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Capítulo 12 – Controle de infecções no processo de acreditação

Última revisão: 26/09/2013

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Controle de infecções no processo de acreditação: processos com foco em prioridades, grupos clínicos e de serviços e metodologia do rastreador

  

 Versão original publicada na obra Manual de Controle de Infecções da APIC/JCAHO. Porto Alegre: Artmed, 2008.

 

Barbara M. Soule

 

O processo de acreditação da Joint Commission movimenta as organizações além da preparação de estudos para melhoria dos sistemas, focalizando a maneira como os sistemas e os processos atuam dentro das instituições de prestação de assistência à saúde durante o fornecimento de atendimento, tratamento e serviços de alta qualidade.

Os sistemas e os processos de estudo, prevenção e controle de infecções difundem-se por todas as áreas das organizações. Ignorar esse fato pode colocar em risco a segurança dos pacientes, produzir resultados adversos e aumentar o nível de despesas. O controle de infecções causa impactos significativos nos atendimentos à saúde seguros e de alta qualidade, por isso não é surpresa o fato de que esteja sujeito a vários tipos de avaliação durante os processos de acreditação. Este capítulo apresenta um panorama conciso das áreas dos processos de acreditação nas quais o controle de infecções é um tema de extrema relevância.

 

Processo com foco em prioridades

Os Processos com Foco em Prioridades (PFPs) fazem parte da dinâmica de acreditação, orientando o planejamento e a condução dos estudos feitos in loco pelas organizações. Os PFPs utilizam ferramentas automatizadas que coletam dados disponíveis em várias fontes – incluindo solicitações de acreditação, descobertas de estudos anteriores, dados de reclamações e achados externos disponíveis para o público em geral –, integrando-os para possibilitar a identificação de grupos clínicos e de serviços e áreas com foco em prioridades de determinada organização. Esse processo converte os dados em informações que focalizam atividades de estudos, aumentam a consistência dos processos de acreditação e customizam esses processos, adaptando-os às peculiaridades das organizações.

O PFP é uma atividade aberta. A maior parte das informações utilizadas para determinar os dados específicos do PFP são disponibilizadas pelas fontes das próprias organizações e pelas fontes públicas. O PFP integra os dados e recomenda aos grupos clínicos e de serviços e às áreas com foco em prioridades a realização de estudos organizacionais in loco. Essas informações são utilizadas na metodologia do rastreador. Entretanto, o processo com foco em propriedades não impede a realização de estudos, independentemente da área.

 

Áreas com Foco em Prioridades

As Áreas com Foco em Prioridades (AFPs) são processos, sistemas ou estruturas localizadas dentro das organizações de assistência à saúde que afetam de forma significativa a segurança e a qualidade do atendimento aos pacientes. A Joint Commission identificou padronização de AFPs na prática, na literatura publicada e no consenso e classificou os diferentes processos, sistemas e estrutruras em 14 AFPs, com o objetivo de melhorar o atendimento à saúde nas organizações. As AFPs evoluíram a partir do processo de identificação de padrões comuns e transformaram-se em instrumento imprescindível para a construção de atendimentos à saúde seguros e de alta qualidade e para a obtenção de resultados positivos. Elas apresentam abordagens consistentes, embora customizadas, para o foco inicial dos processos de estudos realizados in loco. As 14 AFPs são:

 

1.        Avaliação e atendimento/serviços (procedimentos analíticos em laboratórios)

2.        Comunicação

3.        Profissionais credenciados

4.        Uso de equipamentos

5.        Controle de infecções

6.        Gestão das informações

7.        Administração de medicamentos (não é aplicável aos laboratórios)

8.        Estrutura organizacional

9.        Orientação e treinamento

10.    Segurança dos pacientes

11.    Ambiente físico

12.    Habilidade e atividades de melhoria da qualidade

13.    Direitos e ética

14.    Formação de equipes

 

A definição de AFP no processo de controle de infecções é a seguinte: o controle de infecções inclui estudo/identificação, prevenção e controle de infecções entre receptores de assistência à saúde, funcionários, médicos e outros profissionais cuidadores independentes licenciados, provedores de serviços, voluntários, universitários e visitantes. Esse processo é sistêmico e integrado e aplica-se a todos os programas, serviços e instalações hospitalares.

