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Cisto Renal

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 28/08/2015

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Quadro Clínico

Paciente masculino, 79 anos, hipertenso e dislipidêmico um uso regular de amlodipino e sinvastatina, passou em consulta de rotina com seu clínico geral. Reclamou de umas dores lombares recorrentes, e o médico optou por realizar um ultrassom de abdômen total para avaliar a possibilidade de cálculos renais. O paciente não apresentava febre, nem disúria, e no momento da consulta estava sem dor. Foi então realizar o exame de imagem combinado. Podemos ver uma parte do ultrassom na imagem 1.

 

Imagem 1 – Ultrassonografia de rim esquerdo

 

 

Diagnóstico e Discussão

O laudo do exame trouxe a seguinte descrição:

Cisto renal simples cortical no terço médio do rim direito, medindo 1,2 x 1,1 cm e exofítico no terço médio do rim esquerdo, medindo 1,5 x 1,6 cm.

 

Sendo assim, não havia litíase renal ou outras complicações abdominais, mas havia cistos renais, e é importante que se saiba classificar um Cisto renal,pois isso tem implicações prognósticas.

Cistos renais resultam de processo genéticos ou adquiridos, ocorrendo tanto em adultos quanto em crianças. A causa mais comum de evidência radiológica de cistos em adultos é exatamente o cisto simples renal. Cistos renais simples são observados de forma rotineira em rins normais, havendo maior incidência quanto maior a idade, sendo mais comuns acima de 50 anos, e mais comuns em homens. São considerados a massa/tumor renal mais frequente, respondendo por até 70% dos casos. Por sorte, são benignos e assintomáticos.

Quando há dúvidas sobre a característica do cisto e seu impacto prognóstico, o melhor é aplicar a classificação de Bosniak, que envolve cinco categorias. Para esta categorização é necessário progredir a investigação com tomografia com contraste endovenoso.

Categoria I – Cisto renal simples benigno, ou múltiplos cistos renais, com parede fina, sem septos, sem calcificações ou componentes sólidos. A densidade do cisto é de água e não há reforço com contraste.

Categoria II – lesão cística benigna na qual pode haver um septo fino, e a parede ou o septo podem conter finas calcificações ou um pedaço pequeno com uma calcificação ligeiramente mais espessa. Nessa categoria também estão lesões que têm aumento de atenuação uniforme, mas que tem < 3cm de diâmetro, margens bem definidas e sem reforço com contraste.

Categoria IIF – cistos nessa categoria têm geralmente margens bem definidas. Podem ter múltiplos septos finos ou pequeno espessamento do septo ou da parede, o qual podem conter calcificações espessas ou nodulares. Normalmente não há reforço com contraste, porém pode haver reforço do septo ou paredes por um reforço subjetivo visto quando imagens com e sem contraste são comparadas. Nessa categoria também estão lesões intrarenais, sem reforço com contraste, hiperatenuantes e com > 3cm de diâmetro. Essas lesões precisam de seguimento.

Categoria III – massas císticas indeterminadas que têm septos ou parede espessada e irregular. Reforço com contraste está presente. Cerca de 40 a 60% são malignas (carcinoma de células renais císticas e carcinoma de células renais multiloculadas). As lesões que não se enquadram nisso são de fato benignas e incluem cistos hemorrágicos, cistos infectados crônicos, e nefroma cístico multiloculado.

Categoria IV – 85 a 100 % são lesões malignas conforme diversos estudos. Aqui se enquadram cistos com todas as características da categoria III, além de ter reforço de componentes de partes moles que são adjacentes e independentes da parede e do septo.

 

Bibliografia

Israel GM, Bosniak MA. An update of the Bosniak Renal Cyst Classification System. Urology 2005; 66:484.

 

Curry NS, Cochran ST, Bissada NK. Cystic renal masses: accurate Bosniak classification requires adequate renal CT. AJR Am J Roentgenol 2000; 175:339.

 

Lippert MC. Renal Cystic Disease. In: Adult and Pediatric Urology, 4th ed, Gillenwater JY, Grayhack JT, Howards SS, Michell ME (Eds), Lippincott, Williams & Wilkins, Philadelphia 2002. p.8589.

 

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