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Reanimação cardiopulmonar apenas com compressão torácica vs compressão torácica e ventilação

Autores:

Ricardo Casalino Sanches de Moraes

Especialista em Cardiologia pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Médico Colaborador do Grupo de Válvula do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Leonardo Vieira da Rosa

Médico Cardiologista pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Médico Assistente da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Doutorando em Cardiologia do InCor-HC-FMUSP. Médico Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês.

Última revisão: 13/08/2010

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Reanimação cardiopulmonar apenas com compressão torácica vs. compressão torácica e ventilação

 

Reanimação cardiopulmonar com compressões torácicas isoladamente ou associadas com ventilação de resgate

 

Fator de impacto da revista (New England Journal of Medicine): 50,017

 

Contexto Clínico

É de suma importância o reconhecimento da parada cardiorespiratória (PCR) e o rápido atendimento com manobras de reanimação cardiopulmonar nos pacientes vítimas de morte súbita. Sabe-se que a rapidez do atendimento e a qualidade da reanimação estão diretamente correlacionadas a menor morbi-mortalidade e maior chance de alta hospitalar.

Divide-se a PCR em 3 fases: 1) fase elétrica, 2) fase circulatória e 3) fase metabólica.

A fase elétrica corresponde aos quatro primeiros minutos do colapso cardíaco, neste período a desfibrilação pode reverter o quadro e diminuir a chance das alterações metabólicas deletéricas.

A fase circulatória, com duração média de dez minutos, representa a privação máxima dos substratos necessários ao metabolismo normal. Caso não seja revertida, o paciente evoluirá para fase metabólica, representada por acidose e disfunção celular graves, com diminuta chance de reversão do ritmo de parada e com evolução subseqüente para assistolia e óbito.

 

O Estudo

Randomizado, multicêntrico com análise de dados de forma prospectiva. Os pacientes foram incluídos, de forma aleatória, conforme chamado para ambulância ao atendimento de emergência (número 911). Antes da chegada da equipe ao local do socorro, um envelope lacrado era aberto com as orientações sobre a estratégia a ser utilizada pela equipe (compressão vs ventilação + compressão).

O critério de inclusão foi estabelecido como qualquer vítima de parada cardiorespiratória com mais de 18 anos. O critério de exclusão foi qualquer causa não cardíaca de PCR (trauma, afogamento ou asfixia).

            Foram incluídos 5000 PCRs no estudo, sendo que a análise foi realizada em 1941 pacientes (981 no grupo de compressão e 960 no grupo compressão + ventilação).   O desfecho primário foi alta hospitalar e desfechos secundários foram: quadro neurológico na alta hospitalar e retorno à circulação espontânea durante atendimento inicial.

 

Resultados

Não houve diferenças significativas entre os grupos em relação à alta hospitalar - compressão torácica (12,5%) vs compressão torácica + ventilação de resgate (11%), P = 0,31). Em relação ao desfecho secundário, a evolução neurológica nos dois grupos foi similar sem diferença estatística (14,4% e 11,5%, respectivamente, P = 0,13). Quando se analisa os subgrupos separadamente observa-se uma tendência a maior sobrevida no grupo compressão torácica para pacientes com PCR de causa cardíaca (15,5% vs 12,3%, P = 0,09) e aqueles com ritmos de parada de choque (31,9% vs 25,7%, P = 0,09).

 

Aplicação clínica

Esse artigo reforça à tendência da nova abordagem de atendimento, cenário do BLS, que seria a estratégia de “Hands only”(somente compressão). Observamos pelos resultados que não ocorreu diferença significativa entre as duas estratégias, o que comprovaria uma não inferioridade do atendimento somente com técnica de compressão torácica.

A principal limitação detectada foi à abordagem sistematizada adotada no grupo compressão e ventilação, que utilizou a relação de 15:2 (compressão/ventilação), ao invés de 30:2, que é a recomendação mais atual. Na análise de subgrupos, houve melhor evolução na sobrevida daqueles pacientes como causa cardíaca de parada os ritmos de choque. Essa informação com certeza é relevante, mas não definitiva, ou seja, apenas é “geradora de hipótese”.

A abordagem inicial de PCR apenas com compressão torácica é uma estratégia eficaz e não inferior, podendo ser prontamente instituída em todos pacientes vítimas de morte súbita. Naqueles casos onde a PCR ocorreu por hipóxia, a ventilação é mandatória.

 

Bibliografia

 

1.         Rea TD, Fahrenbruch C, Culley L, Donohoe RT, Hambly C, Innes J, et al. CPR with Chest Compression Alone or with Rescue Breathing. New England Journal of Medicine. 2010;363(5):423-33.

2.         Cardiopulmonary resuscitation by bystanders with chest compression only (SOS-KANTO): an observational study. Lancet. 2007 Mar 17;369(9565):920-6.

3.         Bohm K, Rosenqvist M, Herlitz J, Hollenberg J, Svensson L. Survival is similar after standard treatment and chest compression only in out-of-hospital bystander cardiopulmonary resuscitation. Circulation. 2007 Dec 18;116(25):2908-12.

4.         Iwami T, Kawamura T, Hiraide A, Berg RA, Hayashi Y, Nishiuchi T, et al. Effectiveness of bystander-initiated cardiac-only resuscitation for patients with out-of-hospital cardiac arrest. Circulation. 2007 Dec 18;116(25):2900-7.

5.         Svensson L, Bohm K, Castrèn M, Pettersson H, Engerström L, Herlitz J, et al. Compression-Only CPR or Standard CPR in Out-of-Hospital Cardiac Arrest. New England Journal of Medicine. 2010;363(5):434-42.

 

 

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