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Solução Balanceada ou Soro Fisiológico em Doentes Críticos?

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 14/04/2022

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Contexto Clínico

 

A ressuscitação volêmica em doentes críticos é habilidade fundamental para quem lida com esse perfil de paciente. Nas últimas décadas, um intenso debate sobre o melhor expansor volêmico vem sendo travado, e é bem claro que cristaloides são custo-efetivos. No entanto, há dúvidas sobre se as soluções balanceadas poderiam oferecer vantagens em desfechos (lesão renal e morte) em comparação com o tradicional soro fisiológico a 0,9%.

 

O Estudo

 

Apresentamos um estudo duplo-cego, randomizado e controlado, no qual pacientes críticos foram designados para receber BMES (Plasma-Lyte 148) ou solução salina como fluidoterapia na unidade de terapia intensiva (UTI) por 90 dias. O desfecho primário foi morte por qualquer causa dentro de 90 dias após a randomização. Os desfechos secundários foram o recebimento de nova terapia de substituição renal e o aumento máximo do nível de creatinina durante a permanência na UTI.

Foram recrutados 5.037 pacientes de 53 UTIs na Austrália e na Nova Zelândia; 2.515 pacientes foram designados para o grupo BMES, e 2.522 para o grupo salina. A morte dentro de 90 dias após a randomização ocorreu em 530 de 2.433 pacientes (21,8%) no grupo BMES e em 530 de 2.413 pacientes (22,0%) no grupo salina, em uma diferença de -0,15 ponto percentual (IC 95%, -3,60 a 3,30; P = 0,90). Nova terapia de substituição renal foi iniciada em 306 de 2.403 pacientes (12,7%) no grupo BMES e em 310 de 2.394 pacientes (12,9%) no grupo de solução salina, em uma diferença de -0,20 ponto percentual (IC 95%, -2,96 a 2,56). O aumento médio (±SD) máximo no nível de creatinina sérica foi de 0,41±1,06 mg por decilitro (36,6±94,0 µmol por litro) no grupo BMES e de 0,41±1,02 mg por decilitro (36,1±90,0 µmol por litro) no grupo de solução salina, para uma diferença de 0,01 mg por decilitro (IC 95%, -0,05 a 0,06) (0,5 µmol por litro [IC 95%, -4,7 a 5,7]). O número de eventos adversos graves não diferiu significativamente entre os grupos.

 

Aplicação Prática

 

Neste estudo, fica extremamente claro que o risco de morte ou lesão renal aguda entre adultos criticamente doentes na UTI não teve diferenças quando considerados o uso de foi menor com o uso de BMES e de solução salina. Como o custo da solução salina é menor, ela passa a ser facilmente recomendada como melhor opção na ressuscitação volêmica de doentes críticos.

 

Bibliografia

 

1.             Finfer S et al. Balanced Multielectrolyte Solution versus Saline in Critically Ill Adults. N Engl J Med 2022; 386:815-826

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