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Composição de Cálculo Ureteral

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 17/02/2017

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Quadro Clínico

 Paciente do sexo masculino tem, de forma recorrente, crises de lombalgia em cólica com irradiação para região inguinal, tendo sido a última delas do lado direito, a qual se resolveu com analgesia. Foi feita uma tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve que demonstrou cálculo ureteral à direita. Em casos como este, deve-se discutir a composição do cálculo com vistas a definir alguma estratégia para minimizar novos cálculos.

A Figura 1 mostra a TC de abdome e pelve.

 

 

Figura 1 – TC de abdome e pelve.

TC: tomografia computadorizada.

 

Discussão

Os cálculos renais/ureterais podem conter uma variedade de materiais cristalinos e não cristalinos. Os cristalinos mais comuns, encontrados nas pedras nos rins, são oxalato de cálcio, fosfato de cálcio, ácido úrico e estruvita. Não é raro uma pedra conter mais do que um componente cristalino. Materiais não cristalinos encontrados em pedras incluem proteínas e sangue.

O oxalato de cálcio é o componente mais comum encontrado nos cálculos renais (aproximadamente, 70 a 80%), podendo ser encontrado em formas monoidratadas e di-hidratadas. O oxalato de cálcio pode, também, estar presente em combinação com ácido úrico ou fosfato de cálcio.

Os fatores urinários de risco para a formação de oxalato de cálcio são:

               menor volume de urina;

               maior excreção de cálcio na urina;

               maior excreção de oxalato;

               menor volume de citrato na urina.

O fosfato de cálcio é encontrado em, aproximadamente, 15% das pedras nos rins e pode estar presente em combinação com oxalato de cálcio ou estruvita. Em função das diferenças na solubilidade devido ao pH da urina, o fosfato de cálcio não é encontrado misturado com ácido úrico. As duas formas de fosfato de cálcio incluem a apatita, que é o tipo de cristal encontrado no osso, ou o hidrogenofosfato de cálcio.

Os fatores de risco urinário para a formação de cristais de fosfato de cálcio são:

               menor volume de urina;

               maior excreção de cálcio na urina;

               menor excreção de citrato na urina;

               maior pH urinário;

               provável maior excreção de fosfato na urina.

O ácido úrico é a forma cristalina mais comum que contém urato. Cristais raros que contêm urato incluem urato de sódio (que está presente no fluido articular de pacientes com artrite gotosa) e urato de amônio. O ácido úrico está em, aproximadamente, 8% das pedras analisadas, por vezes em combinação com oxalato de cálcio.

Os fatores de risco urinários para a formação de cristais de ácido úrico são:

               menor volume de urina;

               maior excreção de ácido úrico na urina;

               menor pH urinário (sendo este o mais determinante).

A estruvita é o nome de cristal para pedras que se formam apenas na presença de bactérias produtoras de urease (por exemplo, proteus mirabilis) no trato urinário superior. A estruvita é encontrada em cerca de 1% das pedras analisadas e é muito mais comum em mulheres do que em homens (devido ao maior risco de infecções urinárias em mulheres). Além da presença de urease, não existem outros fatores de risco urinários para a formação de cristal de estruvita.

 

Bibliografia

1.             Basiri A, Taheri M, Taheri F. What is the state of the stone analysis techniques in urolithiasis? Urol J 2012; 9:445.

2.             Krambeck AE, Khan NF, Jackson ME, et al. Inaccurate reporting of mineral composition by commercial stone analysis laboratories: implications for infection and metabolic stones. J Urol 2010; 184:1543.

Mostafavi MR, Ernst RD, Saltzman B. Accurate determination of chemical composition of urinary calculi by spiral computerized tomography. J Urol 1998; 159:673.

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