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Serviços de processamento de roupas e lavanderia

Última revisão: 14/05/2013

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Versão original publicada na obra Slavish, Susan M. Manual de prevenção e controle de infecções para hospitais. Porto Alegre: Artmed, 2012.

 

 

 

 

       Os patógenos podem ser transmitidos a PASs e pacientes por meio da roupa.

       A equipe da lavanderia pode sofrer acidentes com perfurocortantes e ser exposta a patógenos enquanto separa e limpa a roupa.

       Usar EPIs para proteger PASs.

       Transportar cuidadosamente a roupa contaminada.

       Separar a roupa limpa da roupa suja.

       Limpar a lavanderia usando procedimentos adequados.

       Transportar e guardar a roupa para manter a limpeza.

 

Todos os dias, o serviço de processamento de roupas e lavanderia coleta, limpa, processa e transporta roupa pelo hospital. Durante esse processo, os trabalhadores desse departamento manuseiam centenas de milhares de roupas contaminadas reutilizáveis e podem estar sob risco de acidente se não tomarem precauções.1 As roupas sujas após o cuidado ao paciente – como lençóis, fronhas, uniformes, toalhas, aventais, cortinados e cortinas de privacidade – podem ser uma fonte de patógenos perigosos, exigindo o manuseio e o processamento adequados para reduzir o risco de transmissão de infecção entre os pacientes e os profissionais de assistência à saúde (PASs).2 De acordo com os Centers for Disease Control and Prevention (CDCs), o risco de transmissão de doenças pela roupa contaminada é relativamente baixo, apesar do grande número de patógenos presentes. Por isso, os esforços da prevenção e controle de infecções (PCI) nessa área devem se concentrar em estratégias práticas e de senso comum para processar e armazenar a roupa contaminada.1

Para garantir a efetividade das estratégias de PCI relacionadas à lavanderia, os PASs desse departamento devem estar familiarizados com vários conceitos importantes, incluindo aqueles sobre o uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPIs), transporte de roupas contaminas, separação de roupa suja e limpa, limpeza adequada da roupa e transporte e armazenamento da roupa limpa. As seções a seguir examinam esses tópicos.

 

Uso de equipamento de proteção individual adequado

Ao manusear roupa potencialmente contaminada, os PASs devem usar as precauções-padrão, em especial luvas. Esse EPI pode reduzir a exposição a patógenos perigosos provenientes de acidentes com agulhas ou material perfurocortante. Esse tipo de acidente é uma ameaça maior à segurança da equipe da lavanderia do que a exposição ao patógeno.1

Para garantir que a equipe da lavanderia use o EPI adequado, os hospitais não devem apenas fornecer esses equipamentos aos PASs, mas garantir que sejam de fácil acesso. Os hospitais também devem prover treinamento regular e contínuo sobre a higiene correta e eficaz das mãos. Para promover seu uso, os hospitais também devem treinar os PASs sobre como usar os equipamentos e educá-los sobre sua importância.

Os gerentes do departamento de lavanderia devem observar periodicamente o pessoal desse setor, a fim de garantir que estejam seguindo a higiene adequada das mãos e usando EPI adequado ao manusear os itens contaminados. Se surgirem questões sobre esse assunto, os PASs devem receber mais treinamento.

 

Coleta e transporte de roupa contaminada

Deve-se ter cuidado especial ao coletar e transportar roupa visivelmente suja de sangue e fluidos corporais. De acordo com a Occupational Safety and Health Administration (OSHA), a equipe da lavanderia e/ou higiene e limpeza deve manusear tecidos e roupas contaminados com um mínimo de agitação para evitar a contaminação do ar, das superfícies e das pessoas no quarto onde se encontra a roupa contaminada.3

Antes de retirar a roupa de uma cama, maca ou de outra superfície, os PASs devem remover qualquer perfurocortante, equipamento ou item que não seja da roupa para garantir o transporte seguro e evitar acidentes com perfurocortantes. A remoção dos itens antes do transporte também pode aumentar a eficiência do processo de lavagem. Além disso, se os objetos não forem removidos da roupa separada e lavada, eles podem danificar o equipamento da lavanderia.

Para ajudar a evitar a exposição da equipe da lavanderia a situações perigosas, os hospitais devem ter um procedimento para remover roupas de camas, macas e outras superfícies que incorpore uma técnica de enrolar de modo que as áreas mais sujas fiquem no centro da trouxa de roupa. Em outras palavras, os PASs devem enrolar a área ou o item muito sujo para dentro da área menos suja ou relativamente limpa, fazendo com que o pano limpo se torne uma barreira para a área suja.4

Ao coletar roupas contaminadas – como aquelas sujas de sangue ou fluidos corporais –, a OSHA recomenda que os PASs as embalem em uma sacola vermelha ou as coloquem em recipientes com símbolos de perigo (Fig. 8.1). Isso deve ser feito no local onde a roupa foi usada. Sob nenhuma circunstância os PASs devem separar ou enxaguar a roupa contaminada no local onde é usada, pois isso pode contaminar a área e aumentar o risco de transmissão de infecções.5

A roupa contaminada que estiver molhada e apresentar risco de ensopar ou pingar através da bolsa deve ser colocada ou transportada em bolsas ou recipientes à prova d’água. Ao transportar roupa contaminada, a equipe da lavanderia não deve segurar as bolsas fechadas perto do corpo nem apertá-las. Isso ajuda a evitar acidente com seringa ou outros perfurocortantes inadequadamente descartados.

