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Hipotireoidismo

Autor:

Adriana Striebel

Médica internista e endocrinologista.

Última revisão: 04/12/2013

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Versão original publicada na obra Fochesatto Filho L, Barros E. Medicina Interna na Prática Clínica. Porto Alegre: Artmed; 2013.

 

Caso Clínico

Uma paciente do sexo feminino, 62 anos, branca, comparece ao posto de saúde devido a cansaço, ganho de peso, constipação e sintomas depressivos há cerca de quatro meses. Ela relata também dislipidemia e afirma não utilizar medicamentos, nem ter feito cirurgias prévias. Ao realizar exame físico, a paciente apresenta edema bipalpebral, frequência cardíaca de 64 bpm, pressão arterial de 130/100 mmHg, ausculta cardíaca com hipofonese de bulhas, pele seca, fala arrastada e macroglossia. Na investigação complementar, há coleta para dosagem sérica de hormônio tireoestimulante (TSH) e tiroxina livre (T4L).

 

Definição

O hipotireoidismo é uma síndrome clínica resultante da deficiente produção ou ação dos hormônios tireoidianos – tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4) –, com consequente lentificação generalizada dos processos metabólicos.

A terminologia hipotireoidismo central é preferível a hipotireoidismo secundário e terciário, uma vez que nem sempre é possível fazer a distinção entre causas hipofisárias e hipotalâmicas.

O hipotireoidismo pode ser classificado em primário, secundário e terciário (Tab. 23.1).

Na Figura 23.1, tem-se um esquema do funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide e a localização das alterações nos três tipos de hipotireoidismo.

 

 

Epidemiologia

O hipotireoidismo primário corresponde a 95% do total de casos de hipotireoidismo (Quadro 23.1).

  

 

*Para obter mais informações, ver Capítulo Tireoidites.

**Para obter mais informações, ver Capítulo Hipertireoidismo.

 

 

Figura 23.1

Funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide e localização das alterações conforme o tipo de hipotireoidismo.

 

A incidência anual de hipotireoidismo autoimune é de 4 para cada 1.000 mulheres e de 1 para cada 1.000 homens. A idade média de diagnóstico é aos 60 anos, e a prevalência aumenta com a idade.

O hipotireoidismo subclínico afeta 6 a 8% das mulheres (10% acima dos 60 anos) e 3% dos homens.

Já o hipotireoidismo central é raro, representando menos de 1% de todos os casos (Tab. 23.2).

 

Etiologia

As principais causas do hipotireoidismo estão listadas no Quadro 23.2.

A tireoidite autoimune (tireoidite de Hashimoto) é uma condição em que uma alteração da imunidade mediada por células T causa a destruição do tecido tireoidiano e prejudica o funcionamento da glândula. No exame histológico, há infiltrado linfocítico e fibrose.

Drogas e contrastes radiológicos podem reduzir a liberação ou bloquear a síntese dos hormônios tireoidianos em função da quantidade excessiva de iodo que apresentam. O lítio também aumenta a quantidade de iodo intratireoidiano, inibe o acoplamento de resíduos de iodotirosina para formar iodotironinas (T4 e T3) e inibe a liberação de T4 e T3. No entanto, a predisposição ao hipotireoidismo é maior quando há doença autoimune subjacente.

 

 

 

 * Para obter mais informações, ver Capítulo Tireoidites.

 

Sinais e Sintomas

A apresentação clínica depende da idade, do sexo e das condições físicas do paciente, bem como da intensidade do hipotireoidismo. Os sintomas da doença são muitas vezes inespecíficos, e vários pacientes com hipotireoidismo bioquímico podem ser assintomáti cos ou oligossintomáticos. Além disso, pacientes com hipotireoidismo central tendem a apresentar menos variedades de sintomas.

Os principais sinais e sintomas e as anormalidades encontradas em outros exames que não os de função tireoidiana estão citados no Quadro 23.3.

  

 

O hipotireoidismo grave de longa duração não diagnosticado ou tratado inadequadamente pode culminar em coma mixedematoso, caracterizado por hipotermia, bradicardia, hipotensão, alteração do estado mental e falência orgânica múltipla.

