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Serviços ambientais

Última revisão: 14/05/2013

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Versão original publicada na obra Slavish, Susan M. Manual de prevenção e controle de infecções para hospitais. Porto Alegre: Artmed, 2012.

 

 

 

        O ambiente pode ser um reservatório para a transmissão de micro-organismos que podem provocar infecções em pacientes, PASs e outras pessoas.

 

 

 

        Desenvolver protocolos de limpeza que descrevam os agentes e métodos a serem usados, bem como a frequência e as superfícies que precisam ser limpas.

        Limpar os equipamentos médicos nas áreas de assistência aos pacientes.

        Usar métodos especiais para limpar substâncias e áreas especiais.

        Limpar as fontes de água no hospital.

        Isolar pacientes potencialmente infectados.

        Evitar a contaminação da cultura de sangue.

        Limpar os equipamentos médicos após o uso entre cada paciente.

 

 As superfícies do local – prateleiras, chão, paredes, pias, cortinas e superfícies de muito contato (como grades da cama e telefones) – podem servir como reservatório para alguns micro-organismos que provocam infecções em pacientes e nos profissionais de assistência à saúde (PASs). De acordo com os Centers for Disease Control and Prevention (CDCs), limpar e desinfetar as superfícies ambientais nas instituições de assistência à saúde é fundamental para reduzir a potencial contribuição dessas superfícies na incidência de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRASs),1 incluindo hospitais.

Para garantir a limpeza adequada e eficaz, líderes do hospital, prevencionistas de infecção e equipe de serviços ambientais devem colaborar para desenvolver e garantir o uso de protocolos de limpeza e desinfecção para as diferentes áreas e superfícies ambientais do hospital. Esses protocolos devem delinear métodos para reduzir de forma eficaz a biocarga nas superfícies e diminuir a probabilidade de servirem como fonte de agentes patogênicos. Eles também devem garantir um ambiente seguro e funcional para pacientes, familiares, visitantes, PASs e demais pessoas.2

A responsabilidade pela limpeza em um hospital costuma ser dos serviços ambientais ou da equipe de higiene e limpeza. As seções a seguir descrevem questões que a equipe do serviço ambiental e os prevencionistas de infecção precisam ter em mente ao planejar, implantar e monitorar os protocolos e programas de limpeza.

 

Educação da equipe de higiene e limpeza

Uma forma importante de reduzir o risco de transmissão de infecção e garantir uma limpeza eficiente é educar e treinar o pessoal responsável pela manutenção diária do ambiente. Os hospitais devem oferecer educação e treinamento para toda a equipe de serviços ambientais de higiene e limpeza (ou, se for adequado, funcionários da engenharia ou outros departamentos) sobre as seguintes questões:3

 

      Métodos adequados para limpar totalmente os quartos dos pacientes e outras áreas de assistência. Esse treinamento deve incluir o que limpar, com que frequência limpar e que método de limpeza usar. Deve-se dar atenção específica ao uso de desinfetantes e produtos de limpeza adequados.

      As exigências de limpeza especial para alguns casos ou locais dentro do hospital, como derramamento de sangue e fluidos corporais, áreas contaminadas por Clostridium difficile, salas de cirurgia, unidades de terapia neonatal, etc.

      Métodos adequados para cuidar do lixo hospitalar, incluindo contenção (acondicionamento), transporte, armazenamento e descarte.

      Precauções para desentupir toaletes, limpar ralos de pias e consertar bombas para fossa.

 

Como ocorre com outros tipos de educação sobre prevenção e controle de infecções, demonstrar à equipe de higiene e limpeza os procedimentos de limpeza eficientes ou trabalhar com um mentor pode ajudar no aprendizado.

Além de melhorar a educação, os hospitais devem monitorar a equipe do serviço ambiental para garantir que estejam sendo usadas as práticas adequadas; assim como os tipos e as concentrações de produtos de limpeza e desinfetantes apropriados. Usar observadores treinados para monitorar a equipe de higiene e limpeza e documentar qualquer problema pode identificar áreas que precisem de melhoria e mais educação.

