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Metodologias para Melhoria de Qualidade – FMEA Failure Modes and Effects Analysis

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 19/09/2009

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INTRODUÇÃO

            Diante da realidade dos eventos adversos na assistência, é patente a necessidade de melhorarmos nossos processos, com foco em um resultado que hoje se torna cada vez mais necessário, que é a segurança do paciente.      

      Existem diversas metodologias para estruturar melhorias de processo em busca de uma melhor qualidade para o mesmo. Podemos dizer que existem formas ativas ou reativas de se buscar soluções para um problema em um processo. Quando um evento ocorre, e buscamos achar a causa deste evento, para a partir de então ser proposta uma solução, estamos agindo de forma reativa. Quando paramos para pensar em um processo, buscando quais os possíveis erros que podem acontecer no mesmo, para propor soluções antes que eventos ocorram, estamos agindo de forma ativa.

      Dentro deste contexto da busca ativa de problemas para gerar soluções antes que eventos aconteçam, apresentaremos uma importante ferramenta de análise, chamada de Análise de Tipos e Efeitos de Falhas, conhecido pela sua sigla FMEA, do inglês Failure Modes and Effects Analysis.

 

FMEA - Análise de Tipos e Efeitos de Falhas

            O FMEA é um método sistemático e pró-ativo para avaliar um processo de forma a identificar onde e como ele pode falhar. Além disso, ele também serve para avaliar o impacto que essas falhas podem ter, e unindo todas essas informações, ele identifica que partes do processo têm maior necessidade de serem mudadas.

            Este método começou a ser utilizado no final de 1940 pelas Forças Armadas do EUA. Mais tarde, foi utilizada para a indústria aeroespacial para evitar erros, como durante a década de 1960, ao desenvolver os meios para levar o homem à Lua e trazê-lo de volta à Terra com segurança. No final dos anos 1970 a Ford Motor Company apresentou o FMEA na a indústria automotiva para segurança e análise de regulamentação, além de usar também o FMEA para melhorar a produção e o design. Embora inicialmente desenvolvido pelos militares, a metodologia FMEA é agora amplamente utilizados em uma variedade de indústrias e serviços, incluindo serviços de assistência à saúde.

            Esta metodologia prevê uma avaliação das etapas do processo, quais as falhas que podem acontecer em cada etapa (o que poderia dar errado?), quais as causas dessas falhas (por que a falha aconteceu?) e quais os efeitos dessas falhas (quais seriam as conseqüências de cada falha?). As equipes que usam o FMEA para avaliar os processos e suas possíveis falhas, estão procurando criar correções de forma pró-ativa, ao invés de reagir à ocorrência de um evento adverso. Essa ênfase na prevenção pode reduzir risco de danos tanto para pacientes como para funcionários.

            A utilização do FMEA é particularmente útil na avaliação de um novo processo antes da sua implementação e na avaliação do impacto de uma proposta de mudança para um processo existente. Na Tabela 1 podemos verificar as vantagens e desvantagens da aplicação do FMEA.

 

Tabela 1: Vantagens e Desvantagens do FMEA

Vantagens do FMEA

         Melhorar a qualidade e a segurança de um processo de assistência;

         Aumentar a satisfação dos prestadores da assistência (médicos, enfermagem, etc);

         Coletar informações para reduzir falhas no futuro;

         Identificar e eliminar erros precocemente;

         Enfocar na prevenção de problemas;

         Catalisador para o trabalho em equipe multidisciplinar;

         Reduzir a possibilidade de um mesmo tipo de falha no futuro.

Desvantagens do FMEA

         Dependente da equipe que foi nomeada para a análise;

         Dependente da experiência dos membros da equipe nomeada;

         Dependente da existência de dados para serem analisados;

         O cálculo do Coeficiente da Prioridade de Risco (veja a seguir) pode mascarar algumas falhas grandes ou valorizar falhas pequenas devido à forma como é feito o cálculo.

 

Passos para Execução do FMEA

            A seguir, descreveremos os 7 passos na execução do FMEA. A Figura 1 mostra um resumo dessas etapas, e a Tabela 3 traz um exemplo da aplicação do FMEA em uma etapa relacionada à prescrição médica manual.

