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Calcificação pulmonar em hiperparatireoidismo primário

Autor:

Rodrigo Antonio Brandão Neto

Médico Assistente da Disciplina de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Última revisão: 19/07/2012

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Especialidade: Endocrinologia / Nefrologia

 

Quadro clínico

Paciente com antecedente de litíase renal de repetição. Na avaliação dessa litíase, realizou análise de cálculo que mostrou cálculo de fosfato de cálcio.

Na imagem torácica, apresentou calcificação pulmonar e litíase com calcificação pulmonar (Figura 1).

 

Figura 1. Imagem torácica mostrando calcificação pulmonar e litíase com calcificação pulmonar.

 

Diagnóstico

O fato de ter litíase renal de repetição com cálculos de fosfato de cálcio sugere o diagnóstico de hiperparatireoidismo primário.

O hiperparatireoidismo primário é a principal causa de hipercalcemia, ocorrendo sobretudo em ambiente ambulatorial. A maioria dos pacientes é assintomática no momento do diagnóstico. Nestes pacientes, a inapropriada secreção de PTH e a hipercalcemia são consequência da redução da sensibilidade das glândulas paratireoides ao cálcio (set point de inibição de secreção do PTH pela concentração de cálcio está mais elevado) , o que aumenta a massa das paratireoides. Ocorre 1 caso a cada 500 a 1.000 pessoas. Dentro das endocrinopatias, só é menos prevalente que o diabetes melito e o hipotireoidismo.

O quadro clínico é representado, em geral, por sintomas inespecíficos como letargia, fraqueza muscular, confusão mental, anorexia, náusea, vômitos, constipação, poliúria e polidipsia. As complicações decorrentes da hipercalcemia são: desidratação, nefrolitíase, nefrocalcinose, insuficiência renal, hipertensão, arritmias cardíacas, úlcera péptica, pancreatite e até coma.

Entre as principais manifestações do hiperparatireoidismo, há:

 

      alterações ósseas (decorrentes da absorção exagerada de osso cortical);

      sequelas da hipercalcemia crônica (principalmente sobre os rins);

      sintomas constitucionais atribuíveis à hipercalcemia: fraqueza, apatia, depressão, poliúria, polidipsia, constipação e, eventualmente, coma.

 

Os casos mais graves costumam ser vistos no carcinoma de paratireoide.

A presença de PTH elevado em pacientes com hipercalcemia faz o diagnóstico de hiperparatireoidismo primário. As únicas outras possibilidades diagnósticas são o uso de lítio ou a hipercalcemia hipocalciúrica familiar, que evolui com fração de excreção renal de cálcio menor que 1%. O achado diferenciador, portanto, é a presença de calciúria relativa.

A hipercalcemia hipocalciúrica familiar é causada por mutações no receptor sensor de cálcio. É transmitida por herança autossômica dominante com 100% de penetrância e os indivíduos afetados podem ser detectados em idade jovem.

O tratamento é cirúrgico e as indicações são:

 

      valores de cálcio sérico maiores que 1 mg/dL acima do limite superior da normalidade;

      calciúria maior que 400 mg nas 24 horas;

      queda de 30% ou mais no clearance de creatinina;

      presença de osteoporose em qualquer sítio;

      pacientes com menos de 50 anos de idade.

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