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Dieta DASH e insuficiência cardíaca

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 19/06/2009

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Dieta DASH e insuficiência cardíaca

 

Consistência com a dieta DASH e incidência de insuficiência cardíaca

Consistency With the DASH Diet and Incidence of Heart Failure. Arch Intern Med. 2009;169(9):851-857[Link para Abstract].

 

Fator de impacto da revista (archives of internal medicine): 8,391

 

Contexto Clínico

            A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension - abordagens dietéticas para parar a hipertensão) reduz efetivamente a pressão arterial. A dieta DASH consiste de grande ingestão de frutas, verduras e legumes, laticínios desnatados e grãos integrais. Em alguns estudos observacionais, a associação entre dietas tipo DASH e o risco de doença coronariana e acidente vascular cerebral foi avaliada com resultados variados. Em relação a associação entre dietas tipo DASH e a incidência de insuficiência cardíaca pouco se conhece. Desta forma, os autores realizaram um estudo observacional com a hipótese de que dietas consistentes com a dieta DASH estariam associadas com uma menor incidência de insuficiência cardíaca (IC).

 

O Estudo

            Foi um estudo de coorte prospectivo com 36.019 participantes da Coorte Sueca de Mamografia, com idade entre 48 e 83 anos, sem insuficiência cardíaca, diabetes mellitus ou infarto do miocárdio de base. A dieta foi medida utilizando-se questionários de frequência alimentar. Foi criado um escore para avaliar a consistência com a dieta DASH atribuindo-se notas à ingestão de componentes da dieta DASH e 3 escores adicionais baseados em diretrizes de alimentos e nutrientes. O modelo de Cox foi utilizado para calcular as taxas de morte e hospitalização por insuficiência cardíaca determinados através dos registros suecos de internação e causa de morte de janeiro de 1998 até dezembro de 2004.

 

Resultados

            Durante os sete anos de seguimento, 443 mulheres desenvolveram insuficiência cardíaca. Mulheres no quartil superior do escore de dieta DASH baseado nas notas dos componentes da dieta DASH apresentaram uma incidência de insuficiência cardíaca 37% menor, após ajuste para idade, atividade física, ingestão calórica, status educacional, história familiar de infarto agudo do miocárdio, tabagismo, uso de terapia de reposição hormonal na pós-menopausa, morar sozinho, hipertensão, hipercolesterolemia, índice de massa corpórea, e infarto do miocárdio incidente. As razões de taxas de incidência através dos quartis de escore de dieta DASH foram 1 (referência); 0,85 (IC95% 0,66 – 1,11); 0,6 (IC95% 0,54 – 0,88) e 0,63 (IC95% 0,48 – 0,81) (p para tendência <0,001). Um padrão semelhante foi observado utilizando-se os escores baseados em diretrizes nutricionais.

 

Aplicações para a Prática Clínica

            Foi um estudo muito bem feito, em que se utilizaram 4 escores distintos para se avaliar a consistência da dieta dos participantes com a dieta DASH, e como resultado os autores observaram uma taxa de incidência de insuficiência cardíaca 37% menor entre as cerca de 14.000 mulheres (25% da coorte) com dieta mais próxima da dieta DASH avaliada pelos escores supracitados (particularmente o escore que graduava os componentes da dieta DASH)  em comparação com as 25% das mulheres com a dieta mais diferente da dieta DASH. A relação da dieta DASH com outros desfechos cardiovasculares já foi avaliada em vários estudos observacionais, muitos deles mostrando associações estatisticamente significativas entre a dieta DASH e a incidência de doença coronariana aguda e acidente cerebrovascular. Também há evidências de associação entre a dieta DASH e reduções significativas nos níveis pressóricos2. No estudo DASH original, após 2 meses, os pacientes sob a dieta DASH tiveram uma queda na pressão sistólica média de 5,5 mmHg, um valor semelhante ao obtido com o uso de monoterapia de anti-hipertensivo. Além do efeito sobre a pressão arterial, a dieta DASH parece ter outros efeitos benéficos tais como redução dos níveis de colesterol LDL e redução do estresse oxidativo. Uma das limitações do estudo se deve ao fato de as causas e os subtipos de insuficiência cardíaca não terem sido determinados. Além disso, os casos de IC adjudicados no estudo foram as IC que causaram hospitalização ou morte (IC mais graves), o que torna os resultados do estudo não generalizáveis para casos de IC ambulatoriais (IC mais leves), embora possivelmente os resultados também se apliquem a casos leves de IC. Hipertensão arterial foi avaliada através de auto-relato e não por medidas clínicas que são mais confiáveis. Também não foram incluídos pacientes com altas taxas de incidência de IC e cardiopatia hipertensiva, e também não avaliou homens. Independente destas questões de validade interna e externa, os resultados têm alta plausibilidade biológica, além do fato de que modificações saudáveis na dieta têm baixo custo e praticamente nenhum risco conhecido. Portanto, este editor acredita que uma dieta tipo DASH deva ser orientada como forma de minimizar eventos cardiovasculares, incluindo a incidência de insuficiência cardíaca

 

Bibliografia

1. Levitan EB, Wolk A, Mittleman MA. Consistency With the DASH Diet and Incidence of Heart Failure. Arch Intern Med. 2009;169(9):851-857.

2. Olmos RD, Benseñor IM. Dietas e hipertensäo arterial: Intersalt e estudo DASH / Diet and hypertension: Intersalt and DASH diet study. Rev Bras Hipertens 2001; 8(2):221-224 [Link para Artigo Completo].

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