Após a coleta, a roupa contaminada pode ser transportada por carrinho ou tubo de queda. Se o hospital usa o tubo de queda, o CDC recomenda embalar a roupa, pois tubos de queda inadequados podem transmitir patógenos para todo o hospital.1

 

Figura 8.1. O símbolo de perigo biológico.

 

 

Separação entre roupa limpa e roupa suja

Todos os hospitais devem ter áreas separadas para roupas limpas e sujas. Dependendo do hospital, essas áreas podem estar dentro da instituição, em um prédio externo, em uma área de operação externa ou em uma lavanderia multicentro compartilhada.4

O processo de separação da roupa é o procedimento que muitas vezes leva à transmissão de infecções no departamento de lavanderia.4 Esse processo separa tipos específicos de roupas sujas, como roupa contaminada com sangue ou fluidos corporais, de outros tipos, visando aumentar a eficiência do processo de limpeza.4

Uma área usada para separar e processar a roupa suja deve estar fisicamente separada das outras áreas do hospital – incluindo as de armazenamento de roupa limpa, as de processamento, os quartos de pacientes e as áreas de preparo de alimentos. Essa separação é possível usando barreiras físicas, pressão negativa do ar em áreas de processamento sujas e fluxo de ar das áreas limpas para sujas. Se possível, todos os espaços contaminados de lavanderia devem ter portas de saída com exaustão sem recirculação. Se for necessária a recirculação, o ar deve ser filtrado.6

Dentro dessa área de separação, os PASs devem ter fácil acesso a recipientes para descarte de perfurocortantes, estações para higiene das mãos e vestiários – de preferência com instalações com chuveiros.6 A equipe da lavanderia deve lavar suas mãos após manusear a roupa contaminada e remover as luvas e não deve comer, beber ou fumar no local de trabalho.

As superfícies de trabalho na área de separação de roupa suja devem ser construídas com materiais não porosos, que suportem limpeza frequente com produtos como água sanitária, e ter drenos para o chão, de modo a evitar poças, e locais para adaptar o esfregão molhado.6

 

Limpeza da roupa usando procedimentos adequados

Após a separação das roupas, elas devem ser limpas. O tempo desde a separação da roupa até sua lavagem varia dependendo dos itens envolvidos, da necessidade de remover corante, de número de pessoas trabalhando na lavanderia e de outros fatores. Não existem questões sobre PCI importantes envolvidas com o armazenamento temporário de roupas sujas se a lavagem for feita no momento oportuno.

De acordo com a Association for the Advancement of Medical Instrumentation (AAMI), “o processo de lavagem consiste em uma combinação de ação mecânica, fluxo de água, temperatura da água, tempo e produtos químicos para limpar/descontaminar os tecidos sujos”.6 O processo de lavagem muda de acordo com os diferentes tipos de roupa, e os PAS do departamento de lavanderia devem estar familiarizados com os diversos processos necessários para os diferentes tipos de roupas.

 

Dica

Para ajudar os PASs a rastrear os processos que devem ser usados para os vários tipos de lavanderia, os hospitais podem criar folhetos, pôsteres ou outros avisos visuais. Além disso, a equipe da lavanderia pode separar a roupa dependendo da técnica de lavagem.

 

De acordo com o CDC, a roupa pode ser limpa com água quente ou fria, desde que sejam seguidos os processos específicos. Se forem usados ciclos de roupa com água quente, elas devem ser lavadas com detergente em água³ 71°C por pelo menos 25 minutos.7 Se forem usados ciclos de água fria, os PASs devem usar produtos químicos adequados para a limpeza com baixa temperatura e usá-los nas concentrações adequadas, conforme indicado pelo fabricante. Em muitos casos, os hospitais usam água sanitária em ciclos de água fria, confiando nas suas propriedades químicas para reduzir a quantidade de micro-organismos. Quando usados os ciclos de água fria, a água da lavanderia deve ser trocada com regularidade.6 Independentemente da temperatura de água usada, os PASs devem seguir as instruções de cuidado do tecido e as exigências de lavagem especiais para os itens usados no hospital. A equipe da lavanderia não deve deixar tecidos ou roupas úmidas nas máquinas de um dia para outro, já que isso pode facilitar o crescimento microbiano na lavanderia.7

Todas as roupas devem ser completamente secas usando secadores comerciais, ferro ou método de prensa antes de serem armazenadas. As altas temperaturas envolvidas no processo de secagem reduzem a contagem e a efetividade dos micro-organismos.1

Embora a maioria das roupas possa ser simplesmente lavada, seca e armazenada, alguns tipos exigem procedimentos de limpeza especializados. Por exemplo, os aventais e campos cirúrgicos precisam ser esterilizados. Isso é feito por meio de autoclavagem com vapor após a lavagem da roupa.

