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Idade das hemácias usadas em transfusão e desfechos em pacientes críticos

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 18/06/2018

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Contexto Clínico

 

Cada vez mais se restringe o uso de transfusão de concentrado de hemácias em pacientes críticos dado o pouco impacto dessa conduta. Entretanto, ainda existem situações em que há necessidade de transfusão. As hemácias, com o tempo de estocagem, tendem a perder suas capacidades reológicas e, por exemplo, da maleabilidade da parede celular para circular em capilares de fino calibre, que dependem da adaptação da célula. Sendo assim, concentrados mais velhos poderiam oferecer maiores riscos aos pacientes, e não é certo se a duração do armazenamento de glóbulos vermelhos afeta a mortalidade após a transfusão entre adultos criticamente doentes.

 

O Estudo

 

Em um estudo internacional, multicêntrico, duplo-cego, pacientes adultos criticamente doentes foram randomizados para receber concentrado de hemácias novas e compatíveis, alogênicas (grupo de armazenamento de curto prazo) ou concentrado de hemácias compatíveis e padrão (concentrado mais antigo disponível; grupo de armazenamento a longo prazo). O desfecho primário avaliado foi a mortalidade de 90 dias.

De novembro de 2012 a dezembro de 2016, em 59 centros em cinco países, 4.994 pacientes foram randomizados e 4.919 (98,5%) foram incluídos na análise primária. Entre os 2.457 pacientes do grupo de armazenamento de curto prazo, a duração média de armazenamento foi de 11,8 dias. Entre os 2.462 pacientes do grupo de armazenamento a longo prazo, a duração média de armazenamento foi de 22,4 dias.

Aos 90 dias, houve 610 óbitos (24,8%) no grupo de armazenamento de curto prazo e 594 (24,1%) no grupo de armazenamento de longo prazo (diferença de risco absoluto, 0,7 ponto percentual, IC 95% -1,7 a 3,1; P = 0,57). Aos 180 dias, a diferença de risco absoluto foi de 0,4 pontos percentuais (IC 95%, -2,1 a 3,0; P = 0,75). A maioria dos desfechos secundários pré-especificados não apresentou diferenças significativas entre os grupos no resultado.

 

Aplicação Prática

 

Apesar da dúvida pertinente dos autores (e de muitos médicos na sua prática diária também), este importante e robusto ensaio clínico demonstrou que a idade dos glóbulos vermelhos transfundidos não afetou a mortalidade de 90 dias entre adultos criticamente doentes. Sendo assim, com base na qualidade da evidência fornecida por essa publicação, não é necessário se preocupar com o tempo de armazenamento das hemácias, pelo menos dentro dos períodos médios de armazenamento do grupo controle, que foi em torno de 22 dias (obs.: o estudo foi financiado pelo Australian National Health).

 

 

Bibliografia

 

Cooper DJ et al. Age of Red Cells for Transfusion and Outcomes in Critically Ill Adults. N Engl J Med 2017; 377:1858-1867.

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