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Tiotrópio é opção na asma?

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 12/11/2010

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Terapia com Tiotrópio para Adultos com Asma não Controlada [Link para o Artigo]

 

Fator de Impacto da Revista (New England Journal of Medicine): 50,017

 

Contexto Clínico

O uso de Beta-2 agonistas inalatórios de longa ação melhoram os sintomas de pacientes que não estão bem controlados com o uso de apenas corticóides inalatórios. A idéia deste estudo foi averiguar a possibilidade de outras alternativas ao beta-2 agonista de longa duração. Uma possibilidade seria o uso de anticolinérgico de longa ação inalatório – no caso, o Tiotrópio – que já é uma droga considerada de primeira linha no DPOC mas que ainda não tem estudos consistentes em pacientes asmáticos.

 

O Estudo

Esse é um estudo experimental do tipo ensaio clínico. O estudo é randomizado, cruzado e duplo-cego. Foram selecionados pacientes de pelo menos 18 anos, com história de asma confirmada com reversibilidade com uso de broncodilatadores, VEF1 de pelo menos 40% do predito e não-tabagistas. O desfecho primário a ser analisado foi o primeiro Peak-Flow da manhã. Os desfechos secundários pesquisados foram o VEF1 sem broncodilatadores, número de dias sem sintomas, exacerbações, procura a serviço de saúde, biomarcadores de inflamação de via aérea e respostas a questionários padronizados para sintomas de asma (Asthma Control Questionnaire, Asthma Symptom Utility Index, Asthma Quality-of-Life Questionnaire).

Os pacientes (210) com asma não-controlada em uso de corticóide inalatório em baixa dose (beclometasona 80mcg 2x/dia) foram randomizados entre 3 grupos de intervenção: adicionar beta-2 inalatório de longa duração (salmeterol), adicionar tiotrópio ou dobrar a dose de corticóide inalatório. A duração da intervenção foi de 14 semanas. Todas as análises foram feitas pela intenção de tratar (Intention to Treat Analysis).

 

Resultados e Comentários

Tanto o tiotrópio quanto o salmeterol foram superiores à dobrar a dose de corticóide para o desfecho primário (Primeiro Peak-Flow da manhã), em termos de dias de asma controlada, no VEF1  e nos questionários de sintomas de asma. Em nenhum dos desfechos o tiotrópio foi inferior ao salmeterol. O tiotrópio chegou a ser superior ao salmeterol em relação ao VEF1 sem broncodilatação.

Este é o primeiro estudo a mostrar que o tiotrópio é eficaz na asma. Entretanto são necessários mais estudos para validar esta conduta, por uma questão de consistência de achados. Por hora se mantém as recomendações de guidelines para pacientes em uso de corticóide inalatório sem um bom controle de sintomas: dobrar a dose ou acrescentar beta-2 inalatório de longa duração. Fica a sugestão de se usar o tiotrópio em pacientes que não toleram bem o beta-2 inalatório ou que não estejam respondendo bem com a dose dobrada de corticóide. Ainda não há estudos que associaram as 3 drogas em conjunto para averiguar se esta conduta seria válida em pacientes mais refratários, mas é possível que em breve vejamos algum resultado neste sentido. Não se recomenda o uso de tiotrópio isoladamente pois não há nenhum dado que aponte para a validade desta conduta. A utilização de tiotrópio desponta como uma opção eficaz na asma e é possível que em breve tenhamos mais resultados que suportem a utilização mais ampla desta conduta.

 

Bibliografia

1.    Peters SP et al. Tiotropium bromide step-up therapy for adults with uncontrolled asthma. N Engl J Med 2010 Sep 19

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