 

Transporte e separação de tecidos limpos

Após os tecidos serem limpos, eles devem ser embalados, transportados e armazenados de forma a garantir sua limpeza e protegê-lo da poeira e sujeira durante carregamento, transporte e descarregamento entre as instalações.7 Esses itens limpos devem ser manuseados o mínimo possível e não devem entrar em contato com superfícies possivelmente sujas, sendo necessário lavá-los de novo caso entrem em contato com material sujo.6 Os recipientes ou carros usados para transportar tecidos limpos devem ser higienizados antes do uso. Para isso, podem ser usados vapor, sabão e água ou detergente ou desinfetante adequados.6 Os hospitais devem ter carros exclusivos para transportar tecidos limpos e outros para os sujos. Deve-se evitar misturar os carros para que não haja contaminação cruzada. Da mesma forma, os hospitais podem indicar alguns elevadores para transportar roupa limpa e outros para transporte de roupa suja, a fim de reduzir o risco de contaminação cruzada.

Deve-se dobrar e cobrir a roupa limpa a fim de protegê-la da contaminação.2 Os pacotes de tecidos limpos devem ser armazenados a pelo menos 20 a 25 cm do chão, 45 cm do teto e 5 cm da parede, de modo que não sejam contaminados por essas superfícies. A roupa armazenada muito próxima do chão pode ser contaminada quando esse é esfregado. Mesmo quando as roupas estão embaladas com plástico, respingos e borrifos da limpeza podem contaminar a superfície exterior e por em risco de infecção os PASs que manuseiem esses pacotes. Além disso, a roupa limpa não deve ser armazenada em local onde possa ser molhada, como embaixo de pias ou expostas a tubulações de água ou esgoto.6

 

Utilização de uma equipe para fazer o gerenciamento da lavanderia

Uma equipe para gerenciar a lavanderia pode ser muito útil para garantir segurança, classificação, limpeza e transporte eficazes da roupa. Os membros da equipe, incluindo prevencionistas de infecções, gerentes de lavanderia, equipe de serviços gerais e equipe clínica, podem trabalhar juntos para identificar os riscos no departamento de lavanderia, desenvolver procedimentos adequados, monitorar esses procedimentos e informar eventos ou situações incomuns. Eles podem desenvolver uma checklist para ajudar no monitoramento da efetividade e segurança do processo de lavanderia. (A Fig. 8.2 apresenta um exemplo de checklist.)

Essa equipe é muito importante em hospitais nos quais o processo de lavanderia é terceirizado. A equipe hospitalar indicada deve informar regularmente e interagir com os gerentes da lavanderia externa para garantir que a política do hospital seja obedecida. Os membros da equipe devem visitar periodicamente a lavanderia externa para observar as práticas e identificar qualquer problema. A fim de auxiliar no processo de monitoramento, os hospitais podem usar checklists para garantir as questões de segurança.

 

Figura 8.2. Formulário para visita à lavanderia.

 

 

Referências

1.        Rutala W.A., Weber D.J.: Modern advances in disinfection, sterilization, and medical waste management. In Wenzel R.P. (ed.): Prevention and Control of Nosocomial Infections, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2003, p. 542–574.

2.        Wideman J.: Waste management. In Carrico R. (ed.): APIC Text of Infection Control and Epidemiology, 3rd ed. Washington, DC: Association for Professionals in Infection Control and Epidemiology, 2009, pp. 102-1–102-11.

3.        U.S. Department of Labor: Occupational Safety and Health Administration: Occupational exposure to bloodborne pathogens: Final rule. 29 CFR Part 1910.1030. Fed Regist 66:64174–64182, Jan. 18, 2001. www.premierinc.com/safety/topics/needlestick/downloads/02_bbp_final_rule.pdf (acessado em 15 de maio de 2010).

4.        U.S. Environmental Protection Agency (EPA): Infectious Waste Management Guidelines. Washington, DC: EPA, 1986.

5.        The Joint Commission: Environment of Care Handbook, 3rd ed. Oak Brook, IL: Joint Commission Resources, 2009.

6.        U.S. Environmental Protection Agency: Standards of Performance for New Stationary Sources and Emission Guidelines for Existing Sources: Large Municipal Waste Combustors. 40 CFR Part 60. www.epa.gov/ttn/oarpg/t3/fr_notices/large_mwc_fr_042806.pdf (acessado em 15 de maio de 2010).

7.        Centers for Disease Control and Prevention: Guidelines for environmental infection control in healthcare facilities: Recommendations of CDC and the Healthcare Infection Control Practices Advisory Committee (HICPAC). MMWR Recomm and Rep 52(RR-10):1–42, 2003.

 

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