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Colecistite Aguda

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 08/08/2017

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Quadro Clínico

 

Paciente do sexo masculino, 57 anos de idade, sem doenças prévias, procurou o departamento de emergência com intensa dor em andar superior do abdome, associada a náuseas e vômitos, com início a algumas horas. Na chegada, encontrava-se com Escala de Coma de Glasgow 15; eupneico; afebril; anictérico, porém com fáscies de dor; dor escore 8 em 10; pressão arterial (PA), 156x88mmHg; frequência cardíaca (FC), 110BPM; frequência respiratória (FR), 18RPM; temperatura, 36,9ºC; ausculta pulmonar e cardíaca normais; abdome plano, com RHA+, flácido, doloroso à palpação em todo andar superior, sem visceromegalias, sem massas palpáveis, com sinal de Murphy positivo. Foi realizado uma ultrassonografia (USG) à beira-leito, conforme a Figura 1.

 

USG: ultrassonografia.

Figura 1 - Detalhe da USG de abdome.

 

Discussão

 

O paciente apresenta uma colecistite aguda, caracterizada pelo quadro clínico associado aos achados de vesícula biliar distendida, com paredes espessadas e com presença de grande quantidade de cálculos impactados.

O termo colecistite refere-se à inflamação da vesícula biliar. A colecistite aguda está relacionada a uma síndrome que, em geral, é caracterizada por dor no quadrante superior direito do abdome, febre e leucocitose, associados à inflamação da vesícula biliar, que costuma estar relacionada com a doença de cálculos biliares. Ainda existe a colecistite acalculosa, que é clinicamente idêntica à colecistite aguda, mas não está associada a cálculos biliares e ocorre em pacientes criticamente doentes.

Há também a colecistite crônica, isto é, a infiltração crônica de células inflamatórias da vesícula biliar observada na histopatologia. É quase invariavelmente associada com a presença de cálculos biliares, resultado de irritação mecânica ou crises recorrentes de colecistite aguda, levando à fibrose e ao espessamento da vesícula biliar, sendo que sua presença não se correlaciona com sintomas.

As manifestações clínicas da colecistite aguda incluem dor prolongada (em geral, mais de 4 a 6 horas), contínua e intensa no quadrante superior direito ou na região epigástrica, podendo irradiar para o ombro direito ou para as costas, febre, náuseas, vômitos, anorexia, dor à palpação abdominal, sinal de Murphy positivo e leucocitose.

A elevação das concentrações séricas de bilirrubina total e a fosfatase alcalina não são comuns na colecistite aguda não complicada. A sensibilidade e a especificidade do sinal de Murphy positivo são de 97 e 48%, respectivamente, quando em comparação com exame padrão-ouro. Contudo, a sensibilidade pode ser diminuída nos idosos.

Há, muitas vezes, uma história de ingestão de alimentos gordurosos uma hora ou mais antes do início inicial da dor. As complicações incluem sepse associada a gangrena, peritonite generalizada (por conta de perfuração), crepitação abdominal (colecistite enfisematosa) ou obstrução intestinal (íleo biliar).

 

Bibliografia

 

Trowbridge RL, Rutkowski NK, Shojania KG. Does this patient have acute cholecystitis JAMA 2003; 289:80.

Kalloo AN, Kantsevoy SV. Gallstones and biliary disease. Prim Care 2001; 28:591.

Kiewiet JJ, Leeuwenburgh MM, Bipat S, et al. A systematic review and meta-analysis of diagnostic performance of imaging in acute cholecystitis. Radiology 2012; 264:708.

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