O controle de infecções inclui os seguintes subprocessos:

 

      Estudo/identificação

      Prevenção e controle

      Elaboração de relatórios

      Medições

 

É importante ressaltar que as AFPs não permanecem isoladas. Em geral, elas relacionam-se porque os sistemas e os processos de atendimento são altamente integrados e interdependentes. O controle de infecções interage com vários outros processos e sistemas nas organizações de assistência à saúde. Os processos de controle de infecções podem ser identificados para recomendações enquanto outras AFPs estiverem em fase de revisão.

 

Grupos Clínicos/Serviços

Os Grupos Clínicos e de Serviços classificam os pacientes em populações distintas para fins de coleta de dados. A Joint Commission criou uma lista desses grupos com base nos dados coletados nas aplicações de programas de acreditação e em dados provenientes de fontes externas para uso do público em geral. Essa lista foi totalmente revisada para assegurar a representatividade de todas as categorias de populações atendidas ou de serviços prestados pelas organizações que foram pesquisadas pelos respectivos programas de acreditação. Os inspetores da Joint Commission utilizam os grupos clínicos e de serviços das organizações, em combinação com outras informações específicas, para conhecer melhor os sistemas e os pacientes atendidos. Os pacientes a serem rastreados são selecionados de acordo com os grupos clínicos e de serviços. As listas dos grupos clínicos e de serviços dos programas de acreditação constam nos respectivos manuais.

 

Metodologia do rastreador

O principal objetivo da metodologia do rastreador é avaliar o tratamento, o atendimento e a prestação de serviços por meio do acompanhamento da experiência real dos indivíduos enquanto estiverem sendo tratados nas organizações de assistência à saúde. Geralmente tal metodologia aborda dois tipos de rastreamento nos estudos realizados in loco: de indivíduos e de sistemas com base em indivíduos.

 

Rastreamento Individual

O rastreamento individual é um método de avaliação conduzido durante estudos realizados in loco, cuja finalidade é “rastrear” experiências dos tratamentos recebidos pelos pacientes nas organizações. A metodologia do rastreador é uma maneira de analisar os sistemas organizacionais de atendimento, tratamento e prestação de serviços usando pacientes reais como base para avaliar o nível de adesão às normas. Nos rastreamentos individuais, os inspetores selecionam um indivíduo para ser acompanhado durante todo o tratamento, de acordo com um ou mais dos seguintes critérios (aplicáveis em cada organização):

 

      Indivíduos localizados no topo das listas dos grupos clínicos e de serviços, identificados nos relatórios das áreas com foco em prioridades, os quais estão disponíveis para os usuários no site da extranet antes das inspeções da Joint Commission e durante o período em que as organizações estiverem atualizando os arquivos das respectivas revisões periódicas de desempenho.

      Indivíduos que, devido às experiências de tratamento, passaram por áreas sujeitas a rastreamentos de sistemas com bases individuais (controle de infecções, utilização de dados e administração de medicamentos).

      Indivíduos que passaram por várias instalações (p. ex., um paciente que fez teste diagnóstico em uma instalação ambulatorial, fez a cirurgia em um hospital e foi encaminhado para um centro de reabilitação ou para tratamento domiciliar).

      Indivíduos que receberam atendimento, tratamento e serviços em vários programas organizacionais (p. ex., em uma organização de tratamento comportamental, uma criança que entra na organização no dia em que o programa de tratamento foi transferido para um programa de atendimento domiciliar).

 

Os pacientes típicos selecionados para rastreamento individual inicial são aqueles identificados nas informações dos PFPs das organizações, de acordo com a lista dos grupos clínicos e de serviços. Com base nos grupos clínicos e de serviços identificados, os inspetores têm condições de distinguir rastreamentos individuais e de acompanhar pacientes específicos em todos os processos organizacionais. Os inspetores examinam não apenas os componentes individuais de um sistema, mas também a forma de interação dos componentes sistêmicos.

