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Mulher com alterações na face

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 30/09/2013

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Especialidades / Áreas de Atuação: Medicina de Emergência / Neurologia

 

Quadro clínico

Paciente do sexo feminino, 68 anos de idade, com antecedentes de diabetes melito em uso de metormina 850 mg 3 vezes/dia, procura o pronto-socorro com história de dificuldade de movimentar parte do rosto há poucas horas. A paciente não conseguia fechar o olho esquerdo, o sulco nasolabial esquerdo havia perdido a nitidez e a paciente não conseguia sorrir com o lado esquerdo do rosto, com desvio da boca para o lado direito, como mostra a Figura 1.

 

Figura 1. Aspecto facial da paciente.

 

 

Diagnóstico e discussão

Esta paciente foi diagnosticada com paralisia facial periférica, que é uma doença aguda e de causa desconhecida.

 

Características clínicas

Normalmente, o aparecimento de paralisia facial unilateral é súbito (em geral, desenvolve-se em poucas horas). Achados comuns incluem flacidez da sobrancelha, incapacidade de fechar o olho, desaparecimento da prega nasolabial e boca desviada para o lado não afetado.

Diminuição de lacrimejamento, hiperacusia e/ou perda da sensação de gosto nos dois terços anteriores da língua podem ajudar a localização da lesão no canal do nervo facial (de Falópio), mas é pouco prático e usado mais como um indicador da gravidade do que como diagnóstico anatômico.

A grande diferença entre uma lesão periférica e uma lesão central é que a preservação dos músculos da testa sugere uma lesão central (neurônio motor superior) por causa da inervação bilateral para esta área. No entanto, esta constatação não exclui um local periférico de patologia em todos os casos.

Os diagnósticos diferenciais incluem:

 

      doença de Lyme;

      HIV;

      síndrome de Melkersson-Rosenthal;

      otite média;

      colesteatoma;

      sarcoidose;

      síndrome de Sjögren;

      tumor de parótida.

 

Bibliografia

1.    May M, Klein SR. Differential diagnosis of facial nerve palsy. Otolaryngol Clin North Am 1991; 24:613.

2.    Peitersen E. The natural history of Bell’s palsy. Am J Otol 1982; 4:107.

3.    Hilsinger RL Jr., Adour KK, Doty HE. Idiopathic facial paralysis, pregnancy, and the menstrual cycle. Ann Otol Rhinol Laryngol 1975; 84:433.

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5.    Adour KK, Byl FM, Hilsinger RL Jr., Kahn ZM, Sheldon MI.. The true nature of Bell’s palsy: analysis of 1,000 consecutive patients. Laryngoscope 1978; 88:787.

6.    Adour KK, Bell DN, Hilsinger RL Jr. Herpes simplex virus in idiopathic facial paralysis (Bell palsy). JAMA 1975; 233:527.

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