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hipocalemia

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 19/05/2017

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Quadro Clínico

 

Paciente do sexo masculino, com 47 anos de idade, procurou o pronto-socorro com quadro de fraqueza generalizada referida. Apresentava força muscular em grau IV, globalmente. Realizou eletrocardiograma (ECG), conforme mostra a Figura 1.

 

 

ECG: eletrocardiograma.

Figura 1 - ECG.

 

Discussão

 

Trata-se de um quadro de hipocalemia, e a pista principal está no achado de onda U presente nas derivações precordiais do ECG. A gravidade das manifestações de hipocalemia tende a ser proporcional ao grau de queda do potássio sérico, ou mesmo à velocidade dessa queda, independentemente do nível sérico. Os sintomas, em geral, não se manifestam até que o potássio sérico esteja abaixo de 3,0mEq/L, mas isso pode ser mais precoce em quedas abruptas.

A fraqueza muscular é a manifestação mais frequente, mas não é comum em concentrações séricas de potássio acima de 2,5mEq/L se a hipocalemia se desenvolve de forma lenta. Tradicionalmente, essa fraqueza tem característica progressiva, iniciando pelos membros inferiores e tendo um padrão ascendente, até chegar ao ponto de gerar paralisia geral.

Além de causar fraqueza muscular, a depleção grave de potássio (potássio sérico inferior a 2,5mEq/L) pode levar a cãibras musculares, rabdomiólise e mioglobinúria. A manifestação mais crítica, nesse tipo de situação, é a fraqueza muscular respiratória, que pode ser grave o suficiente para resultar em insuficiência respiratória e morte.

Ainda há envolvimento da musculatura lisa, e as manifestações ocorrem no trato gastrintestinal. O envolvimento dos músculos gastrintestinais resulta em íleo paralítico, podendo ocorrer distensão abdominal, náuseas e vômitos, às vezes simulando um quadro de abdome agudo obstrutivo. Sendo assim, é fundamental realizar esse diferencial diagnóstico.

Por fim, há as manifestações no músculo cardíaco, as quais podem ser facilmente identificadas pelas alterações eletrocardiográficas geradas. A hipocalemia produz alterações características no ECG, embora elas não sejam observadas em todos os pacientes. Podem ocorrer depressão do segmento ST, diminuição da amplitude da onda T e aumento da amplitude das ondas U que ocorrem no final da onda T, além de prolongamento do intervalo QT.

 

Bibliografia

 

1. Gennari FJ. Hypokalemia. N Engl J Med 1998; 339:451.

2. Mujais SK, Katz AL. Potassium deficiency. In: The Kidney: Physiology and Pathophysiology, Seldin DW, Giebisch G (Eds), Lippincott Williams & Wilkins, 2000. p.1615

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