Os inspetores podem iniciar os trabalhos onde os pacientes estiverem naquele momento. Em seguida, podem se deslocar até o local por onde os pacientes entraram nos sistemas da organização pela primeira vez, isto é, uma área prioritária para a organização, ou para qualquer outra área onde os pacientes receberam atendimento, tratamento e serviços. Durante esse percurso, os inspetores podem conversar com os membros da equipe de atendimento à saúde que estiverem atendendo o paciente- alvo do rastreamento individual. Se o membro da equipe que foi selecionado não estiver disponível, os inspetores poderão falar com qualquer outro membro que estiver familiarizado com o mesmo tipo de tratamento. Por exemplo, se o paciente tiver contraído infecção pós-cirúrgica, os inspetores podem iniciar as atividades de rastreamento na unidade de tratamento pré-operatório ou na sala cirúrgica, no quarto do paciente na unidade de enfermagem ou nas áreas de internação de pacientes cirúrgicos ambulatoriais. As áreas cobertas pelo rastreamento incluem laboratório, radiologia, fisioterapia ou outros serviços relevantes. Os inspetores podem entrevistar a equipe de serviços ambientais do centro cirúrgico ou da unidade de enfermagem, a área de internações ou a equipe do Departamento de Emergências ou outras áreas de atendimento. Além disso, os inspetores podem rastrear onde o paciente ainda não esteve, mas irá visitar, ou o local para onde o paciente será transferido depois de receber alta. Por exemplo, no caso de idosos que saem da residência para internação em um hospital e são transferidos para uma instalação de tratamento de longa permanência depois de um tratamento de pneumonia, os inspetores poderiam rastrear o atendimento do residente no hospital e na instituição de terapia de longa permanência. Se o indivíduo for transferido para sua residência, com serviços domiciliares e terapia respiratória, eles poderiam rastrear a experiência de tratamento dessa pessoa visitando todos esses locais. Veja, na Figura 12-1, a dinâmica do rastreamento individual.

 

FIGURA 12-1 Rastreamento individual.

Esta ilustração demonstra como os receptores de tratamento individual são envolvidos em várias funções, tais como controle de infecções e gestão de medicamentos, enquanto permanecerem em instalações hospitalares.

Fonte: Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organizations. Utilizada com autorização.

 

 

Rastreamento de Sistemas com Base em Indivíduos

A diferença entre rastreamento de sistemas com bases em indivíduo e rastreamento individual é que, durante a execução das atividades de rastreamento individual, os inspetores acompanham um paciente específico e avaliam todos os aspectos do tratamento. Esse tipo de rastreamento explora sistemas ou processos específicos. Durante as sessões de rastreamento, os inspetores avaliam o sistema/processo, incluindo a integração de processos, bem como a coordenação e a comunicação entre as disciplinas e os departamentos.

O rastreamento de sistemas com bases individuais inclui sessões interativas (envolvendo um inspetor e membros importantes das equipes). Os principais pontos de discussão nessas sessões são os seguintes:

 

      Fluxo do processo pelas organizações, incluindo identificação e gestão de pontos de risco, integração de atividades-chave e comunicação entre as equipes e as unidades envolvidas no processo.

      Resistências ao processo e possíveis ações a serem tomadas em áreas que necessitem de melhorias.

      Temas que precisam ser mais explorados em outras inspeções.

      Avaliação da linha básica de adesão às normas.

      Educação pelos inspetores, se necessário.

 

Os três tópicos avaliados com o rastreamento de sistemas com base em indivíduos são: utilização de dados, controle de infecções e administração de medicamentos, embora o número de tópicos varie de acordo com a duração da investigação.

A Figura 12-2 ilustra a forma como funcionam os rastreamentos de sistemas com base em indivíduos. Veja também o Quadro 12-1.

 

FIGURA 12-2 Rastreamento de sistemas com bases individuais.

Esta ilustração demonstra como um inspetor tem várias oportunidades de avaliar a adesão às normas mediante processos, sistemas e estruturas.

