adversos limitam sua utilidade. Foi também estudado o efeito de lobelina, um agonista parcial da nicotina, sem que fosse possível provar ser útil.

Bupropiona é antidepressivo e fármaco de primeira escolha para tratamento de fumantes que necessitam auxílio para abandonar o hábito. Múltiplos ensaios clínicos têm provado a eficácia da bupropiona em aumentar o número de tentativas que resultaram bem sucedidas; comprovou-se, em estudo multicêntrico com 707 fumantes, que bupropiona é bem tolerada e quando combinada a aconselhamento propicia maior índice de abandono ao fumo que placebo. Uma revisão sistemática e meta-análise demonstrou que bupropiona faculta o abandono ao fumo em pacientes com esquizofrenia, sem trazer risco de piora no estado mental. O uso de bupropiona, associado a terapêuticas psicológicas de apoio e reforço, reduz o ganho de peso em mulheres anteriormente fumantes. Entretanto, este fármaco não mostrou efetividade quando usado por fumantes adolescentes com o intuito de parar de fumar – assim como não foi possível demonstrar evidência para a nicotina  (ver monografia, página 520).

Nicotina tem sido empregada com a intenção de substituir temporariamente a maior parte deste alcaloide fornecido pelo tabaco, de maneira a reduzir o motivo para fumar, os sintomas de abstinência e realizar a transição entre o hábito de fumar e a abstinência completa. A reposição de nicotina tem se mostrado eficaz, qualquer que seja a forma farmacêutica empregada: goma de mascar, adesivos transdérmicos, aerossol nasal, inalantes e pastilhas. Uma revisão sistemática (111 ensaios com cerca de 40.000 participantes) avaliou a eficácia das várias formas farmacêuticas comparadas a placebo, a influência das doses, formas e tempo de uso da reposição de nicotina, bem como da associação com apoio oferecido aos fumantes; concluiu-se que todas as formas de reposição de nicotina disponíveis no mercado mundial aumentam em 50% a 70% as possibilidades de sucesso quando o propósito é parar de fumar, e que melhores resultados são obtidos com a goma de mascar contendo 4 mg, em comparação a 2 mg; outra conclusão foi a de que a efetividade da reposição de nicotina é intensamente independente da duração, assim como da intensidade do apoio adicional dado ao dependente. No Brasil não estão disponíveis as apresentações aerossol nasal e inalador contendo nicotina e, ainda, sabe-se que são necessários mais estudos para definir a reposição de nicotina no longo prazo e sua reutilização em reincidentes depois do tratamento inicial (ver monografia, página 864).

 

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