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Profilaxia de Trombose Venosa Profunda e Embolia Pulmonar – Abordagem Custo-efetiva

Autor:

Euclides F. de A. Cavalcanti

Médico Colaborador da Disciplina de Clínica Médica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Última revisão: 12/04/2009

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INTRODUÇÃO

A embolia pulmonar é uma das principais causas de óbito hospitalar, representando aproximadamente 10% dos óbitos dos pacientes internados. Além disso, associadamente às consequências da trombose venosa profunda, é motivo de grande morbidade, em decorrência de síndrome pós-trombótica e hipertensão pulmonar secundária.

Sem profilaxia adequada, 40 a 60% dos pacientes clínicos e cirúrgicos de alto risco desenvolvem trombose venosa profunda (TVP) e uma parcela destes pacientes desenvolverá tromboses mais proximais, com maior risco de embolia pulmonar. Logo, é necessário que todo paciente internado tenha o seu risco de tromboembolismo venoso avaliado, e que, nos pacientes de maior risco, seja instituída profilaxia precoce.

As recomendações a seguir baseiam-se nas recomendações do American College of Chest Physicians, publicadas em 2008. Como é um tratamento que deve ser instituído para grande parte dos pacientes internados, é necessário instituir preferencialmente as medicações de menor custo, como a heparina não-fracionada (heparina comum), para não onerar ainda mais o sistema de saúde. As heparinas de baixo peso molecular (dalteparina, enoxaparinanadroparina) são mais caras e, portanto, são indicadas preferencialmente nas artroplastias de quadril, artroplastias de joelho e nos pacientes com trauma, que são as únicas situações em que se demonstrou benefício em relação às heparinas não-fracionadas na profilaxia de tromboembolismo venoso.

O consenso também cita como alternativas de profilaxia em alguns casos o Fondaparinux ou a varfarina, que não serão comentadas nesta revisão pela pouca disponibilidade do primeiro e pela necessidade de monitoramento relacionada à segunda medicação.

 

PACIENTES CLÍNICOS

Apesar de o tromboembolismo venoso ser considerado principalmente em pacientes com cirurgia e trauma recente, 50 a 70% das embolias pulmonares ocorrem em pacientes clínicos, e este risco pode ser reduzido em 70% com profilaxia adequada.

 

Recomendações

  Indicar profilaxia nos pacientes clínicos admitidos no hospital com insuficiência cardíaca ou doença respiratória severa.

  Indicar profilaxia nos pacientes acamados e com um ou mais fatores de risco adicionais, incluindo câncer, tromboembolismo prévio, sepse, doença neurológica aguda e doença inflamatória intestinal.

  Em pacientes admitidos em unidades de terapia intensiva, é indicada a tromboprofilaxia para a grande maioria dos pacientes.

  Podem ser usados na profilaxia heparinas de baixo peso molecular ou heparina não-fracionada. Esta é preferível pelo menor custo, sendo utilizada na dose de 5.000 unidades a cada 12 horas ou a cada 8 horas.

  Nos pacientes clínicos com contraindicação à profilaxia medicamentosa, é recomendado tromboprofilaxia mecânica com meias de compressão gradual (mais baratas) ou compressão pneumática intermitente.

 

PACIENTES CIRÚRGICOS

O tipo e a extensão da cirurgia são os principais determinantes do risco de tromboembolismo venoso, devendo ser avaliados também outros fatores de risco independentes, como câncer, tromboembolismo prévio, imobilidade prolongada, idade avançada e obesidade. É importante ressaltar que, para os pacientes nos quais for indicada a profilaxia, esta geralmente deve ser mantida até a alta hospitalar.

 

Cirurgias de Baixo Risco de Tromboembolismo

Pacientes submetidos a cirurgias de pequeno porte ou laparoscopias em pacientes sem fatores de risco adicional – estimular deambulação precoce.

 

Cirurgias com Risco Moderado de Tromboembolismo

Em procedimentos maiores (p.ex., cirurgias torácicas, urológicas, abdominais, ginecológicas) para doenças benignas, indicar profilaxia com heparinas de baixo peso molecular ou heparina não-fracionada. Esta é preferível pelo menor custo, sendo utilizada na dose de 5.000 unidades a cada 12 horas ou a cada 8 horas.

