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Doença Pericárdica associada à Malignidade

Última revisão: 23/03/2016

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         Quadro Clínico

Mulher de 58 anos, que realizou recentemente diagnóstico de um linfoma abdominal, vinha aguardando início das sessões de quimioterapia, foi hospitalizada por quadro de dispneia progressiva há uma semana. Como se encontrava com um quadro clínico bastante inespecífico, foi optado por investigação com tomografia de tórax com e sem contraste. Podemos ver um corte da tomografia, na fase sem contraste, com a qual podemos verificar o diagnóstico da causa da dispneia.

 

Imagem 1- Tomografia de Tórax

 

 

 

         Discussão

Podemos verificar na tomografia a presença de derrame pericárdico, potencialmente associado ao linfoma.  O envolvimento maligno do pericárdio é detectado em 1 a 20% dos casos de câncer em estudos de necropsia. Em duas grandes séries autópsias, a incidência de qualquer envolvimento cardíaco foi de 11 e 12%, respectivamente. Destes, 76% tinham envolvimento do pericárdio, e 34% tinham um derrame pericárdico.

O tumor primário mais comum envolvendo o pericárdio é o câncer de pulmão; mas há casos relacionados a câncer de mama e câncer de esôfago, melanoma, linfoma e leucemia.

Pericardiocentese com citológico e/ou citometria de fluxo para análise do líquido deve ser realizada em pacientes com derrame pericárdio sempre que houver  suspeitar de malignidade. A avaliação citológica é especialmente importante se o derrame é hemorrágico, pois tais derrames são mais propensos a serem malignos em comparação a derrames não hemorrágicos. A sensibilidade da citologia para o diagnóstico de maliginidade é de 67 a 92%, e é menor para o mesotelioma e linfoma. A coloração imuno-histoquímica pode ajudar na distinção entre as células malignas e as células mesoteliais atípicas, bem como fornecer informações quanto ao provável tecido de origem. Citologia negativa não deve ser utilizada para excluir o diagnóstico de malignidade, em particular se o índice de suspeita é elevado. A biópsia do pericárdio pode ser necessária, e pode ser realizada através de uma  pericardiostomia subxifoide (janela) ou por pericardioscopia.

O tratamento da doença neoplásica do pericárdico deve ser individualizado e requer a remoção do fluido para melhorar o estado hemodinâmico, prevenção de reacumulação do derrame e tratamento da doença de base.

 

          Referências

Ben-Horin S, Bank I, Guetta V, Livneh A. Large symptomatic pericardial effusion as the presentation of unrecognized cancer: a study in 173 consecutive patients undergoing pericardiocentesis. Medicine (Baltimore) 2006; 85:49.

 

Maisch B, Ristic A, Pankuweit S. Evaluation and management of pericardial effusion in patients with neoplastic disease. Prog Cardiovasc Dis 2010; 53:157.

 

Wilkes JD, Fidias P, Vaickus L, Perez RP. Malignancy-related pericardial effusion. 127 cases from the Roswell Park Cancer Institute. Cancer 1995; 76:1377.

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