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Eletrocardiograma 67

Autores:

Fernando de Paula Machado

Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP). Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor) do HC-FMUSP. Médico Diarista do Pronto-Atendimento do Hospital Sírio-Libânes.

Leonardo Vieira da Rosa

Médico Cardiologista pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Médico Assistente da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Doutorando em Cardiologia do InCor-HC-FMUSP. Médico Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês.

Última revisão: 01/04/2019

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Quadro Clínico

                Paciente de 18 anos com diagnóstico prévio de miocardiopatia hipertrófica apresenta dispnéia como principal sintoma. A Ressonância Cardíaca demonstra relação septo-parede posterior preservada e fibrose em região basal e póstero-lateral. Qual o principal diagnóstico diferencial que deve ser afastado?

 

Eletrocardiograma do paciente

 

Ver diagnóstico abaixo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                               

Diagnóstico

            Eletrocardiograma típico de um paciente com doença de Fabry, que demonstra curto intervalo PR, importante hipertrofia ventricular esquerda, e proeminentes depressões do ST/ T e inversões da onda T.

                               

Discussão

                A história natural da doença de Fabry é caracterizada por hipertrofia progressiva do músculo cardíaco, com o aumento de alterações intersticiais e fibrose. Isso é consistente com leve disfunção diastólica em estágios iniciais da doença e com o aparecimento tardio dos sinais e sintomas que podem ser observadas em pacientes com cardiomiopatia restritiva. O processo da doença é desencadeado por isquemia absoluta ou relativa, ocorrendo mesmo na ausência de doença arterial coronária epicárdica. Isto pode ser devido principalmente ao aumento da demanda de oxigênio do músculo hipertrofiado, diminuição da densidade capilar, aumento da pressão diastólica de enchimento, que prejudicam o fluxo sanguíneo em todas as camadas subendocárdicas em diástole, e à infiltração de pequenas arteríolas e capilares no interior das células endoteliais e do músculo liso.

                Os sintomas predominantes de envolvimento cardiovascular incluem dispnéia e dor torácica. Na maioria dos pacientes, ambos os sintomas estão relacionados à hipertrofia do VE. A dispnéia é causada principalmente pela disfunção diastólica, embora insuficiência valvular e/ou disfunção sistólica do VE podem ser a causa em alguns casos. As crises anginosas geralmente ocorrem mesmo na ausência de lesão coronariana estenótica, devido a um aumento do consumo de oxigênio e uma diminuição da reserva de fluxo coronário. A angiografia coronária deve, no entanto, ser realizados em pacientes com sintomas anginosos relevantes. A terceira queixa mais freqüente inclui palpitações e arritmias comprovadas. A alta freqüência de taquicardia ventricular, e os benefícios potenciais do desfibrilador implantável deveriam incentivar a investigação de pacientes sintomáticos através do 24-Holter.

                Síncope pode ocorrer em pacientes com doença de Fabry. Causas de síncope cardíaca incluem: altos graus de bloqueio AV ou, mais raramente, grave obstrução dinâmica da via de saída do VE.

                Estudos de ressonância magnética com gadolínio forneceram novos insights sobre o desenvolvimento de cardiomiopatia de Fabry. Nos pacientes com hipertrofia do VE, tais estudos têm demonstrado áreas de realce tardio, correspondendo à fibrose miocárdica, ocorrendo freqüentemente dentro do miocárdico no segmento póstero-basal. Parece que este achado caracteriza estágios de envolvimento do VE e está associada à diminuição da função regional.

 

Tratamento

                Embora não se tenha nenhuma prova formal da eficácia e melhoria do prognóstico, todas as medidas usuais para reduzir o risco cardiovascular são usadas em pacientes com doença de Fabry, incluindo terapia com estatina para abaixar níveis de lipídios e tratamento anti-hipertensivo.

                Os doentes devem ser tratados de acordo com os sinais e sintomas que apresentem. Tratamento anti-anginosos deve ser administrada com cuidado, como no caso dos ß-bloqueadores que podem agravar a tendência para bradicardia sintomática e insuficiência de condução AV em alguns doentes. Já os Bloqueadores dos canais de cálcio são relativamente eficazes e seguros. A terapia de anti-agregação deve ser oferecida a todos os pacientes sintomáticos.

                O tratamento da insuficiência cardíaca deve ser dado a todos os pacientes sintomáticos. Inibidores da enzima conversora da angiotensina ou bloqueadores do receptor também devem ser considerados em indivíduos assintomáticos com hipertrofia do VE.  O tratamento anticoagulante deverá ser iniciado imediatamente em pacientes com distúrbios do ritmo supraventricular. Nos indivíduos com bradicardia sintomática e/ou distúrbios da condução AV, implante de marcapasso é freqüentemente necessário. Pacientes com arritmias malignas comprovadas podem se beneficiar de desfibrilador implantável.  Ablação septal alcoólica pode ser eficaz em pacientes com obstrução de via de saída do VE. Outras modalidades de tratamento (miectomia cirúrgica, substituição da válvula mitral) devem ser consideradas em indivíduos com anatomia do ramo septal imprópria.

                A Terapia de reposição enzimática (TRE) foi recentemente introduzida na prática clínica. Agalsidase-alfa, produzida em fibroblastos humanos, é dada na dose de 0,2 mg/kg de peso a cada 2 semanas; agalsidase- beta, produzida em células de ovário de hamster chinês, é administrado a cada 2 semanas na dose de 1 mg/kg.

                Vários estudos foram concluídos com ambos os tratamentos, e demonstraram a eficácia da TRE sobre a manifestações neurológicas e renais da doença e na qualidade de vida. Nenhum desses estudos foi projetado especificamente para demonstrar uma melhoria na estrutura e função cardíaca. No entanto, um ensaio clínico de fase III de agalsidase-alfa demonstrou uma melhora na duração do complexo QRS e bloqueio de ramo foi resolvido em um paciente. Além disso, os resultados das biópsias cardíacas realizadas durante um ensaio clínico de fase III com agalsidase-beta mostraram que a Gb3 está desmarcada a partir de células endoteliais nos capilares do miocárdio. Relatos de casos e estudos observacionais, também têm repetidamente sugerido uma melhora significativa na estrutura e função do VE, com ambos os tratamentos.

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