Fonte: Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organizations. Utilizada com autorização.

 

QUADRO 12-1 Estratégias para Otimizar a Metodologia do Rastreador

      Usar padrões e elementos de desempenho como orientação em todos os rastreamentos

      Usar os rastreamentos individuais como ferramentas de educação e de gestão e não como meios para “verificar” processos de acreditação

      Comprometer equipes e gestores nas atividades de rastreamento

      Desenvolver habilidades, tais como observação, pesquisa, entrevista e validação

      Usar ferramentas para registrar descobertas e dar feedback para as equipes

      Usar descobertas nos reconhecimentos e nas melhorias de desempenho

 

Como Funciona o Rastreamento de Sistema com Base em Indivíduos no Controle de Infecções

No controle de infecções, o rastreamento de sistemas com base em indivíduos explora os processos de controle das organizações. As metas são avaliar a adesão das organizações aos padrões relevantes de controle de infecções, identificar problemas na área de controle de infecções que exijam explorações futuras, determinar as ações necessárias para abordagem de riscos identificados e melhorar a segurança dos pacientes. Veja, no Quadro 12-2, a descrição de como funcionam os rastreamentos nos processos de acreditação.

 

QUADRO 12-2 Rastreamento de Sistemas com Base em Indivíduos no Controle de Infecções

Nas discussões a respeito de programas de controle de infecções, os inspetores e as organizações devem estar preparados para:

 

      Identificar resistências e áreas que possam causar problemas nos programas de controle de infecções

      Definir ações necessárias para abordar quaisquer riscos identificados nos processos de controle de infecções

      Avaliar ou determinar o nível de adesão aos padrões relevantes

      Identificar problemas que exijam investigações posteriores

 

Nota: Quando o rastreamento de um sistema não tiver sido anotado na agenda (p. ex., inspeções curtas), os inspetores devem verificar todos os rastreamentos individuais e o rastreamento do sistema de utilização de dados.

 

Orientações para as Sessões de Rastreamento de Sistemas

As aberturas das sessões caracterizam-se pela introdução e revisão das metas de rastreamento dos sistemas de controle de infecções, como segue:

 

      Exploração, pensamento crítico e solução de problemas potenciais dos programas de controle de infecções

      Identificação de áreas com grande potencial para problemas nos programas de controle de infecções, melhorias e ações corretivas

 

Processo

      As atividades de rastreamento iniciam nas áreas de atendimento e de prestação de serviços a pacientes/residentes/clientes identificadas pelos inspetores (unidade de pacientes hospitalizados, área de tratamento de pacientes ambulatoriais, sala de atividades de programas diurnos, visitas internas, clínicas, sala de cirurgia ou quarto de cliente/residente)

      Os inspetores podem se deslocar para outras instalações, de acordo com a necessidade e a aplicabilidade, para rastrear os processos de controle de infecções em toda a organização

      Os inspetores devem observar os membros das equipes e comprometê-los nas discussões com foco nas práticas de controle de infecções em qualquer dependência visitada durante as atividades de rastreamento do respectivo sistema

      O encerramento das atividades pode ser feito por meio de curtas reuniões com os indivíduos responsáveis pelo programa de controle de infecções das organizações. Durante esse período, os inspetores têm condições de identificar áreas com potencial de problemas e de conhecer mais profundamente o sistema de controle de infecções para depois discutir e explorar o programa organizacional com as equipes

 

Discussão

Os inspetores extraem das atividades de rastreamento experiências, informações sobre estudos de controle de infecções e outros dados correlatos, como, por exemplo, medições básicas de pneumonia ou de infecções em sítios cirúrgicos, bem como informações sobre PFPs, na criação de cenários para discussão com as organizações.

