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Complicações da púrpura trombocitopênica idiopática crônica

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 21/07/2011

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Especialidades: Hematologia

 

Área de atuação: Medicina de Emergência / Medicina Hospitalar

 

Resumo: este estudo mostra as principais complicações que acometem pacientes com púrpura trombocitopênica idiopática crônica, bem como a frequência em que estas ocorrem.

 

Contexto clínico

A púrpura trombocitopênica idiopática (PTI) é uma doença aguda e autolimitada na maioria dos pacientes acometidos. A PTI crônica é definida por uma plaquetopenia persistente por pelo menos 6 meses. Existem poucos dados na literatura a respeito do prognóstico a longo prazo destes pacientes, o que motivou a realização deste estudo.

 

O estudo

O estudo foi realizado na Dinamarca, por meio de uma coorte que seguiu 407 pacientes com PTI crônica (foram utilizados 10 controles pareados por sexo, idade e comorbidades para cada caso). Foram calculados os riscos relativos (RR) para os desfechos encontrados.

Durante o primeiro ano de seguimento, a hospitalização por infecção foi maior nos pacientes que nos controles (RR: 4,5; IC95% 3,3-6,1). Os pacientes de maior risco eram homens com mais de 60 anos de idade e aqueles com uma ou mais comorbidades. Do segundo ao quinto ano de seguimento, as taxas de internação por infecção diminuíram, mas permaneceram mais altas nos pacientes do que nos controles (RR: 1,8; IC95%: 1,3-2,5).

Durante os cinco anos de seguimento, hospitalizações por sangramento intracraniano foi mais comum nos pacientes do que nos controles (RR: 3,2; IC95%: 1,2-9,0), sendo que todos os pacientes com hemorragia intracraniana tinham plaquetas < 30.000. A taxa de hospitalização por outros episódios de sangramento também foi mais comum nos pacientes do que nos controles (RR: 4,4; IC95%: 2,3-8,3), bem como a taxa de neoplasias hematológicas (RR: 4,7; IC95%: 1,7-12,7). Mielodisplasia foi diagnosticada em 1% dos pacientes e em nenhum controle. A mortalidade geral também foi maior nos pacientes que nos controles (53 vs. 29 / 1.000 pacientes-ano; RR: 2,3; IC95%: 1,8-3,0).

 

Aplicações para a prática clínica

Este estudo mostra bem quais são as complicações que podem ocorrer em um paciente com PTI crônica em um prazo relativamente curto (o estudo foi conduzido por cinco anos). Chama atenção a alta chance de infecções nesses casos (RR: 4,5 no primeiro ano). Os sangramentos que motivaram hospitalização (RR: 4,4) e o desenvolvimento de neoplasias hematológicas (RR: 4,7) mostraram-se de grande importância também. Os pacientes com PTI crônica também morreram mais no período estudado.

Deste estudo, pode-se levar para a prática o conhecimento a respeito daquilo que motiva a ida de um paciente com PTI crônica a um pronto-socorro. Isso auxilia na medida em que, ao saber o que de grave pode acontecer com um doente como este, a investigação e a condução do caso passam a ser melhores. O outro ponto, quando se pensa na condução do caso, é o alerta para o risco de neoplasia hematológica durante a evolução do doente, que sempre deve ser suscitado quando houve alguma alteração na produção medular do doente.

 

Glossário

Risco relativo: é a razão entre a incidência de uma doença nos indivíduos expostos a um fator e a incidência de uma doença nos indivíduos NÃO expostos a este fator. Em termos práticos, é o número de vezes que um grupo exposto a determinado fator ou condição fica doente ou tem um determinado desfecho em relação a um grupo NÃO exposto a este determinado fator ou condição.

 

Bibliografia

1.     Nørgaard M et al. Long-term clinical outcomes of patients with primary chronic immune thrombocytopenia: a Danish population-based cohort study. Blood 2011 Jan 24; [e-pub ahead of print]. (http://dx.doi.org/10.1182/blood-2010-10-312819) (Fator de Impacto: 10,555).

 

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