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Hérnia de Hiato

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 18/03/2016

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Quadro Clínico

Paciente feminina, 52 anos, traz uma radiografia de tórax mostrando uma massa em hemitórax direito. Relatou que em outro serviço foi diagnosticado um tumor. Ficou extremamente preocupada e pediu uma segunda opinião. De queixas, a única coisa que  refere é ter uma síndrome dispéptica de difícil controle sintomático. Recentemente, os sintomas se acentuaram, e passaram a ser principalmente de pirose e vômitos.  Devido à dúvida da paciente é solicitada  uma tomografia de tórax, que mostra um achado inusitado, mas que tranquiliza a paciente. Veja a imagem 1.

 

Imagem 1- Tomografia mostrando presença de parte do estômago dentro do tórax

 

  

Discussão

A definição de hérnia do hiato refere-se à presença de elementos da cavidade abdominal que se projeta através do hiato esofágico do diafragma, adentrando o tórax.

As hérnias de hiato são categorizadas em dois grandes grupos, que são as por deslizamento e as paraesofágicas. Estima-se que mais do que 95% das hérnias de hiato são do tipo I (deslizante), com as hérnias do tipo II, III, e IV (paraesofágicas) representando cerca de 5%.

A etiologia é muito descutida. A maioria das hérnias de hiato do tipo deslizante é relacionada a trauma, malformações congênitas e fatores iatrogênicos. No caso das hérnias Tipo II, III, e IV (paraesofágicas), estas são uma complicação reconhecida da dissecção cirúrgica do hiato, como ocorre durante os procedimentos anti-refluxo, esofagomiotomia, ou gastrectomia parcial.

 

O esquema de classificação mais abrangente reconhece quatro tipos de hérnia de hiato:

Tipo I: hérnia deslizante - é caracterizada por deslocamento da junção gastro-esofágica (GE) acima do diafragma. O estômago permanece no seu alinhamento longitudinal habitual e o fundo permanece abaixo da junção GE;

Tipo II, III, IV: hérnias paraesofágicas - é uma verdadeira hérnia com um saco herniário e é caracterizada por um deslocamento para cima do fundo gástrico através de um defeito na membrana frenoesofágica;

Tipo II: resulta de um defeito localizado na membrana frenoesofágica onde o fundo gástrico serve como um ponto inicial de herniação, enquanto a junção GE permanece fixa na fáscia pré-aórtica e no ligamento arqueado mediano;

Tipo III: tem elementos de ambos os tipos I e II e são caracterizadas pela herniação do fundo gástrico e da junção GE. O fundo encontra-se acima da junção GE;

Tipo IV: a hérnia do hiato está associada com um grande defeito na membrana frenoesofágica e é caracterizada pela presença de outros órgãos que não o estômago no saco herniário (por exemplo, cólon, baço, pâncreas, intestino delgado).

 

Referências

Kahrilas PJ. Hiatus hernia causes reflux: Fact or fiction? Gullet 1993; 3(Suppl):21.

 

Wright RA, Hurwitz AL. Relationship of hiatal hernia to endoscopically proved reflux esophagitis. Dig Dis Sci 1979; 24:311.

 

Kahrilas PJ, Lin S, Chen J, Manka M. The effect of hiatus hernia on gastrooesophageal junction pressure. Gut 1999; 44:476.

 

Sloan S, Kahrilas PJ. Impairment of esophageal emptying with hiatal hernia. Gastroenterology 1991; 100:596.

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