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Hidroxiureia em Doses Escalonadas em Anemia Falciforme

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 23/07/2020

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Contexto Clínico>>>

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A África subsaariana é região de alta prevalência e incidência de anemia falciforme. Entre os poucos tratamentos existentes, a hidroxiureia tem comprovação em termos de eficácia, além de bons dados de segurança e viabilidade econômica de uso para crianças com essa condição. estudos que mostram incidência reduzida de eventos vaso-oclusivos, além de menor mortalidade. Porém, não se sabe qual o melhor regime de dosagem, e uma dúvida é se escalonar a dose até o máximo tolerado pode ser benéfico, sem aumentar demais a toxicidade. >>>>

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O Estudo>>>

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Este é um estudo randomizado, duplo-cego, no qual os pesquisadores compararam a hidroxiureia em uma dose fixa (aproximadamente 20 mg por quilograma de peso corporal por dia) com o aumento da dose (aproximadamente 30 mg por quilograma por dia). O desfecho primário foi nível de hemoglobina de 9,0 g ou mais por decilitro ou nível de hemoglobina fetal de 20% ou mais após 24 meses. Os desfechos secundários incluíram a incidência de malária, crises vaso-oclusivas e eventos adversos graves.>>>>

As crianças receberam hidroxiureia em dose fixa (94 crianças; idade médiaDP]: 4,6 ± 1,0 anos) ou com escalonamento da dose (93 crianças; idade média: 4,8 ± 0,9 anos); as doses médias foram de 19,2 ± 1,8 mg por quilograma por dia e de 29,5 ± 3,6 mg por quilograma por dia, respectivamente. O conselho de monitoramento de dados e segurança interrompeu o estudo quando o número de eventos clínicos foi significativamente menor entre as crianças que receberam doses escalonadas do que entre as que receberam uma dose fixa. No encerramento do estudo, 86% das crianças no grupo de escalonamento da dose atingiram os limiares de resultado primário, em comparação com 37% das crianças no grupo de dose fixa (P < 0,001). As crianças do grupo com aumento da dose tiveram menos eventos adversos relacionados às células falciformes (taxa de incidência de 0,43; intervalo de confiança [IC] de 95%, 0,34-0,54), crises de dor vaso-oclusiva (taxa de incidência de 0,43; IC 95%, 0,34-0,56), casos de síndrome torácica aguda ou pneumonia (taxa de incidência de 0,27; IC 95%, 0,11-0,56), transfusões (taxa de incidência de 0,30; IC 95%, 0,20-0,43) e hospitalizações (taxa de incidência de 0,21; IC 95%, 0,13-0,34). Os efeitos tóxicos limitadores de dose confirmados em laboratório foram semelhantes nos dois grupos, e não houve casos de neutropenia grave ou plaquetopenia.>>>>

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Aplicação Prática >>>

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Este interessante ensaio clínico randomizado traz uma importante informação para o manejo da anemia falciforme. Feito em ambiente propício (África subsaariana) e com bom volume de casos, a interrupção precoce do estudo pelo benefício evidente da intervenção deve ser considerada. Se o estudo foi desenhado para ter como desfecho primário algo substitutivo e laboratorial (valores de hemoglobina total e fetal), as menores incidências de síndromes clínicas no grupo de intervenção constituem algo realmente positivo e de importância prática. Essa melhor eficácia da dosagem escalonada de hidroxiureia vem acompanhada de bom perfil de segurança, o que nos leva na direção da adoção dessa prática com base nesses resultados, ainda que de apenas um ensaio clínico, mas com resultados valorosos aos pacientes.>>>>

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Bibliografia>>>

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1.             >>John CC et al. Hydroxyurea Dose Escalation for Sickle Cell Anemia in Sub-Saharan Africa. N Engl J Med 2020; 382:2524-2533>>

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