 

Cirurgias com Alto Risco de Tromboembolismo

Em procedimentos maiores em doenças malignas ou cirurgias bariátricas, indicar profilaxia com heparinas de baixo peso molecular ou heparina não-fracionada. Esta é preferível pelo menor custo, sendo utilizada na dose de 5.000 unidades a cada 8 horas.

 

Cirurgias com Risco Particularmente Alto de Tromboembolismo

Nas cirurgias em pacientes com múltiplos fatores de risco para tromboembolismo venoso, é recomendado que a profilaxia medicamentosa seja associada a métodos mecânicos.

 

Cirurgias em Pacientes com Alto Risco de Sangramento

Nos pacientes cirúrgicos com alto risco de sangramento, é recomendada a utilização de tromboprofilaxia mecânica com meias de compressão gradual (mais baratas) ou compressão pneumática intermitente. Quando o risco de sangramento diminuir, é recomendado que a profilaxia medicamentosa seja associada ou que substitua a profilaxia mecânica.

 

Cirurgias Ortopédicas

Artroplastia de Quadril ou Joelho

Utilizar heparina de baixo peso molecular na dose indicada para pacientes de alto risco, iniciando 12 horas antes do procedimento ou 12 a 24 horas após. Alternativamente, iniciar na metade da dose de alto risco 4 a 6 horas após o procedimento.

Para pacientes com alto risco de sangramento, é recomendada a profilaxia mecânica com meias de compressão elástica ou compressão pneumática intermitente, e, quando o risco diminuir, é recomendado que a profilaxia medicamentosa substitua ou seja adicionada à profilaxia mecânica.

 

Cirurgia para Fratura de Quadril

É recomendada profilaxia de rotina com heparina de baixo peso molecular ou heparina não-fracionada (preferencial pelo baixo custo), na dose de 5.000 unidades a cada 8 horas.

Nos pacientes com fratura de quadril nos quais a cirurgia será adiada, é recomendada a profilaxia assim que possível, antes da cirurgia programada.

 

Duração da Profilaxia

Pacientes submetidos à artroplastia de joelho devem receber profilaxia por no mínimo 10 dias, e pacientes submetidos à artroplastia de quadril ou com fratura de quadril devem receber profilaxia por mais de 10 dias, podendo se estender até 35 dias conforme o caso.

 

Neurocirurgia

É recomendada profilaxia de rotina com compressão pneumática intermitente. Alternativas aceitáveis à compressão pneumática são heparina de baixo peso molecular ou heparina não-fracionada. Em pacientes com risco particularmente alto, é recomendável a associação de métodos mecânicos e farmacológicos.

 

Trauma

É recomendada a tromboprofilaxia de rotina para todos os pacientes com trauma maior. Na ausência de contraindicações, é recomendado iniciar heparina de baixo peso molecular assim que a administração da medicação for segura. Em pacientes em que for contraindicado, é recomendado iniciar profilaxia com meias de compressão elástica ou compressão pneumática intermitente.

 

Lesões Medulares

É recomendado profilaxia de rotina. Para os pacientes em que não há mais risco de sangramento, iniciar com heparina de baixo peso molecular ou heparina não-fracionada, possivelmente associadamente a métodos mecânicos.

Nos pacientes nos quais houver contraindicação devido a risco de sangramento, é recomendada a profilaxia mecânica com compressão pneumática intermitente ou meias de compressão gradual.

 

Queimaduras

Pacientes com queimaduras e fatores de risco adicionais para tromboembolismo venoso (idade avançada, obesidade, queimaduras extensas ou em membros inferiores, pacientes com trauma em membros inferiores associados, utilização de cateter femoral, imobilidade prolongada) devem receber profilaxia com heparina de baixo peso molecular ou heparina não-fracionada. Em pacientes com alto risco de sangramento, é indicada a utilização de métodos mecânicos.

 

BIBLIOGRAFIA

1.    Geerts WH, Bergqvist D, et al. Prevention of venous thromboembolism. Chest. 2008;133;381S-453S.

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