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Azitromicina em Pacientes Hospitalizados por COVID-19

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 23/04/2021

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Contexto Clínico

 

Em pacientes com covid-19 grave,acredita-se que a resposta imune do hospedeiro desempenhe um papel fundamentalpara o desenvolvimento de dano alveolar difuso, infiltrados inflamatórios etrombose microvascular. Os macrolídeos estão amplamente disponíveis, e suasegurança está bem estabelecida; além de propriedades antibacterianas, eles sãoconhecidos por terem atividade imunomoduladora. A azitromicina tem atividadeantiviral in vitro contra uma variedade de vírus, e foi relatado queinibe a replicação do SARS-CoV-2 em células Vero e células epiteliais humanasem concentrações que são alcançadas no tecido pulmonar com uma dose de 500 mguma vez por dia. Assim, há plausibilidade demonstrada para justificar um ensaioclínico.

 

O Estudo

 

Apresentamosum ensaio clínico randomizado, controlado, aberto ede plataforma adaptativa (Randomized Evaluation of Covid-19 Therapy[RECOVERY]). Nessa plataforma, há vários tratamentos possíveis que foramcomparados com o cuidado usual em pacientes internados com covid-19 no ReinoUnido. Os pacientes elegíveis e que consentiram foram alocados aleatoriamentepara o padrão usual de cuidado ou padrão usual de cuidado mais azitromicina 500mg uma vez por dia por via oral ou intravenosa por 10 dias ou até a alta (oualocação para um dos outros grupos de tratamento do RECOVERY). Os pacientesforam designados por meio de randomização simples (não estratificada). Os participantese a equipe local do estudo não foram cegados para o tratamento alocado, mastodos os outros envolvidos no ensaio foram cegados para os dados de resultadodurante o ensaio. O desfecho primário foi a mortalidade por todas as causas em28 dias, avaliada na população com intenção de tratar.

Entre 7 de abril e 27 de novembro de2020, de 16.442 pacientes inscritos no estudo RECOVERY, 9.433 (57%) eramelegíveis, e 7.763 foram incluídos na avaliação da azitromicina. A idade médiados participantes do estudo foi de 65,3 anos (SD 15,7), e aproximadamente umterço eram mulheres (2.944 [38%] de 7.763). No total, 2.582 pacientes foramalocados aleatoriamente para receber azitromicina, e 5.181 pacientes foramalocados aleatoriamente para tratamento usual sozinho. No geral, 561 (22%)pacientes alocados para azitromicina e 1.162 (22%) pacientes alocados paracuidados habituais morreram dentro de 28 dias (rate ratio 0,97, IC 95%0,87-1,07; p = 0,50). Nenhuma diferença significativa foi observada na duraçãoda internação hospitalar (mediana de 10 dias [IQR 5 a> 28] vs. 11 dias [5a> 28]) ou na proporção de pacientes que receberam alta do hospital com vidadentro de 28 dias (rate ratio 1,04, IC 95% 0,98?1,10; p = 0,19). Entreaqueles que não estavam em ventilação mecânica invasiva no início do estudo,nenhuma diferença significativa foi observada na proporção que atendeu aodesfecho composto de ventilação mecânica invasiva ou morte (razão de risco0,95, IC 95% 0,87?1,03; p = 0,24).

 

 

Aplicação Prática

 

Neste ensaioclínico aberto e randomizado realizado em pacientesinternados com covid-19, a azitromicina não melhorou a sobrevida ou outrosdesfechos clínicos pré-especificados. O uso de azitromicina em pacientesinternados no hospital com covid-19 deve ser restrito a pacientes nos quais háuma indicação antimicrobiana clara, não havendo evidência disponível até omomento que favoreça seu uso de forma empírica apenas pelo diagnóstico de covid-19.

 

 

Bibliografia

 

1.            Eugenia et al. Azithromycin in patientsadmitted to hospital with COVID-19 (RECOVERY): a randomised, controlled,open-label, platform trial. The Lancet, Volume 397, Issue 10274, 605 - 612

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