 

Envolvimento de múltiplas disciplinas no desenvolvimento de protocolos de limpeza

Desenvolver os protocolos de limpeza ambiental pode envolver a criação de uma equipe multidisciplinar que examine a questão da limpeza do ambiente; avalie os riscos para áreas em particular, pacientes e cenários; e desenvolva protocolos simples, eficientes e adequados para limpeza e desinfecção das diferentes áreas do hospital. Os membros dessa equipe multidisciplinar podem incluir prevencionistas de infecção, líderes do hospital, equipe de higiene e limpeza, equipe médica e profissionais do ambiente de assistência. Para desenvolver os protocolos, a equipe deve consultar as Guidelines for Environmental Infection Control in Health-Care Facilities (www.cdc.gov/ncidod/hip/enviro/guide.htm) e a Guideline for Disinfection and Sterilization in Healthcare Facilities, 2008 (www.cdc.gov/hicpac/Disinfection__Sterilization/acknowledg.html), do CDC.

 

Determinação de o que e como limpar

O objetivo fundamental dos protocolos de limpeza e desinfecção é identificar as áreas do ambiente de assistência que precisam ser limpas e desinfetadas e como esse processo deve ser feito (o tipo de agente de limpeza, método, duração, etc.). Os hospitais costumam achar útil criar uma checklist de higienização das superfícies que a equipe de limpeza possa seguir para garantir que todas as áreas foram limpas e os protocolos de limpeza adequados foram seguidos (ver Fig. 6.1 para um exemplo de checklist de serviços ambientais).

 

Figura 6.1. Amostra de checklist de serviços ambientais.

 

 

 

Para determinar as atividades de limpeza e desinfecção que devem ser usadas em uma área, os hospitais devem considerar as duas categorias de superfícies ambientais:

 

1.    Itens que precisam ser limpos com frequência porque são muito manuseados e têm alto risco de contaminação cruzada. Esses itens podem incluir superfícies horizontais e aquelas de “muito contato”, como maçanetas das portas dos quartos e banheiros dos pacientes, grade das camas, bandejas, mesas (incluindo gavetas), cadeiras, interruptores de luz próximos da entrada do quarto ou do banheiro, telefones, controles remotos da televisão e do leito, campainhas, assentos sanitários, suportes de duchas higiênicas, pias, corrimão de toalete, urinol, medidores de pressão, botões ou alavancas de equipamentos médicos (como máquinas de raios X e monitores cardíacos) e teclados de computador.4,5

2.    Itens que podem ser limpos com menor frequência porque são pouco manuseados e não são fontes de infecção. Podem incluir chão, paredes, parapeito de janela, cortinas, lâmpadas e grades de ventilação.3,4 Embora seja pouco provável que o chão facilite a disseminação da infecção, ele deve ser limpo imediatamente se houver sujeira visível.5

 

Na maioria dos casos, a limpeza de rotina é suficiente para evitar a transmissão de infecções.3 Ela envolve a retirada de pó (ver Destaque 6.1) e o uso de sabão e água ou detergente/desinfetante para manter um nível mínimo de limpeza.3 Ao realizá-la, a equipe da higiene e limpeza deve seguir as instruções do fabricante, incluindo o tempo que o produto deve ser deixado em contato com a superfície. As instruções dos fabricantes também devem ser seguidas ao preparar o desinfetante – se aplicável – para garantir a efetividade do produto.3 Durante a limpeza, a equipe da higiene e limpeza deve usar fricção para remover fisicamente a sujeira visível, o material orgânico e os detritos.5 O grau de fricção envolvido na limpeza é provavelmente o elemento mais importante para determinar se a limpeza e a desinfecção foram eficientes.3

 

Destaque 6.1

Evitar a disseminação do pó

 

O controle e a redução da poeira no ambiente de assistência à saúde é uma tarefa importante para a equipe de serviços ambientais. O pó pode ser o veículo para transportar pele, cabelo humanos, fibras, pólen, esporos e vários micro-organismos, incluindo bactérias, mofo e fungos. O pó circulante nas correntes de ar pode se acumular nas feridas abertas, diretamente ou por meio de equipamento contaminado em contato com a ferida. Ele pode ser um problema também para pacientes com alergias ou sistemas respiratório ou imune comprometidos.

