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Morte Súbita em Esportes Competitivos

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 18/06/2018

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Contexto Clínico

 

A incidência de parada cardíaca repentina durante a participação em atividades esportivas continua desconhecida. Os programas de triagem de preparação física destinados a prevenir a parada cardíaca súbita durante atividades esportivas são capazes de identificar atletas em risco; no entanto, a eficácia desses programas continua controversa. Os autores deste estudo buscaram identificar todas as paradas cardíacas súbitas ocorridas durante a participação em atividades esportivas dentro de uma região específica do Canadá para determinar suas causas.

 

O Estudo

 

Este é um estudo retrospectivo, utilizando um banco de dados de parada cardíaca no Canadá (que contém registros de cada parada cardíaca atendida por paramédicos em uma determinada região) para identificar todas as paradas cardíacas extra-hospitalares ocorridas entre 2009 e 2014 em pessoas de 12 a 45 anos de idade durante a participação em um esporte.

Os casos foram julgados como morte súbita (ou seja, causa cardíaca) ou como um evento resultante de uma causa não cardíaca, com base em registros de fontes múltiplas, incluindo relatórios de chamadas de ambulâncias, relatórios de autópsia, dados hospitalares e registros de entrevistas diretas com pacientes ou membros da família.

Ao longo de 18,5 milhões de pessoas-ano de observação, 74 paradas cardíacas repentinas ocorreram durante a participação em um esporte; destas, 16 foram durante esportes competitivos e 58 durante esportes não competitivos. A incidência de parada cardíaca súbita durante esportes competitivos foi de 0,76 casos por 100 mil atletas-ano, com 43,8% dos atletas sobrevivendo até alta a hospitalar.

Entre os atletas competitivos, duas mortes foram atribuídas à cardiomiopatia hipertrófica e nenhuma à cardiomiopatia ventricular direita arritmogênica. Três casos de parada cardíaca súbita que ocorreram durante a participação em esportes competitivos foram determinados como sendo potencialmente identificáveis caso os atletas tivessem sido submetidos à triagem pré-participação.

 

Aplicação Prática

 

Este grande estudo observacional fornece uma interessante base de dados para se conhecer a realidade das mortes súbitas em prática esportiva. Neste levantamento envolvendo pessoas que tiveram parada cardíaca extra-hospitalar, a incidência de morte súbita durante a participação em esportes competitivos foi de 0,76 casos por 100 mil atletas-ano, bastante baixa.

A ocorrência de parada cardíaca súbita por doença cardíaca estrutural foi incomum durante a participação em esportes competitivos. Obviamente, este estudo não responde completamente a questão, pois diferenças populacionais podem influenciar os resultados em outros contextos; mesmo assim, ele fornece bons insights sobre a realidade do tema.

 

 

Bibliografia

 

Landry CH et al. Sudden Cardiac Arrest during Participation in Competitive Sports. N Engl J Med 2017; 377:1943-1953

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