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Editorial MedicinaNET - Dezembro - 2018

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 13/12/2018

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Custos em Saúde e Cadeia de Suprimentos

 

 

A grande parte dos custos nas instituições prestadoras de serviços à saúde e, consequentemente, no sistema de saúde, se deve aos materiais e insumos, variando entre 23 a 29% do total de custos, mas podendo chegar a 45% do orçamento institucional, conforme apontado por alguns autores que estudam o tema. Para gerenciar e intervir na cadeia desses suprimentos, é proposto que, ao menos, quatro subsistemas façam parte da gestão desse processo. Esses subsistemas são complementares entre si e interdependentes.

Primeiramente, tem-se a normalização; em outras palavras, a padronização. O papel do subsistema no processo é definir o que será comprado e armazenado pela instituição, o que é feito com a própria padronização de quais materiais e insumos serão utilizados dentro da instituição, sua especificação, além da classificação e da codificação dos itens. Isso visa a garantir o que irá adentrar a instituição de forma adequada aos fins dos serviços prestados, evitando duplicidades ou mesmo dissociação entre as necessidades reais e a presença ou ausência de itens.

O subsistema exige revisão periódica dos itens padronizados, realizando novas inclusões frente a demandas, ou até exclusões por desuso, tudo dentro de uma racionalidade que leve em conta eficácia, custo x benefício, segurança, disponibilidade no mercado e impacto assistencial. Diante da normalização, já é possível gerenciar custos e promover racionalização dos itens padronizados, trazendo impactos administrativos positivos.

Em segundo lugar, há o subsistema de controle. Nessa etapa, estão as definições de quando e quanto comprar de determinado material padronizado, levando em conta preços/valores e a própria gestão do estoque em si. Uma vez que se entende estoque como “dinheiro já gasto e parado”, esse subsistema tem função primordial de tentar sempre o menor estoque possível com o mínimo de investimento em compras ? tudo isso, manejando as precificações do mercado, os próprios custos de armazenagem, as perdas por prazo de validade vencido e questões de segurança assistencial.

As questões de segurança assistencial são críticas para a instituição, pois é necessário suprir potenciais erros e falta de exatidão nas previsões de consumo, considerando os aspectos epidemiológicos e a sazonalidade de doenças, sendo o estoque de segurança determinado pela incerteza de demanda frente às possíveis necessidades da instituição.

Além disso, é necessário se fazer a medição dos valores de estoque, sendo que, no Brasil, são utilizados, para analisar os estoques, os métodos de Custo Médio Ponderado ou PESP (primeiro a entrar no estoque é o primeiro a sair do estoque). E o instrumento base da gestão nessa fase é a utilização da curva ABC, que classifica os itens em ordem de importância de forma decrescente com base no consumo/movimentação do estoque, permitindo melhor provisionamento de cada item.

O terceiro subsistema é o da aquisição. Basicamente, trata-se do processo de compras nesse item. A importância desse subsistema é tanto garantir o atendimento das demandas mapeadas no subsistema de controle, quanto promover validação de fornecedores (por meio de alvará, certificados de boas práticas, etc.), buscando garantir a disponibilidade dos materiais, mas com os melhores preços e condições de pagamento.

A aquisição, normalmente, funciona com um conjunto de regras, que são as licitações no sistema público (feitas dentro de dispositivos regidos por legislação) ou simplesmente por controles internos, como no caso de instituições privadas. Muitas coisas influenciam esse subsistema, como as flutuações do mercado, inflação e reajuste de preços, valor do dólar em itens importados, fornecedores que deixam de produzir o insumo, as próprias informações internas da instituição como a curva ABC e as movimentações do estoque, solicitações fora de padrão, etc.

Para finalizar, tem-se o subsistema de armazenamento. Nessa fase, são feitos o recebimento, o armazenamento e a distribuição dos suprimentos, bem como os controles de estoque físico nos pontos satélites ao estoque central, como farmácias locais, almoxarifados, depósitos de gêneros alimentícios, entre outros. O armazenamento segue uma lógica que leva em conta similaridade de insumos, sua rotatividade, tamanho, peso, necessidades de armazenagem como controle de temperatura e umidade no ambiente. Além disso, é papel desse subsistema garantir que não haja desvios e perdas físicas de materiais (incluindo furtos).

A armazenagem ainda desempenha uma questão crítica no que diz respeito à distribuição às áreas que farão uso dos suprimentos, pois não é incomum a criação de estoques paralelos e sem controle em ambientes diferentes, o que é gerado por não credibilidade do processo de distribuição. Outro papel desses subsistemas é a realização de inventários, os quais têm função de auditar os estoques, confrontando relatórios com a presença física dos insumos, minimizando riscos de falta de insumos nos locais de uso e fornecendo informação crítica para os subsistemas de controle e aquisição.

Além desses subsistemas, podem ser elencadas diversas outras questões que promovem um bom controle da cadeia de suprimentos. Aqui, pode-se falar de informatização, uso de códigos de barra e QR codes atrelados a leitores óticos, automação da estocagem e distribuição e uso de Business Intelligence para melhorar controles e planejamento. Destaca-se também um processo de padronização mais robusto, que usa os princípios da Análise Técnica em Saúde, como os propostos pelo Conitec.

Observa-se também o impacto de usar a medicina baseada em evidências nas decisões por uso de materiais ou insumos, o que pode influenciar positivamente as aquisições e mesmo o uso de protocolos clínicos, que podem direcionar e racionalizar o consumo. A qualificação dos profissionais visando à diminuição de desperdícios na execução de procedimentos é recomendada. Ou seja, há muitos pontos intrínsecos e extrínsecos à gestão de suprimentos e que podem influenciar positivamente a sua gestão.

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