 

Em casos de hipotireoidismo congênito, a maioria das crianças é assintomática ao nascimento e menos de 10% apresentam-se com icterícia fisiológica prolongada, problemas relacionados à amamentação, choro rouco, constipação, sonolência, hipotonia, macroglossia, maturação óssea atrasada e hérnia umbilical. Se o tratamento não é instituído, ocorre dano neurológico permanente, baixa estatura e atraso do desenvolvimento puberal, quadro denominado cretinismo.

 

Diagnóstico

O diagnóstico de hipotireoidismo é estabelecido com dados da história do paciente e exame físico, associado à avaliação hormonal (TSH e T4 livre), a qual é imprescindível para a confirmação do diagnóstico.

Caso haja suspeita de hipotireoidismo primário, a investigação pode começar apenas com a dosagem de TSH. Se este estiver alterado, deve-se solicitar T4 livre.

Em casos de hipotireoidismo primário, evidencia-se um nível sérico de TSH elevado. Medidas do T4 livre confirmam o diagnóstico positivo para a doença e caracterizam sua gravidade. Um T4 livre baixo associado a TSH persistentemente elevado estabelece o diagnóstico de hipotireoidismo primário franco, enquanto um T4 livre normal com TSH elevado caracteriza hipotireoidismo primário subclínico.

Para diagnóstico de hipotireoidismo central, o nível do TSH não é confiável para avaliação da função tireoidiana. O T4 livre deve ser dosado, e um nível baixo ou normal baixo pode confirmar o diagnóstico. O TSH nesses pacientes pode ser baixo, normal ou mesmo um pouco elevado.

O diagnóstico de hipotireoidismo congênito é realizado por meio de dosagem de TSH e T4 no teste do pezinho.

Na Figura 23.2, há um fluxograma para avaliação diagnóstica de pacientes com hipotireoidismo.

 

Tratamento

O tratamento consiste na administração de levotiroxina em uma dose única diária, em jejum.

 

 

Figura 22.2

Fluxograma para avaliação diagnóstica de pacientes com hipertireoidismo.

diminuído; aumentado; normal.

Fonte: Adaptada de Goldman e Ausiello¹ e Vilar².

 

No hipotireoidismo primário, a adequação do tratamento e a resposta podem ser avaliadas com a dosagem de TSH e, no hipotireoidismo central, com o nível de T4 livre.

 

Caso Clínico Comentado

O caso relatado neste capítulo é de uma paciente com sintomas e sinais inespecíficos, como costuma ocorrer com pacientes com hipotireoidismo.

O diagnóstico do hipotireoidismo tem como base principalmente testes laboratoriais, em vista da falta de especificidade das manifestações clínicas típicas. No caso em questão, a paciente realizou dosagem de TSH e T4 livre, sendo que o nível do primeiro estava aumentado, e o do segundo, diminuído. Como a paciente não tinha história de cirurgia, irradiação no pescoço ou uso de medicamentos, foram solicitados anticorpos, os quais forneceram resultados positivos e confirmaram o diagnóstico de tireoidite de Hashimoto, a causa mais comum de hipotireoidismo primário no Brasil.

 

Referências

1.Goldman L, Ausiello D, editors. Cecil medicine. 23rd. ed. Philadelphia: Saunders; 2008.

2.Vilar L, editor. Endocrinologia clínica. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006.

Leituras Recomendadas

Bandeira F, Graf H, Griz L, Faria M, Lazaretti-Castro M, editores. Endocrinologia e diabetes. 2. ed. Rio de Janeiro: Medbook; 2009.

Kasper D, Fauci A, Longo DL, Braunwald E, Hauser SL, Jameson JL, editor. Harrison´s principles of internal medicine. 16th ed. New York:McGraw-Hill; 2005.

Roberts CGP, L a nderson PW. Hy pothy roid ism . L a ncet.2004;363(9411):793-803.

Warrell DA, Cox TM, Firth JD, Benz EJ Jr, editors. Oxford textbook of medicine. 4th ed. Oxford: Oxford University; 2005.

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