A limpeza regular e completa pode cuidar do controle do pó. Durante essa limpeza, a equipe da higiene e limpeza deve usar um pano ou esfregão quimicamente tratado para poeira a fim de evitar a dispersão. Para áreas acima da altura do ombro, pode-se usar um esfregão especialmente projetado para alcançar superfícies altas. Os panos e esfregões para pó não devem ser agitados, pois os esporos de fungos podem se soltar no ar.5

Embora a eliminação do pó seja importante em todos os departamentos, ela é absolutamente vital nas áreas onde ocorrem procedimentos estéreis, como a sala de cirurgia.

 

Ao limpar o ambiente, a equipe da higiene e limpeza deve começar das áreas menos sujas para as mais sujas, das superfícies mais altas para as mais baixas e da área mais distante da porta do quarto para a mais próxima. Durante os procedimentos de limpeza, a equipe deve tomar cuidado para não contaminar o equipamento e os materiais de limpeza que estão sendo usados. Se, por exemplo, um balde de desinfetante for usado, o número de panos de limpeza nele colocados deve ser igual ao número de quartos a serem limpos (ou seja, se três quartos serão limpos, devem ser usados três panos). Uma vez removido do balde, o pano não deve ser colocado de volta. Após finalizar a limpeza, as soluções de desinfetante no balde devem ser trocadas e substituídas por novas, o mesmo devendo acontecer com as cabeças dos esfregões e panos. No final do dia de trabalho do funcionário, o balde e a bacia devem ser esvaziados, lavados e secados para que sejam armazenados. A limpeza adequada dos equipamentos após o uso evitará o desenvolvimento de micro-organismos e a contaminação cruzada.

Para evitar a contaminação causada por uso repetido de um pano, a equipe de serviços ambientais pode usar tecidos de limpeza descartáveis. Esses artigos são projetados para uso único, sendo descartados quando estiverem sujos, o que elimina problemas associados à reutilização e ao armazenamento de panos sujos em soluções de limpeza contaminadas. Além disso, desinfetantes como a água sanitária mantêm a concentração eficaz por mais tempo quando usados com tecidos de limpeza descartáveis compatíveis. Alguns tecidos de limpeza descartáveis estão disponíveis em sistema de cesto fechado, que ajuda a eliminar a contaminação cruzada e reduz a exposição a vapores químicos e respingos. Esses sistemas permitem que os usuários combinem todas as etapas de limpeza em uma e adicionem os produtos de limpeza ou desinfetantes adequados à tarefa para saturar os tecidos, permitindo o controle do produto químico e dos gastos a ele relacionados.1

 

Definição da programação de limpeza

Os protocolos de limpeza de um hospital devem definir a programação da limpeza para garantir que todas as áreas do hospital sejam limpas adequadamente e dentro do cronograma. Essas programações devem satisfazer as necessidades de diferentes áreas do hospital. Por exemplo, quartos com pacientes internados devem ser limpos pelo menos uma vez ao dia e quando um paciente recebe alta. A sala de cirurgia ou outras salas de procedimentos invasivos devem ser completamente limpas antes do primeiro paciente do dia e após cada paciente.5

 

Utilização de produtos de limpeza adequados

Existem várias opções de produtos de limpeza para uso no hospital. Em geral, os principais critérios para selecionar um agente de limpeza autorizado são custo, segurança, compatibilidade produto-superfície e aceitação pelos funcionários.1 Os desinfetantes usados para limpeza do ambiente devem ser escolhidos com cuidado, considerando as necessidades dos serviços ambientais, do prevencionista de infecção, de segurança e da equipe de compras. As pessoas envolvidas nesse esforço devem conhecer os termos associados à limpeza do ambiente; os produtos usados para manter o ambiente de assistência à saúde; e as diferenças entre os tipos e usos de limpadores, desinfetantes e desinfetante-detergentes. Também é importante que o fabricante forneça as especificações para uso do produto, as quais devem incluir diluição e tempo de contato, as quais devem ser revisadas durante o processo de seleção do produto.