Os participantes do rastreamento de sistemas em geral discutem os aspectos dos programas de controle de infecções das organizações relacionados aos seguintes contextos:

 

      Avaliação de risco, identificação de prioridades e plano de controle de infecções das organizações

      Identificação de portadores de infecções

      Manejo de portadores de infecções dentro do contexto dos programas de controle de infecções

      Atividades de pesquisa, atuais e passadas, que ocorreram nos últimos 12 meses

      Tipos de análises feitas com dados do controle de infecções, incluindo comparações com benchmarks internos e externos

      Comunicação dos dados relacionados ao controle de infecções: freqüência e audiência

      Estratégias para reduzir o risco de incidência de infecções mediante atividades de prevenção e controle (treinamento de equipes, ambientes dos procedimentos médicos, higiene das mãos em nível organizacional, manuseio e preparação de alimentos, técnicas para colocação de dispositivos invasivos e estocagem adequadas, limpeza, desinfecção, esterilização de materiais e equipamentos)

      Melhorias de desempenho com base em dados obtidos em pesquisas ou outras informações

      Intervenções para profissionais independentes licenciados, equipes, estudantes, trainees, profissionais independentes e voluntários, incluindo triagem para exposição e imunidade a doenças infecciosas com as quais mantiveram contato, encaminhamento para avaliação, potencial de testes e imunização e/ou tratamento de profilaxias e orientação para aqueles que tenham sido identificados como portadores potenciais de doenças infecciosas

      Mudanças físicas em instalações hospitalares, concluídas ou em andamento, que tenham impacto nas atividades de controle de infecções, como, por exemplo, construções ou reforma de prédios

      Ações ocasionadas por estudos e resultados

 

Nesta fase do projeto, as organizações geralmente compartilham os dados obtidos nas atividades de controle de infecções para ilustrar os procedimentos e os esforços na busca de melhorias. As discussões focalizam os pacientes ou residentes incluídos nos estudos de controle de infecções e nas atividades de comunicação ou aqueles ainda não considerados nos critérios para inclusão nos dados de estudos. Além disso, as organizações são incentivadas a apresentar exemplos de casos que possam colocar em evidência vários aspectos dos programas de controle de infecções, com base nos cenários identificados pelos inspetores. Alguns contextos a serem debatidos, de acordo com o tipo de organização, são os seguintes:

 

      Portadores de febre de origem desconhecida

      Portadores de infecções tipicamente associadas à assistência à saúde, como infecções em sítios cirúrgicos, na corrente sangüínea relacionadas a uso de cateteres, no trato urinário ou pneumonia associada a uso de ventiladores

      Indivíduos internados nas organizações, na fase pós-operatória, para verificação de possíveis infecções

      Indivíduos utilizando antibióticos, em resposta aos resultados de culturas e sensibilidades, níveis de sangue ou outros testes laboratoriais usados nos procedimentos de dosagem, tais como níveis máximos e mínimos de vancomicina

      Indivíduos colocados em alguma forma de isolamento ou precaução devido a diagnóstico de doença infecciosa, como varicela, coqueluche, tuberculose pulmonar, meningite, infecções na pele (impetigo, pediculose, escabiose), vírus respiratório sincicial ou infecções associadas à assistência à saúde, como pneumonia relacionada a uso de ventiladores e Clostridium difficile, ou causada pela ação de organismos resistentes a vários medicamentos, como o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM), os Enterococci resistentes à vancomicina ou as acinetobactérias.

      Práticas de controle de infecções relacionadas a administração de emergências, como afluxos imprevistos de portadores de doenças infecciosas

      Indivíduos colocados em alguma forma de isolamento ou precaução por serem imunocomprometidos, como aqueles com risco de aspergilose causada por construções

      Risco de incidência de infecções entre os funcionários, tais como lesões produzidas por objetos perfurocortantes ou exposição à tuberculose

      Mudanças físicas nas instalações com impacto nas atividades de controle de infecções

      Indivíduos com caso conhecido de tuberculose ativa ou de outras doenças infecciosas

 

Conclusão

Os inspetores e as organizações devem apresentar um resumo das resistências identificadas e das áreas com potencial de problemas nos programas de controle de infecções e incentivar programas educacionais de acordo com a necessidade.

