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Aumento do risco de IAM e de AVC com o uso de pílula anticoncepcional

Autor:

Tatiana Pfiffer Favero

Médica Assistente e Pós-graduanda do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Charité-Universitätsmedizin Berlin, Alemanha.

Última revisão: 24/08/2012

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Aumento do risco de infarto do miocárdio (IAM) e de acidente vascular cerebral (AVC) com o uso de pílula anticoncepcional

 

Especialidades: Ginecologia / Cardiologia / Neurologia

 

Resumo

Estudo baseado numa coorte histórica de 15 anos, realizado na Dinamarca, que avaliou mulheres saudáveis em uso de pílula anticoncepcional e o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio (IAM) associado ao método.

 

Contexto clínico

Diversos estudos já demonstraram o aumento do risco de complicações tromboembólicas associado ao uso de pílulas anticoncepcionais, sendo este um dos pontos importantes e até mesmo obrigatório a ser discutido com as pacientes ao escolher uma alternativa contraceptiva. Os efeitos adversos venosos relacionados aos métodos anticoncepcionais hormonais são bem conhecidos, porém, quanto a potenciais complicações arteriais, os dados são conflitantes. Apesar do fato de o acidente vascular cerebral (AVC) e o infarto do miocárdio (IAM) serem eventos infrequentes em mulheres jovens, suas consequencias a curto e longo prazos são muito mais graves. Dentre as formas de contraceptivos hormonais comercialmente disponíveis, vale destacar pílula oral, injeção intramuscular de progesterona de depósito, anel vaginal, adesivos transdérmicos, implantes subcutâneos e o DIU medicado com progesterona.

O presente estudo objetivou avaliar os riscos de eventos tromboembólicos arteriais (AVC e IAM) associados ao uso de vários tipos de métodos anticoncepcionais hormonais, de acordo com a dose de estrogênio, o tipo de progesterona e a via de administração.

 

O estudo

Trata-se de um estudo de coorte histórica realizado na Dinamarca que acompanhou, durante 15 anos, mulheres saudáveis entre 15 e 49 anos de idade. Foram observadas ao longo deste período 1.626.158 mulheres, tendo sido diagnosticados 3.311 AVC e 1.725 IAM. O risco destes eventos foram significativamente maior no grupo de mulheres que utilizaram pílulas orais com etinilestradiol, sendo que o incremento foi diretamente relacionado à dose do hormônio. Observou-se que doses de etinilestradiol entre 30 e 40 mcg multiplicaram as chances de AVC ou IAM por um fator entre 1,3 e 2,3 em comparação a não usuárias. Já dosagens de etinilestradiol de 20 mcg levaram a um risco relativo entre 0,9 e 1,7. Por outro lado, os demais métodos contraceptivos baseados em progesterona ou mesmo aqueles com estradiol administrados por outras vias que não a oral não elevaram substancialmente o risco de eventos trombóticos arteriais.

 

Aplicações para a prática clínica

O estudo demonstrou que existe uma clara associação entre o uso de contraceptivos orais com etinilestradiol e o risco de eventos adversos arteriais. Apesar da frequencia da trombose arterial em mulheres jovens ser 3 a 4 vezes menor que a venosa, sua mortalidade é maior e as consequências em longo prazo são muito mais severas. Estes dados devem ser levados em consideração ao se prescrever um anticoncepcional hormonal.

 

Bibliografia

1    Lidegaard Ø, Løkkegaard E, Jensen A, Skovlund CW, Keiding N. Thrombotic stroke and myocardial infarction with hormonal contraception. N Engl J Med 2012; 366:2257-226. [link para o artigo] (Fator de impacto: 53,484)

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