Ao revisar diferentes opções de produtos, os hospitais podem descobrir que os agentes de limpeza de alto impacto – como água sanitária – são perigosos e tóxicos demais para uso geral e devem ser substituídos por um agente menos tóxico. Da mesma forma, a equipe de seleção pode determinar como ideais aqueles desinfetantes prontos para uso ou dispensados em quantidades pré-medidas, pois não é necessário diluí-los ou misturá-los. Os hospitais devem consultar os fornecedores de produtos químicos e solicitar as fichas e os rótulos de segurança dos produtos, que incluem critérios de avaliação, como proporção de diluição, tempo mínimo de exposição para matar os micro-organismos, estabilidade da diluição e potencial para estragar ou danificar as superfícies.1 Antes de decidir qual produto de limpeza usar, a equipe deve se certificar de que ele esteja registrado no U.S. Environmental Protection Agency (EPA) e tenha o número de registro no rótulo.1[*]

 

Garantia de que os profissionais de assistência à saúde compreendem e usam os equipamentos de proteção individual durante a limpeza

Ao se envolver nas atividades de limpeza, a equipe da higiene e limpeza deve usar rotineiramente os equipamentos de proteção individual (EPIs), como máscaras e luvas. Esses equipamentos protegem os PASs de vários riscos, incluindo contaminação por patógenos infecciosos deixados nas superfícies e nos equipamentos e problemas causados por produtos químicos agressivos usados na limpeza. Esses EPIs também ajudam a evitar a transmissão de infecções para outras áreas do hospital. Os hospitais devem exigir o uso de precauções-padrão durante as atividades de limpeza e determinar precaução com base nas instruções dos fabricantes dos produtos de limpeza usados e nas necessidades de alguns pacientes em particular (p. ex., aqueles em isolamento).

 

Limpeza dos equipamentos médicos nas áreas de assistência aos pacientes

Limpar o ambiente e os equipamentos é fundamental para garantir que as infecções não sejam transmitidas pelo ambiente; entretanto, essas duas limpezas envolvem exigências muito diferentes. Em alguns hospitais, a equipe de higiene e limpeza limpa os equipamentos médico-hospitalares – como monitores de computador, polos intravenosos, medidores de pressão, entre outros – quando limpam as áreas de assistência ao paciente. Outras instituições designam essa tarefa para a enfermagem.

Para garantir a limpeza adequada, é importante que a equipe da higiene e limpeza ou os enfermeiros compreendam como limpar o equipamento e como seguir as instruções de limpeza dos fabricantes. A equipe deve compreender que usar as soluções de limpeza erradas pode danificar as máquinas ou levar ao mau funcionamento, podendo causar algum dano ao PAS e/ou paciente ou a infecção secundária de um paciente. A U.S. Food and Drug Administration (FDA) emitiu uma notificação de saúde pública sobre o uso de produtos de limpeza e desinfetantes nos equipamentos médicos eletrônicos.6 Essa notificação concentrou-se na “corrosão de circuito elétrico por soluções desinfetantes ou de limpeza que penetram na estrutura do equipamento”. As recomendações da FDA sobre as políticas de gerenciamento de equipamentos enfatizam a importância de seguir as instruções de limpeza e manutenção do fabricante.

Além disso, a equipe de higiene e limpeza também deve ser orientada a seguir os protocolos de limpeza para garantir que o equipamento esteja livre de patógenos que podem provocar infecções em pacientes e PASs. Para garantir que os protocolos de limpeza adequados sejam seguidos, a equipe da higiene e limpeza deve ser supervisionada, observada e periodicamente testada, e a qualidade desses serviços deve ser monitorada com regularidade.

