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Dor abdominal em homem idoso

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 15/02/2012

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Especialidades / Áreas de Atuação: Medicina de Emergência / Cirurgia Vascular / Medicina Hospitalar / Radiologia

 

Quadro clínico

Paciente do sexo masculino, 68 anos de idade, hipertenso em uso apenas de hidroclorotiazida 25 mg/dia e tabagista há 40 anos, procurou pronto-socorro com história de dor abdominal com início há poucas horas da chegada. Ao exame físico, apresentava-se com Glasgow 15, PA 86x40 mmHg, FC 138 bpm, FR 20 cpm, Sat 92%, exame torácico normal e abdominal com RHA+, e presença de massa palpável no mesogástrio, pulsátil e dolorosa à palpação. O paciente foi submetido a uma angiotomografia de aorta.

 

Imagem radiológica

Figura 1. Aneurisma de aorta abdominal (seta vermelha).

 

 

Figura 2. Ponto de rotura (seta vermelha) do aneurisma de aorta abdominal.

 

 

Figura 3. Grande hematoma causado pela rotura do aneurisma de aorta (seta vermelha).

 

 

Figura 4. Reconstrução tomográfica do aneurisma de aorta abdominal roto.

 

 

Diagnóstico

Este paciente tinha a tríade clínica clássica para diagnóstico de aneurisma de aorta abdominal roto: dor, hipotensão e massa pulsátil abdominal.

A avaliação inicial destes pacientes é guiada basicamente pelo estado hemodinâmico de apresentação do caso. Pacientes hemodinamicamente instáveis podem até ser levados imediatamente para centro cirúrgico se assim for necessário, porém, em geral, tenta-se confirmar o diagnóstico com pelo menos uma ultrassonografia abdominal. Pacientes que chegam estáveis ou naqueles em que se consegue estabilidade hemodinâmica com ressuscitação volêmica inicial, é mandatório realizar uma tomografia contrastada de abdome para avaliação da aorta. Além de definir o diagnóstico, a tomografia tem a vantagem de ajudar o cirurgião vascular a estudar a melhor intervenção para o tratamento, planejando inclusive o tamanho de uma prótese que possa vir a ser utilizada.

Alguns achados tomográficos característicos são:

 

       hematoma retroperitoneal;

       parede da aorta não distinguível das demais estruturas;

       perda de plano da gordura entre a aorta e os tecidos circundantes;

       extravasamento de contraste (se usado).

 

Os aneurismas rotos de aorta abdominal ainda têm grande mortalidade, que varia de 40 a 50% nos estudos. A reparação endovascular parece ser promissora em diminuir esta mortalidade, porém este dado não está completamente definido na literatura.

É interessante conhecer alguns fatores prognósticos. Na admissão do paciente estão incluídos: idade > 80 anos, sexo feminino, Hb < 9,0; Cr > 1,3; PA sistólica < 80 mmHg; doença isquêmica cardíaca prévia, perda de consciência, parada cardíaca. Os fatores de mau prognóstico no intraoperatório incluem: clampeamento da aorta supracelíaca > 30 min; volume de sangue fornecido > 3,5 L; débito urinário < 200 mL no intraoperatório; trombose em outros leitos vasculares e hipotensão durante a cirurgia.

 

Bibliografia

1.   Dillavou ED, Muluk SC, Makaroun MS. A decade of change in abdominal aortic aneurysm repair in the United States: Have we improved outcomes equally between men and women? J Vasc Surg. 2006;43(2):230.

2.   Giles KA, Pomposelli F, Hamdan A, Wyers M, Jhaveri A, Schermerhorn ML. Decrease in total aneurysm-related deaths in the era of endovascular aneurysm repair. J Vasc Surg. 2009;49(3):543.

3.   Akkersdijk GJ, van Bockel JH. Ruptured abdominal aortic aneurysm: initial misdiagnosis and the effect on treatment. Eur J Surg 1998;164(1):29.

4.   Rinckenbach S, Albertini JN, Thaveau F. Steinmetz E, Camin A, Ohanessian L et al. Prehospital treatment of infrarenal ruptured abdominal aortic aneurysms: a multicentric analysis. Ann Vasc Surg. 2010;24(3):308.

5.   Brewster DC, Jones JE, Chung TK, Lamuraglia GM, Kwolek CJ, Watkins MT et al. Long-term outcomes after endovascular abdominal aortic aneurysm repair: the first decade. Ann Surg 2006;244(3):426.

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