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Hematoma em reto abdominal

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 07/11/2016

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         Quadro Clínico

 

         Mulher de 68 anos, portadora de fibrilação atrial em anticoagulação com varfarina e em uso de amiodarona, é internada com intensa dor abdominal após trauma leve no abdome (bateu o abdome contra a pia do banheiro ao escorregar). Foi feita tomografia de abdome (imagem 1), e outros exames, dentre os quais se destacam o hemoglobina (Hb) de 11,1 e razão normalizada internacional (INR) de 4,0.

 

 

Imagem 1 – Tomografia de abdome

 

 

    Discussão

 

  Podemos verificar, nesta tomografia, que há um grande hematoma no músculo reto abdominal inferior esquerdo, medindo aproximadamente 200mL. Esta paciente estava em excesso de anticoagulação (como vemos no INR de 4,0), demonstrando intoxicação cumarínica.

Há alguns fatores de risco associados à formação de hematoma no reto abdominal, não se restringindo ao uso de anticoagulantes: trauma na parede abdominal, antecedente pessoal de asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), ser do sexo feminino e ter idade mais avançada.

Foram encontrados hematomas do Tipo I (hematoma pequeno confinado ao músculo reto abdominal), Tipo II (hematoma disseca o plano da fáscia transversalis ou cruza a linha média), e Tipo III (há evidência de hemoperitônio ou sangue no espaço pré-vesical). Essa classificação tem relação direta com a possibilidade de instabilidade clínica.

A conduta é direcionada pelo status clínico do paciente. Pacientes estáveis podem ter conduta conservadora, precisando apenas de reversão da anticoagulação e de transfusão, caso os níveis de hemoglobina seja críticos. Pacientes instáveis hemodinamicamente devem ser ressuscitados (expansão, drogas vasoativas conforme necessário). Além disso, o foco do sangramento deve ser controlado. Para tanto, uma estratégia possível é a embolização arterial; a cirurgia deve ser reservada para casos selecionados.

 

        Bibliografia

 

1. Hatjipetrou A, Anyfantakis D, Kastanakis M. Rectus sheath hematoma: a review of the literature. Int J Surg 2015; 13:267.

2. Turnage RH, Badgwell B. Abdominal Wall, Umbilicus, Peritoneum, Mesenteries, Omentum, and Retroperitoneum. In: Sabiston Textbook of Surgery, 19th ed, Townsend C, Beauchamp RD, Evers BM, et al (Eds), Elsevier Saunders, Philadelphia 2012. p.1088.

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