 

Procedimentos de limpeza para situações especiais

A limpeza de rotina é suficiente para manter a higiene e evitar a transmissão de infecções na maioria dos casos. Entretanto, existem situações especiais nas quais é necessária uma limpeza mais profunda. As seções a seguir examinam algumas delas.

 

Sangue e fluidos corporais

Como ocorre com todos os processos de descontaminação, a limpeza de rotina é a primeira etapa para remoção de sangue e fluidos corporais das superfícies. Uma vez que materiais orgânicos, como sangue ou fluidos corporais, inativam muitos desinfetantes, devem ser removidos da superfície antes da aplicação do produto.5 Se o derramamento for pequeno, o pessoal da higiene e limpeza pode limpar e descontaminar a área com um desinfetante em apenas uma etapa.3

As diretrizes do CDC recomendam a remoção de matéria orgânica visível com material absorvente, seguida de limpeza e desinfecção da área/superfície.3 Se o derramamento for grande e tiver maior concentração de bactérias, devem ser realizadas várias etapas, incluindo o uso de material absorvente sobre o material, seguido de aplicação de desinfetante sobre o derramamento e o material absorvente até ambos estarem ensopados. Para esse tipo de derramamentos, os pós absorventes que solidificam líquidos podem ser muito úteis.3

A Occupational Exposure to Bloodbome Pathogens: Final Rule, da Occupational Safety and Health Administrations (OSHA), afirma que “todos os equipamentos e superfícies ambientais e de trabalho devem ser limpos e descontaminados após contato com sangue ou outros materiais potencialmente infecciosos”.7

A OSHA exige que os hospitais usem um dos seguintes tipos de descontaminante ao limpar um derramamento de sangue ou de fluido corporal:7

 

      Um desinfetante hospitalar registrado na EPA que seja eficaz contra o vírus da hepatite B (HBV) e o vírus da imunodeficiência humana (HIV)

      Um germicida químico que seja tuberculocida

      Uma diluição adequada de água sanitária doméstica. As diluições variam dependendo da quantidade de sangue e do tipo de superfície – por exemplo, se a superfície é porosa ou não

 

Dica

Como o cloro (água sanitária) pode evaporar de um recipiente aberto, a solução deve ser misturada diariamente ou armazenada em um frasco ou recipiente âmbar opaco fechado. A água sanitária armazenada dessa forma reterá 50% de seu valor inicial e será estável por 30 dias.1

 

Se sangue ou produtos do sangue caírem em carpetes ou estofamento, o procedimento de limpeza é mais desafiador, porque essas superfícies podem reter patógenos e ser coradas ou danificadas pela água sanitária. Para limpar de forma eficiente essas áreas, a equipe deve usar um procedimento de limpeza por extração e produtos de limpeza-padrão.5 Se a mancha não puder ser removida por esse processo, o hospital deve remover e descartar o(s) objeto(s) afetado(s).

 

Doença de Creutzfeldt-Jakob

A doença de Creutzfeldt-Jakob é um distúrbio cerebral raro e fatal, que leva à demência por desintegrar o cérebro das pessoas afetadas. Seus agentes infecciosos são conhecidos como príons, e os métodos de esterilização tradicionais podem não eliminá-los completamente. Os príons são resistentes a vários métodos utilizados para desinfecção e esterilização. Uma preocupação em relação à doença é que ela pode levar anos para ser detectada.

Ao limpar o quarto de um paciente com doença de Creutzfeldt-Jakob, os hospitais devem determinar se não há nenhuma contaminação por tecido do sistema nervoso central. Se não houver, não são necessárias medidas de limpeza diferentes, e os procedimentos de limpeza diários e finais podem ser feitos.3 Entretanto, se o sistema nervoso central ou o líquido cerebrospinal contaminarem a área, a equipe de higiene e limpeza deve usar medidas especiais, que incluem remoção do material grosseiro da superfície usando uma solução de NaOH a 1N ou hipoclorito de sódio (água sanitária) com aproximadamente 10.000 a 20.000 ppm de cloro. É importante observar que a diluição do hipoclorito usado na rotina (1 a 10) gera apenas 5.000 ppm. Para obter a diluição necessária para descontaminar o ambiente, os hospitais devem diluir 1 a 3 ou 1 a 5.3 Essa solução deve ficar em contato com a superfície contaminada por 30 a 60 minutos e, então, ser retirada com um material absorvente. A área deve ser enxaguada e tratada com água. O material absorvente deve ser descartado em um recipiente de lixo adequado.