 

Circunstâncias Especiais para o Rastreamento de Sistemas de Controle de Infecções

Nos estudos de organizações complexas (i.e., organizações inspecionadas com base em mais de um manual de programa de acreditação), é necessário agendar uma única sessão de rastreamento de sistemas no controle de infecções. A finalidade dessa sessão é revisar o controle de infecções de todos os serviços prestados pelas organizações. Os participantes desse tipo de rastreamento sistêmico geralmente são indivíduos com capacidade para abordar o controle de infecções em todos os serviços oferecidos pelas organizações.

 

Equipes que Participam do Rastreamento de Sistemas ou Individual

Além dos inspetores, os indivíduos selecionados para participar dos processos de inspeção devem ter capacidade para tratar de temas relacionados ao controle de infecção nos principais departamentos ou áreas dentro das organizações. Esse grupo é formado pelos seguintes tipos de pessoas:

 

      Qualquer indivíduo que estiver envolvido em programas de controle de infecções e outros envolvidos no fornecimento direto de atendimento, tratamento, serviços ou serviços de apoio, incluindo médicos, enfermeiros, farmacêuticos e profissionais de laboratório

      Equipe responsável pelo ambiente dos serviços de atendimento à saúde, saúde ocupacional, administração de emergências e instalações. As lideranças dos setores de segurança dos pacientes e da qualidade costumam fazer parte desse grupo

 

Condução de rastreamentos no controle de infecções

Quando fizerem seus próprios rastreamentos, as organizações devem inscrever membros de equipes que conheçam os padrões da Joint Commission para exercer o papel de inspetores e visitar as áreas mapeadas. Os “inspetores” devem: observar o atendimento direto, entrevistar membros de equipes, revisar registros e questionar as equipes sobre processos, melhorias de desempenho e medições. O feedback sempre faz parte da metodologia do rastreador, considerando que incentiva o aprendizado e cria oportunidades de melhorias.

Ao conduzir as atividades de rastreamento, os líderes e as equipes têm oportunidade de identificar problemas de desempenho e de examinar as interfaces entre os processos das organizações. Isso estimula os esforços organizacionais para integrar a avaliação dos padrões em vigor e o nível de adesão nas práticas diárias. Para todas as organizações, independentemente do tipo de serviço prestado, os processos de rastreamento oferecem oportunidades de pensar a respeito dos desafios do controle de infecções associados ao ambiente de assistência à saúde, à gestão de informações, aos dados relacionados à formação de equipes e aos projetos de programas de infecções com base na coleta de dados.

 

Seleção de Pacientes para Rastreamento

As organizações geralmente utilizam listas de indivíduos que recebem assistência à saúde nas atividades de rastreamento individual que dão suporte ao rastreamento no controle de infecções. Essas listas incluem dados como nomes, localização atual dentro das organizações e diagnósticos. Recomenda-se utilizar os critérios a seguir no processo de seleção individual de pacientes para o rastreamento de sistemas no controle de infecções:

 

      Indivíduos que passam por programas diferentes (p. ex., uma pessoa programada para acompanhamento no tratamento ambulatorial, um paciente de tratamento domiciliar transferido de um hospital, um residente de longa permanência transferido de um hospital ou um paciente que se movimenta do Departamento de Emergências para realização de internação no Centro Cirúrgico, sendo, em seguida, transferido para o Departamento de Serviços de Reabilitação).

      Portadores de febre de origem desconhecida.

      Indivíduos internados com algum tipo de infecção ou que desenvolveram alguma infecção e foram incluídos nos dados para estudo, como, por exemplo, infecção na corrente sangüínea associada a uso de cateter, infecção no trato urinário relacionada a uso de cateter, infecção em sítio cirúrgico ou pneumonia associada à assistência à saúde.

      Indivíduos colocados em alguma forma de isolamento ou precaução devido a diagnóstico de doença infecciosa (somente hospitais) ou por serem imunocomprometidos (somente hospitais).

      Indivíduos que recebem medicamentos por meio de dispositivos aerossolizadores ou em ventiladores.

      Indivíduos utilizando antibióticos ou medicamentos que exijam níveis sangüíneos ou outras análises laboratoriais para cálculo de dosagens.

