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tuberculose miliar

Autor:

Rodrigo Antonio Brandão Neto

Médico Assistente da Disciplina de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Última revisão: 23/01/2013

Comentários de assinantes: 1

Especialidades: Pneumologia / Infectologia

 

Resumo

         Análise das imagens de uma paciente de 39 anos de idade apresentando quadro de tosse seca e febre há 2 semanas, com piora progressiva.

 

Quadro clínico

         Paciente do sexo feminino, 39 anos de idade, antecedente de lúpus cutâneo, utilizando prednisona 10 mg/dia. Apresenta quadro de tosse seca e febre há 2 semanas, com piora progressiva.

 

Exame físico

      Bom estado geral, corada, hidratada, anictérica, acianótica.

      PA: 95 x 60 mmHg.

      FC: 110 bpm.

      AP Resp: MV + , com crepitações esparsas bilateralmente.

 

         A Figura 1 mostra a radiografia de tórax realizada.

 

Figura 1. Radiografia de tórax.

   

         Na imagem, podemos notar múltiplos micronódulos bilaterais de diferentes tamanhos, que também podem ser observados na Figura 2.

 

Figura 2. Radiografia lateral do tórax. 

 

         A Figura 3 mostra padrão semelhante, com múltiplos nódulos bilaterais.

 

Figura 3. Tomografia demonstrando múltiplos nódulos bilaterais.

 

 

     As imagens sugerem o diagnóstico de tuberculose miliar, que é uma forma secundária de tuberculose. Anos após o contato inicial, os bacilos que estavam latentes podem reativar, originando um quadro geralmente de febre vespertina, tosse (produtiva ou não), queda de estado geral e perda de peso. A reativação é mais comum em indivíduos com algum tipo de imunodepressão (desnutrição, alcoolismo), na gravidez e em pacientes com outras afecções pulmonares subjacentes, como DPOC e câncer de pulmão. A tuberculose miliar secundária pode estar associada à disseminação hematogênica de uma tuberculose pulmonar secundária ou por reativação simultânea de vários focos latentes, formados na fase de disseminação hematogênica pré-alérgica. Os pacientes com tuberculose miliar apresentam micronódulos em geral menores que 6 mm, distribuídos difusa e aleatoriamente; nódulos maiores do que 6 mm e pequenas cavidades podem ocorrer. O diagnóstico pode ser difícil, pois a pesquisa de BAAR é usualmente negativa no escarro e pode ser necessário confirmar o diagnóstico com biópsia transbrônquica, como foi o caso desta paciente específica.

     Pacientes com tuberculose miliar podem evoluir com insuficiência respiratória e síndrome da angústia respiratória do adulto (SARA). Assim, alguns autores recomendam o tratamento destes pacientes em ambiente hospitalar, porém esta não é uma recomendação universal. Caso o paciente não apresente hipoxemia e dispneia e apresente bom estado geral, pode eventualmente ser tratado em ambulatório.

         Esta paciente apresentava sorologia negativa para HIV e a disseminação hematogênica de HIV pode ter decorrido do uso de glicocorticoide. A paciente ainda apresenta pressão arterial limítrofe e, como apresenta disseminação hematogênica da tuberculose, deve-se considerar a possibilidade de tuberculose adrenal com insuficiência adrenal secundária.

Comentários

Por: Daniel Carlos Amorim Gadelha em 18/01/2013 às 21:48:59

"�timo caso! Parabéns ao site e ao autor!"

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