 

         Passo 1: selecione um processo para ser analisado com o FMEA. Se não tiver experiência, selecione um processo simples, com poucas etapas para serem analisadas.

         Passo 2: crie uma equipe multidisciplinar de análise, lembrando de incluir representantes de todas as etapas do processo em questão (se o processo for, por exemplo, relacionado a medicações, será necessário envolver médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e farmacêuticos da instituição).

         Passo 3: a equipe deve elencar todas as etapas do processo, algo que pode levar algum tempo, mas é fundamental antes de dar seqüência à análise. Pode ser útil criar um fluxograma nessa fase.

         Passo 4: para cada etapa descrita, descrever todos os possíveis tipos de falha, ou seja, tudo que pode dar errado, incluindo problemas raros e pequenos. A seguir, deve-se listar a causa de cada uma dessas falhas.

         Passo 5: para cada tipo de falha, a equipe irá calcular o Coeficiente da Prioridade do Risco (RPN, do inglês Risk Priority Number), que é um produto dos valores (que variam de 1 a 10) atribuídos a três itens. Os três itens em questão são: Ocorrência, Gravidade e Detecção, que são graduados de 1 a 10 (vide Tabela 2 para maiores detalhes). Sendo assim, o produto pode variar de 1 (1 x 1 x 1) a 1000 ( 10 x 10 x 10), sendo que quanto maior esse produto, pior é a falha descrita. As perguntas que devem ser feitas para se chegar aos valores são:

 

ü  Ocorrência: Qual a chance desse tipo de falha ocorrer?

ü  Gravidade: Se a falha ocorrer, qual a gravidade do dano que pode ser gerado?

ü  Detecção: Se a falha ocorrer, qual a chance de ser detectada?

 

         Passo 6: avaliar os resultados. O ideal é pegar os 10 tipos de falha que tiveram os maiores Coeficientes da Prioridade do Risco (RPN), e considerá-los como as mais importantes oportunidades de melhoria.

         Passo 7: use os RPN´s para definir os planos de melhoria.

 

ü  Se a ocorrência é alta tente eliminar as causas, adicionando verificações como dupla-checagem, alertas informatizados, ou funções forçadas (peças que não se encaixam se não forem colocadas na posição correta).

ü  Se a detecção é baixa, identifique eventos que ocorrem antes da falha para que os mesmos sinalizem a chance de erro para quem realiza a etapa a seguir, adicione uma nova etapa de verificação ao processo, considere a possibilidade de automatizar o processo.

ü  Se a gravidade é alta, treine as equipes para rápido reconhecimento de forma a tomar medidas rápidas quando ocorrer um evento, forneça a informação para quem pode vivenciar esse tipo de problema.


Tabela 2: Níveis de 1 a 10 para Ocorrência, Gravidade e Detecção

OCORRÊNCIA

 

GRAVIDADE

 

DETECÇÃO

 

Quase nunca

1

Nenhuma

1

Quase certa

1

Mínima

2

Mínima

2

Muito Alta

2

Rara

3

Muito pequena

3

Alta

3

Baixa

4

Pequena

4

Moderadamente alta

4

Ocasional

5

Moderada

5

Média

5

Moderada

6

Significativa

6

Baixa

6

Frequente

7

Grande

7

Muito Baixa

7

Alta

8

Extrema

8

Mínima

8

Muito Alta

9

Séria

9

Rara

9

Quase certa

10

Catastrófica

10

Quase impossível

10

 

Figura 1: Resumo das Etapas do FMEA

 

Tabela 3: Exemplo de uma falha na prescrição médica analisada pelo FMEA 

Processo

Prescrição Médica

Função

Tratamento do Paciente

Tipo de Falha

Prescrever

Dose Errada

Efeito

Reações Adversas

Causa

Falha Humana

         Ocorrência

5

         Gravidade

7

         Detecção

4

RPN

140

Ação

Criar Prescrição Eletrônica

Responsável

Informática

Prazo

Julho

2010


BIBLIOGRAFIA

1.             Institute of Healthcare Improvement – FMEA Tools – http://www.IHI.org/ihi/workspace/tools/fmea/

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