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Eletrocardiograma 39

Autores:

Fernando de Paula Machado

Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP). Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor) do HC-FMUSP. Médico Diarista do Pronto-Atendimento do Hospital Sírio-Libânes.

Leonardo Vieira da Rosa

Médico Cardiologista pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Médico Assistente da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Doutorando em Cardiologia do InCor-HC-FMUSP. Médico Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês.

Última revisão: 01/04/2019

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Quadro Clínico

Homem de 50 anos com antecedente de insuficiência cardíaca, em uso de captopril e furosemida.

 

Eletrocardiograma do paciente

 

Ver diagnóstico abaixo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Interpretação

 

1.             Ritmo sinusal;

2.             PR-120ms;

3.             QRS <100ms;

4.             Eixo 60° +;

5.             Alterações difusas da repolarização ventricular - diminuição da amplitude da onda T, em algumas derivações achatamento e até inversão. Aumento da amplitude da onda U visualizada principalmente em derivações precordiais com depressão do ST e infradesnivelamento do ponto J.

 

Diagnóstico

Hipocalemia

 

Comentários

            A hipocalemia por definição é a concentração de potássio sérico menor que 3.5 mmol/L (mEq/L). Uma concentração menor que 2 mmol/L é considerada como hipocalemia grave. O potássio é um importante íon encontrado no organismo e é um dos principais responsáveis pela estabilidade e excitabilidade de células nervosas, musculares e sistemas condutores ou geradores de impulso elétrico. Essas ações são determinadas por meio de variações em sua concentração intra e extracelulares. Sua maior importância reside no fato de essas células e sistemas serem muito sensíveis a pequenas e rápidas modificações desse gradiente, o que acarreta graves conseqüências, praticamente imediatas, na vida do paciente. Ou seja, pequenas alterações na concentração sérica desse íon podem levar a grandes efeitos no ritmo cardíaco e na função cardiovascular.

 

                     Etiologia: é resultante de uma série de fatores, como diminuição da ingestão ou aumento das perdas ou da transferência para dentro da célula. As causas mais comuns de hipocalemia incluem: a) perdas gastrointestinais (diarréia ou uso de laxantes); b) perdas renais (hiperaldosteronismo, diuréticos espoliadores de potássio, anfotericina B e outros fármacos); e c) deslocamento para o intracelular (alcalose) e desnutrição.

                     Manifestações clínicas: Os sintomas de hipocalemia incluem: tonturas, fadiga, paralisias, dispnéia, lesão muscular com rabdomiólise, obstipação intestinal e cãibras. A hipocalemia exacerba os sinais e sintomas da intoxicação digitálica. Portanto, a hipocalemia deve sempre ser lembrada e corrigida nos pacientes em uso de digital.  

                     Eletrocardiograma: A hipocalemia altera o potencial de repouso da membrana e lentifica a repolarização. Estas alterações se refletem no eletrocardiograma pela depressão do segmento ST, achatamento da onda T e elevação da onda U (raramente). A ausência de onda T visível e a presença da onda U podem parecer como um prolongamento de QT. A onda T pode se apresentar com amplitude diminuída, achatada e até invertida (casos graves). Pode haver aumento da amplitude da onta U (visualizada principalmente de v2 a v5) e pode ocorrer depressão do segmento ST com infradesnivelamento do ponto J.

 

            O tratamento da hipocalemia inclui minimizar as perdas de potássio e aumentar a reposição. A reposição por via intravenosa está mais indicada na presença de arritmias ou na hipocalemia severa (K+ < 2,5 mEq/l). Nas situações de emergência, a administração de potássio pode ser empírica. Quando indicado, pode-se repor, no máximo, 10 mEq a 20 mEq/hora, mantendo-se monitorização eletrocardiográfica contínua. Pode-se usar acesso venoso central ou periférico. No acesso central, pode-se utilizar uma solução mais concentrada de K+, cuidando-se para que o cateter não chegue até o átrio direito. Na parada cardíaca por hipocalemia, pode ser utilizada reposição rápida. Infusão inicial de 10 mEq, por via intravenosa, em 5 a 10 minutos, seguida de 2 mEq/min. Depois que o paciente estiver estabilizado, pode-se iniciar reposição mais gradual. A correção gradual da hipocalemia é preferível à correção rápida, a menos que o paciente esteja clinicamente instável.

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