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Hipotermia ou Normotermia em Parada Cardíaca Extra-hospitalar

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 11/10/2021

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Contexto Clínico

 

Há muitos anos a proteção cerebral é tema de discussão nas situações de parada cardíaca, e a hipotermia passou a ser tema de estudo. Atualmente, o controle da temperatura desejada é recomendado para pacientes após a parada cardíaca, mas as evidências que suportam essa prática são de baixo grau de certeza.

 

O Estudo

 

Apresentamos um ensaio clínico aberto com avaliação cega dos resultados, no qual 1.900 adultos com coma que tiveram uma parada cardíaca fora do hospital, de causa cardíaca presumida ou causa desconhecida, foram randomizados para se submeter a hipotermia direcionada a 33°C, seguida de reaquecimento controlado, ou normotermia direcionada com tratamento precoce da febre (temperatura corporal, = 37,8°C). O desfecho primário foi a morte por qualquer causa em 6 meses. Os desfechos secundários incluíram o resultado funcional em 6 meses, conforme avaliado com a Escala de Rankin modificada. Os subgrupos pré-especificados foram definidos de acordo com sexo, idade, ritmo cardíaco inicial, tempo de retorno à circulação espontânea e presença ou ausência de choque na admissão. Os eventos adversos pré-especificados foram pneumonia, sepse, sangramento, arritmia resultando em comprometimento hemodinâmico e complicações cutâneas relacionadas ao dispositivo de controle de temperatura.

Um total de 1.850 pacientes foram avaliados para o desfecho primário. Aos 6 meses, 465 de 925 pacientes (50%) no grupo de hipotermia morreram, em comparação com 446 de 925 (48%) no grupo de normotermia (risco relativo com hipotermia, 1,04; IC 95%, 0,94-1,14; P = 0,37). Dos 1.747 pacientes nos quais o resultado funcional foi avaliado, 488 de 881 (55%) no grupo de hipotermia tinham deficiência moderadamente grave ou pior (pontuação da Escala de Rankin Modificada = 4), em comparação com 479 de 866 (55%) no grupo de normotermia (risco relativo com hipotermia, 1,00; IC 95%, 0,92-1,09). Os resultados foram consistentes nos subgrupos pré-especificados. Arritmia resultando em comprometimento hemodinâmico foi mais comum no grupo de hipotermia do que no grupo de normotermia (24% vs. 17%; P < 0,001). A incidência de outros eventos adversos não diferiu significativamente entre os dois grupos.

 

Aplicação Prática

 

Este estudo buscou validar a estratégia de hipotermia no pós-parada cardíaca, porém, em pacientes com coma após parada cardíaca fora do hospital, a hipotermia direcionada não levou a incidência menor de morte em 6 meses do que a normotermia direcionada. Também não houve vantagem quanto à funcionalidade medida pela Escala de Rankin Modificada. Assim, ao menos com base neste ensaio clínico, não há como tecer recomendação forte a favor da estratégia de hipotermia.

 

 

 

Bibliografia

 

1.             Dankiewicz J et al. Hypothermia versus Normothermia after Out-of-Hospital Cardiac Arrest. N Engl J Med 2021; 384:2283-2294

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