Um aspecto fundamental da prevenção da doença de Creutzfeldt-Jakob envolve limpar, desinfetar e esterilizar o equipamento médico usado para tratar pacientes com essa doença.

 

Clostridium difficile

O Clostridium difficile (C. diff) é uma bactéria perigosa que provoca diarreia e outras condições intestinais mais graves, como colite. Seus esporos podem viver na superfície por meses graças a sua resistência a desinfetantes tradicionais, secagem e calor. Esses esporos podem ser encontrados em todas as partes das áreas de assistência ao paciente, incluindo assentos sanitários, chão, campainhas, controles remotos de televisão, telefones, grades da cama, bombas intravenosas, interruptores e parapeito de janelas.5

Para limpar de forma eficaz as áreas infectadas com esporos de C. diff, a equipe da higiene e limpeza deve usar uma solução de água sanitária/água 1:10 e garantir que ela fique em contato por pelo menos 10 minutos.3 Os hospitais podem limpar áreas infectadas uma vez ao dia com água sanitária ou quando elas estiverem visivelmente sujas. Porém, existem desvantagens para essa abordagem, uma vez que a água sanitária pode manchar ou corroer superfícies metálicas, descolorir superfícies não metálicas após o contato repetitivo, irritar o aparelho respiratório e provocar desconforto e sintomas físicos negativos – como ataques de asma – na equipe, a qual precisa monitorar seus usos e efeitos. A água sanitária também deve ser usada para limpar as áreas de assistência ao paciente infectado com C. diff após receber alta (limpeza final).5 Como ocorre com outros tipos de limpeza, é necessário esfregar e friccionar para remover os esporos dessa bactéria.

 

Considerações especiais de limpeza para salas de cirurgia

A sala de cirurgia (SC) deve ser uma das áreas mais limpas, se não a mais limpa de todas, no hospital por causa do alto risco de contaminar feridas por conta de condições não estéreis. O CDC recomenda a limpeza completa de SCs uma vez a cada 24 horas, mesmo que nenhum procedimento tenha sido realizado na sala.3 Isso pode ajudar a reduzir os micro-organismos e os riscos de contaminação (em particular a contaminação por bactérias resistentes a antibióticos) e a controlar a transmissão aos pacientes.

A limpeza da SC deve ser feita em salas de procedimentos cirúrgicos e áreas de escovação[†] e utilidades. Deve ser usado um processo de vácuo úmido ou um único esfregão e um desinfetante/detergente registrado na EPA. Os seguintes equipamentos da SC devem ser limpos:

 

      Lâmpadas cirúrgicas e grades externas

      Equipamentos fixos e instalados no teto

      Todos os móveis, incluindo rodas e rodízios

      Equipamentos médicos usados durante as cirurgias

      Cabos e alavancas

      Placas de ventilação

      Superfícies horizontais, incluindo prateleiras, autoclaves e estantes fixas

      Todo o piso

      Lixeiras de pedal e pias para lavagem8

 

Para ajudar a garantir a limpeza eficiente na SC, alguns hospitais usam checklists contendo todas as superfícies que precisam ser limpas. A equipe de serviços ambientais pode usar essas listas para verificar se limpou todas as partes importantes da SC.8

Além disso, os PASs, como enfermeiros do perioperatório, podem usar esse formulário para documentar áreas onde a limpeza não está ideal, usando essa informação para identificá-las e corrigi-las.

