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Associação da Fragilidade do Paciente com Desfechos em Cirurgia de Emergência

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 26/01/2021

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Contexto Clínico

 

Países desenvolvidos, e aqueles emdesenvolvimento, têm configurado cada vez mais uma pirâmide etária em que osidosos compõem grande parte da sociedade, e o envelhecimento e a longevidadesão fenômenos instalados. Não de forma infrequente, idosos são submetidos acirurgias de emergência. Mas quanto da fragilidade desses idosos pode impactarnos desfechos de morbidade e mortalidade é algo pouco conhecido, até mesmo emvirtude da heterogeneidade das cirurgias feitas em caráter de emergência.

 

O Estudo

 

Apresentamosum estudo cujo objetivo foi determinar se a associação de fragilidade commorbidade e mortalidade em pacientes com EGS varia com base no nível de riscodo procedimento. Este estudo transversal analisou o arquivo de pacientesinternados do Medicare (janeiro de 2007 a dezembro de 2015) e incluiu todos ospacientes internados que se submeteram a um de sete procedimentos descritos eque representam 80% do volume, das complicações e da mortalidade nos EstadosUnidos. A análise ocorreu de setembro de 2019 a janeiro de 2020. A exposiçãoprimária de interesse foi o nível de procedimento de risco. Os procedimentos foramestratificados em alto risco (ressecção em intestino delgado, ressecção emcólon, reparo de úlcera péptica, lise de aderências peritoneais e laparotomia)e baixo risco (apendicectomia e colecistectomia). O resultado primário foi amortalidade geral em 30 dias após a alta. A fragilidade foi avaliada usando-seum índice de fragilidade baseado em sinistros. A análise de regressão logísticamultivariada foi usada e foi estratificada por nível de risco.

Foramincluídos 882.929 pacientes neste estudo (idade [DP] média, 77,9 [7,5] anos;483.637 [54%] eram mulheres). A mortalidade geral foi de 4,5% (n = 40.304). Oíndice de fragilidade classificou 12,6% (n = 111.513) dos pacientes comofrágeis, e a mortalidade nesse grupo foi de 9,9% (n = 11.307). Os procedimentosde alto risco representaram 53% (n = 468.098) da carga de casos, e amortalidade foi de 6,8% (n = 31.979). Para procedimentos de baixo risco, amortalidade foi de 2% (n = 8.325). A fragilidade foi significativamenteassociada à mortalidade (odds ratio, 1,64; IC de 95%, 1,60-1,68). Após aanálise estratificada, essa associação permaneceu significativa para procedimentosde alto risco (odds ratio, 1,53; IC de 95%, 1,49-1,58) e de baixo risco(odds ratio, 2,05; IC de 95%, 1,94-2,17).

 

Aplicação Prática

 

Neste estudo observacionalfeito com dados dos Estados Unidos, a fragilidade em idosos foisignificativamente associada à mortalidade em pacientes submetidos a cirurgiasde emergência, com associação ainda maior em procedimentos de baixo risco. Aavaliação da fragilidade pré-operatória se mostrou fundamental, mesmo emprocedimentos de baixo risco. Compartilhar os riscos com o paciente efamiliares é algo fundamental quando se fala de cuidado centrado no paciente edecisão compartilhada, e este estudo ajuda a corroborar a necessidade dediálogo e alinhamento de expectativas quando se fala de cirurgia de emergênciaem idosos frágeis.

 

 

Bibliografia

 

1.            Castillo-Angeles M, Cooper Z, Jarman MP,Sturgeon D, Salim A, Havens JM. Association of Frailty With Morbidity andMortality in Emergency General Surgery By Procedural Risk Level. JAMA Surg.Published online November 25, 2020. 

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