 

Como Conduzir um Rastreamento

Embora cada rastreamento tenha características próprias e dependa das particularidades dos indivíduos, sistemas ou processos rastreados, as organizações devem usar como modelo a ferramenta apresentada na Figura 12-3. Ela mostra um exemplo dos tipos de perguntas a serem feitas durante os processos de rastreamento. A ferramenta da Figura 12-4 é outro tipo de recurso.

Durante as atividades de rastreamento, os seguintes fatores devem ser levados em consideração:

 

      As perguntas devem abordar os problemas relevantes levantados pelas descobertas feitas durante a metodologia do rastreador. Usar perguntas previamente preparadas como orientação para iniciar os trabalhos.

      Evitar concentrar-se no resultado do rastreamento e procurar resolver problemas à medida que forem surgindo.

      Conduzir os rastreamentos em ocasiões estratégicas, como, por exemplo, durante a noite, nos finais de semana ou nas vésperas de feriados. Isso dá uma melhor idéia da força dos sistemas e dos processos em ocasiões vulneráveis.

      Considerar o fator “surpresa” nos rastreamentos no controle de infecções. Assim, será obtida uma visão mais realista da saúde geral das organizações.

 

A metodologia do rastreador tem se mostrado bastante eficiente, permitindo aos inspetores e às organizações avaliarem as ocorrências. Os rastreamentos comprometem as equipes que fornecem atendimento, tratamento e serviços; observam as transições e não-intervenções para pacientes, clientes ou residentes; incluem revisões de problemas ambientais críticos; e avaliam o nível de conhecimento e de desempenho dos funcionários. Eles podem iniciar de forma genérica, com um paciente, cliente ou residente e as respectivas fichas clínicas e, em seguida, progredir para avaliações detalhadas dos serviços prestados. A metodologia do rastreador bem-executada, com boas técnicas de entrevistas, validação das informações, aprendizado integrado e feedback que confirme a excelência do desempenho e a necessidade de melhorias, é uma ferramenta poderosa para melhorar a qualidade do atendimento, do tratamento e dos serviços prestados.

 

FIGURA 12-3 Avera McKennan Hospital e University Health Center – rastreamento no controle de infecções.

Selecionar um paciente, preferencialmente com infecção nosocomial.

 

SERVIÇO:

Enfermagem              Tratamento Respiratório

Laboratório                Comissão de Medicamentos

Farmácia                                Serviços de Utilidades

Controle de Infecções            Líder da Unidade

 

Líder da Unidade – Compartilhar com toda a equipe

 

Rastreamento

Avaliação

Nível de Educação

1.        Como você evitou a incidência de infecções neste paciente?

 

 

2.        Como você sabia que o paciente estava infectado?

 

 

3.        Quais providências você tomou?

 

 

4.        Como a área de controle de infecções toma conhecimento das infecções?

 

 

5.        Quais os passos da área de controle de infecções?

 

 

6.        Como a doença é transmitida?

 

 

7.        Qual o papel da microbiologia?

 

 

8.        Qual o papel da farmácia quando o médico requisitar um antibiótico?

 

 

9.        Quem é a pessoa responsável pela educação do paciente e da família?

 

 

10.    No caso de isolamento, quem deve tomar as providências?

 

 

11.    Como é feita a documentação?

 

 

12.    Onde estão as políticas de controle de infecções? Como localizá-las? Onde estão os avisos?

 

 

13.    Descreva como colocar um paciente em isolamento.

 

 

14.    O que acontece se você não tiver certeza?

 

 

15.    Quem informa o Departamento Estadual de Saúde? Há alguma política?

 

 

16.    Qual é o papel desempenhado pelo pessoal da manutenção se um paciente tiver de ser colocado em isolamento para evitar transmissão de doenças pelo ar?

