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Hemorragia alveolar

Autor:

Rodrigo Antonio Brandão Neto

Médico Assistente da Disciplina de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Última revisão: 30/01/2015

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         Mulher de 32 anos, portadora de lúpus eritematoso sistêmico, em uso de prednisona (40 mg/dia), varfarina sódica (5 mg/dia), enalapril (40 mg/dia), hidroclorotiazida (25 mg/dia), alendronato (10 mg/dia) é internada com o diagnóstico de pneumonia comunitária. Após tratamento com 10 dias de cefepima e azitromicina houve melhora do quadro clínico e no dia da alta hospitalar os exames laboratoriais foram: hemoglobina: 13,8 g/dL; leucócitos: 8.500/mm3; plaquetas: 235.000/mm3; ureia: 32 mg/dL; creatinina: 0,9 mg/dL; velocidade de hemossedimentação: 5 mm; proteína C reativa: normal; complemento sérico: normal; gasometria arterial: normal e urina tipo 1: normal. A paciente foi de alta, todas as medicações foram mantidas e após 1 semana ela iniciou um quadro súbito de intensa dispneia e três episódios de hemoptise, sendo levada ao pronto-socorro. Ao exame físico: confusa, cianótica, sudoréica e descorada (2+/4+); pressão arterial: 110 x 80 mmHg, pulso: 128 bpm; frequência respiratória: 40 ipm e saturação arterial de oxigênio: 56%; ausculta pulmonar: roncos, sibilos e estertores crepitantes audíveis difusamente e bilateralmente. Radiografia de tórax mostrada a seguir. A paciente foi intubada e colocada em ventilação mecânica em modo de pressão controlada.

 

O R-X apresenta a imagem abaixo:

 

          O caso é de uma paciente lúpica, mas é importante notar que logo à alta da pneumonia, ela estava sem nenhum indício de atividade: VHS normal, complemento normal, proteína C normal.

         O quadro de insuficiência respiratória, relativamente súbito de dispneia e hemoptise, R-X com padrão de infiltrado bilateral difuso e uso de anticoagulante oral (marevan) apontam para hemorragia alveolar. É um quadro grave, tem múltiplas etiologias (p. ex. leptospirose, síndrome de goodpasture, o próprio lúpus, vasculites, além de quadros infecciosos como as febres hemorrágicas).

         Lembrar ainda que quando o paciente faz uso de marevan, este  também se torna  um fator predisponente para hemorragia alveolar. Outros achados que podem corroborar o diagnóstico é a presença de macrófagos com hemossiderina em lavado broncoalveolar e cintilografia pulmonar com DLCO aumentada.

O tratamento é com ventilação invasiva e altos valores de PEEP, o tratamento específico depende da etiologia da doença, o uso de vitamina K pode ser útil, pois faz uso de varfarina.

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