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Síndrome torácica aguda

Autor:

Rodrigo Antonio Brandão Neto

Médico Assistente da Disciplina de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Última revisão: 07/07/2016

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Paciente do sexo masculino, 14 anos, portador de doença falciforme, apresenta história de dois dias de dores em membros inferiores sem melhora com paracetamol e anti-inflamatórios não esteroidais. Costuma apresentar dor nesses locais quando em crise. Apresenta ainda tosse, febre não aferida por termômetro e dispneia, com dor torácica de inicio há um dia. No momento, com dor de intensidade 8-9/10.

 

Ao exame: Consciente, hidratado, descorado ++/4+, ictérico +/4+, acianótico

FC = 110 bpm PA = 100 x 60mmHg, T = 38,1ºC, FR = 27 i.r.p.m

 

Ap Resp: murmúrio vesicular (MV) diminuído em base de hemitórax esquerdo, saturação de oxigênio de 86% em ar ambiente.

Ap CV: 2BRNF, sem sopros.

TGI: Abdome flácido, dor difusa referida à palpação com descompressão brusca negativa, fígado a 4 cm do rebordo costal direito, baço não palpável e percutível.

 

 

A imagem mostra um infiltrado com consolidação em base E, em paciente com antecedente de doença falciforme e com achados de dispneia, hipoxemia e dor torácica. Neste caso, é imperioso considerar a hipótese diagnóstica de Síndrome Torácica Aguda. Critérios para o seu diagnóstico:

 

1-Presença de infiltrado novo na radiografia;

2-Dor torácica;

3-Febre com temperatura maior do que 38,5 graus;

4-Taquipneia, tosse e sibilância.

 

A Síndrome Torácica Aguda é frequentemente desencadeada após crise vaso-oclusiva, e diversos fatores são responsabilizados como infecção, embolia gordurosa, hiper-hidratação, hipoxemia, microatelectasias. Sua gravidade varia de acordo com a idade do paciente, sendo que em crianças a manifestação clínica é mais branda, mas em adultos jovens a hipoxemia é comum e a mortalidade é alta. Sua fisiopatologia não é completamente compreendida e infecção ou quadros de embolia gordurosa causada por necrose óssea são corresponsabilizados por seu aparecimento, quando se isolam agentes infecciosos associados é mais frequente encontrar o Mycoplasma pneumoniae chlamydia pneumoniae do que o pneumococo propriamente dito.

O manejo é similar a outras crises agudas em pacientes com anemia falciforme, deve-se acrescentar as seguintes medidas para esses pacientes:

 

-Antibioticoterapia com uma cefalosporina intravenosa, um antibiótico macrólideo oral, oxigênio suplementar (para manter a saturação de oxigênio > 95%), e acompanhamento de broncoespasmo, anemia aguda e hipoxemia. O uso de inalação é benéfica para pacientes com broncoespasmo. Em pacientes com crise hemolítica, a cefotaxima pode ser superior ao ceftriaxone devido ao risco de hemólise com este último.

-Transfusão de hemácias (10 mL / kg) em pacientes cuja concentração de hemoglobina é > 1,0 g / dL abaixo do basal, se os níveis basais de hemoglobina forem  >=9 g / dL, a transfusão não é necessária se níveis de Hb> 7 g/dl. A transfusão está sempre indicada se níveis de Hb < 5g/dl. Considerar eritrocitoaférese em casos refratários.

-Se evolução rápida, com SaO2 < 92% ou PaO2 < 70% apesar de oxigenioterapia, piora de infiltrados, diminuição da hemoglobina Hb, deve-se considerar a avaliação de um hematologista.

-Espirometria de incentivo, enquanto acordado.

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