 

Considerações especiais de limpeza para unidade de terapia intensiva neonatal e berçário

Os bebês na unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN) e no berçário estão em maior risco de infecções por causa de seus sistemas imunes imaturos ou comprometidos. Para reduzir o risco de os bebês adquirirem infecções do ambiente, as incubadoras devem ser limpas todos os dias com um detergente suave. Os detergentes abrasivos precisam ser evitados, pois podem irritar a pele dos recém-nascidos. Os desinfetantes devem ser usados para limpar as incubadoras e os berços apenas após a alta do bebê. A escolha do desinfetante a ser usado nessas áreas é fundamental para evitar expor os bebês a produtos químicos que podem provocar problemas. Por exemplo, os hospitais devem evitar usar desinfetantes à base de fenol para evitar o desenvolvimento de hiperbilirrubinemia nos bebês. Se esse desinfetante for usado para limpar incubadora, berço ou balança, o material deve ser vigorosamente enxaguado e secado antes de ser usado novamente.3

 

Garantia de fontes de água limpas

A água pode carrear algumas bactérias, como Legionella e Pseudomonas spp., que provocam infecções. Uma forma de evitar a disseminação desses contaminantes é limpar de forma eficaz as fontes de água do hospital. As fontes mais comuns incluem máquinas de gelo, torneiras de pias, bebedouros, chuveiros e toaletes.

 

Online

Visite www.jcrinc.com/GICH09/extras para obter um formulário (em inglês) para avaliar o risco de legionelose nos sistemas de água do hospital.

 

Unidades de armazenamento de gelo

As unidades de armazenamento de gelo devem ser limpas periodicamente, uma vez por semana ou por mês, dependendo da política do hospital. Os procedimentos de limpeza podem variar de acordo com a máquina e seu uso; entretanto, os hospitais devem considerar as seguintes ações como parte de um protocolo de limpeza:9

 

      Remover todo gelo do reservatório.

      Desligar a unidade e deixá-la alcançar a temperatura ambiente.

      Verificar se precisa de reparos.

      Verificar se há alguma infestação de roedor ou inseto na máquina.

      Usar sabão ou detergente recém-preparado para limpar a unidade e esfregar todas as superfícies – travas de porta, guias e vedações devem receber atenção especial.

      Enxaguar todas as superfícies com água potável fresca.

      Secar.

      Limpar novamente com solução de água sanitária.

      Enxaguar com água potável fresca.

      Deixar a máquina secar completamente antes de reiniciar o serviço.

 

A máquina de armazenamento de gelo deve ser desmontada, e qualquer peça removível que entre em contato com a água deve ser completamente lavada e desinfetada de acordo com um cronograma regular, por exemplo trimestral.10

Em algumas organizações, a equipe de higiene e limpeza executa essa função; em outras, a equipe de engenharia é a responsável por tal atividade.

As instruções dos fabricantes da unidade de armazenamento de gelo devem ser seguidas durante a limpeza. Elas podem explicar não apenas como limpar de forma eficaz a máquina, mas também com que frequência fazê-lo. Em alguns casos, o fabricante pode fornecer cópias das instruções de limpeza para colocar nas máquinas visando lembrar a equipe sobre os procedimentos de limpeza adequados para a unidade.

 

Pias e torneiras

Foi demonstrado que as pias podem abrigar algumas bactérias gram-negativas por longos períodos.11 Consequentemente, a limpeza de pias, torneiras e aeradores deve ser feita com regularidade como parte do cronograma de limpeza diária. Um desinfetante hospitalar registrado na EPA deve ser suficiente para limpar essa área, entretanto, é aconselhável o uso periódico de solução de água sanitária e água.

 

Bebedouros e fontes

Da mesma forma que as pias, os bebedouros e fontes decorativas podem abrigar patógenos perigosos para os pacientes. Embora o risco de adquirir uma IRAS de um bebedouro ou uma fonte seja relativamente baixo, eles devem ser limpos regularmente.

Para as fontes, a limpeza e a desinfecção devem ser feitas a cada 1 ou 3 meses a fim de evitar o crescimento de algas, bactérias e outros contaminantes. Deve ser implantado um plano específico que indique quando e quem a limpa e desinfeta. Se a limpeza for feita por empresa terceirizada, as fontes devem ser revisadas antes da primeira limpeza para determinar um ponto inicial e, então, inspecionadas periodicamente a fim de que seja mantido um nível adequado de limpeza. Os prevencionistas de infecção e a equipe de serviços ambientais também podem monitorar essa limpeza.