 

 

17.    Se o paciente estiver em um ventilador, descreva o processo, o equipamento e a limpeza.

 

 

18.    Como é feita a educação de visitantes?

 

 

19.    Quais providências você tomou para se proteger contra a infecção deste paciente?

 

 

20.    Se este for um caso típico de infecção nosocomial, descreva o programa de estudo.

 

 

21.    Sua unidade recebe feedback a respeito das infecções?

 

 

22.    Quais providências você tomou?

 

 

23.    Por que a área de controle de infecções realiza estudos?

 

 

24.    Você conseguiu algumas melhorias?

 

 

25.    As últimas cinco internações em período de três horas apresentaram sintomas que você geralmente não percebe? Qual sua opinião?

 

 

26.    Você recebeu alguma educação sobre bioterrorismo?

 

 

Outras Perguntas:

 

 

1.        Descreva o processo de prevenção de infecções de sua unidade.

 

 

2.        Em que situações você utiliza gel à base de álcool para fricção das mãos?

 

 

3.        Em que situações você lava as mãos com água e sabonete?

 

 

4.        Qual sua política sobre uso de unhas artificiais?

 

 

5.        Onde você guarda o material estéril? Como é estocado?

 

 

6.        Como você identifica um material estéril?

 

 

7.        Você presencia o Staphylococcus aureus resistente à meticilina com freqüência?

 

 

8.        Os pacientes com SARM são isolados?

 

 

9.        Como você sabe que um paciente tem infecção ou colonização de SARM?

 

 

10.    Em sua unidade, onde os alimentos e as bebidas são permitidos?

 

 

11.    Por que você não pode comer ou beber em áreas de atendimento a pacientes?

 

 

12.    Quem é o pessoal do controle de infecções?

 

 

13.    Como você entra em contato com o pessoal do controle de infecções?

 

 

14.    Foi feita alguma construção em sua unidade? Que informações você recebeu sobre ela?

 

 

15.    Mostre como tirar as luvas, o avental e a máscara.

 

 

16.    Qual seu nível de educação em controle de infecções?

 

 

 

Perguntas específicas da unidade devem ser adicionadas para cada rastreamento.

 

Esta lista de verificação ajuda os profissionais do setor de assistência à saúde a conduzir rastreamentos no controle de infecções e a responder perguntas sobre as condições dos pacientes e sobre os conhecimentos a respeito do controle de infecções.

Fonte: Avera McKennan Hospital e University Health Center, Sioux Falls, SD. Utilizada com autorização.

 

 

FIGURA 12-4 Ferramenta de coleta de dados de rastreamento individual.

Nome do Paciente:

 

Número do Paciente:

 

Idade do Paciente:

 

Data da Internação/Serviço:

Serviços/Unidades/Localização por Ordem de Rastreamento:

1.

2.

3.

4.

5.

6.

Condição/Diagnóstico na Internação:

 

Outras Condições/Diagnósticos:

Equipe de Atendimento (se aplicável):

Enfermagem __________ Terapeuta Respiratório ____________ Assistência Social ____________

Dietista __________________ PT __________________ Terapia Ocupacional ________________

Farmacêutico _____________ Terapeuta ___________ Ajudante _________ Técnico __________

Médico ___________________ Outros ________________________________________________

Unidade/Serviços/Localização

Problemas Identificados Durante o Rastreamento (Atendimento, Segurança, Equipamentos, Ambiente, Competência, Laboratório, Medicamentos, etc.)

Normas e AFPs

Localização n. 1:

Médico: __________________

Arquivo/Info Solicitado:

 

Equipamento n.:

 

 

Localização n. 2:

Médico: __________________

Arquivo/Info Solicitado:

 

Equipamento n.:

 

 

Localização n. 3:

Médico: __________________

Arquivo/Info Solicitado:

 

Equipamento n.:

 

 

Localização n. 4:

Médico: __________________

Arquivo/Info Solicitado:

 

Equipamento n.:

 

 

Localização n. 5:

Médico: __________________

Arquivo/Info Solicitado:

 

Equipamento n.:

 

 

 

As organizações de assistência à saúde podem utilizar esta ferramenta na coleta de dados durante os rastreamentos.

Fonte: Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organizations: Tracer Methodology: Tips and Strategies for Continuous Systems Improvement.

Joint Commission Resources: Oakbrook Terrace, IL, 2005. Utilizada com autorização.

 

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