Os bebedouros devem ser limpos com maior frequência. Mais uma vez, as instruções dos fabricantes podem fornecer um bom ponto de partida para determinar a programação e atividade envolvida na limpeza desses itens.

 

Chuveiros e toaletes

Existe pouco risco de adquirir uma infecção ao usar fontes de água como chuveiros e toaletes. Existe uma relação entre aerossóis do chuveiro com alguns grupos de infecções, incluindo Legionella, mas esses surtos estão geralmente limitados a áreas com pacientes imunocomprometidos. A American Society of Heating, Refrigerating, and Air-Conditioning Engineers recomenda a limpeza e desinfecção de aeradores usados nas pias e nos chuveiros todo mês.12

Eles também podem ser removidos se continuarem aparecendo grupos de infecções nas áreas de alto risco do hospital. Parece que os toaletes não representam risco de infecção aos pacientes pelos aerossóis da descarga.3

 

Referências

1.        Rutala W.A., Weber D.J., and the Healthcare Infection Control Practices Advisory Committee: Guideline for Disinfection and Sterilization in Healthcare Facilities, 2008. www.cdc.gov/hicpac/pdf/guidelines/Disinfection_Nov_2008.pdf (acessado em maio de 2010).

2.        Arias K., Soule B.: Environment of care and infection prevention and control. In Soule B., Arias K. (eds.): The APIC/JCR Infection Prevention and Control Workbook, 2nd ed. Oak Brook, IL: Joint Commission Resources, 2010.

3.        Schulsster L., et al.: Guidelines for environmental infection control in healthcare facilities: Recommendations of CDC and the Healthcare Infection Control Practices Advisory Committee (HICPAC). MMWR Recomm Rep 52(RR-10):1–42, Jun. 2003.

4.        Skilton R.: Decontamination procedures for medical equipment. Update in Anesthesia 7:1, 1997.

5.        Chou T.: Environmental services. In Carrico R. (ed.): APIC Text of Infection Control and Epidemiology, 3rd ed. Washington, DC: Association for Professionals in Infection Control and Epidemiology, 2009, pp. 100-1–100-13.

6.        U.S. Food and Drug Administration: Avoiding Hazards with Using Cleaners and Disinfectants on Electronic Medical Equipment. www.fda.gov/cdrh/safety/103107-cleaners.html (acessado em maio de 2010).

7.        U.S. Department of Labor: Occupational Safety and Health Administration: Occupational exposure to bloodborne pathogens: Final rule. 29 CFR Part 1910.1030. Fed Regist 66:64174–64182, Jan. 18, 2001. www.premierinc.com/safety/topics/needlestick/downloads/02_bbp_final_rule.pdf (acessado em maio de 2010).

8.        Neil J.A., Nye P.E., Toven L.A.: Environmental surveillance in the operating room. AORN J 82:43–49, Jul. 2005.

9.        Damani N.N.: Manual of Infection Control Procedures, 2nd ed. New York: Cambridge University Press, 2003, pp. 293–301.

10.    Manangan L.P., et al.: Sanitary care and maintenance of ice-storage chests and ice-making machines in health care facilities. Am J Infect Control 26:111–112, Apr. 1998.

11.    Rutala W.A., Weber D.J.: Water as a reservoir of nosocomial pathogens. Infect Control Hosp Epidemiol 18:609–615, Sep. 1997.

12.    American Society of Heating, Refrigerating, and Air-Conditioning Engineers (ASHRAE): ASHRAE Guideline12-2000: Minimizing the Risk of Legionellosis Associated with Building Water Systems. Atlanta, GA: ASHRAE, 2000, pp. 1–16.



[*] N. de T.: No Brasil, o produto deve ser registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

[†] N. de R. T.: Antessalas de preparação de mãos e utensílios.

 

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