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Fatores que afetam o sucesso de uma intubação orotraqueal na primeira tentativa

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 03/09/2013

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Especialidades: Medicina de Emergência

 

Resumo

Este é um estudo que avaliou quais são os fatores que se relacionam com o sucesso de uma IOT na primeira tentativa dentro da sala de emergência.

 

Contexto clínico

A realização de intubação orotraqueal (IOT) é uma habilidade das mais importantes para o médico emergencista, uma vez que é um procedimento que pode salvar a vida do paciente. É muito importante que se consiga realizar a IOT na primeira tentativa, pois isso está associado a menor taxa de complicações. Este estudo apresenta dados sobre fatores que influenciam o sucesso da IOT na primeira tentativa.

 

O estudo

Foram estudadas todas as intubações de 2 departamentos de emergência durante 5 anos. Foram avaliados a especialidade do médico, seu nível de treinamento, o método de intubação, o material utilizado, a previsão de via aérea difícil e a causa que levou à necessidade de IOT.

Foram analisadas as IOT de 1.478 pacientes adultos. Em uma análise multivariada, foi identificado que, entre médicos emergencistas, os seguintes fatores se associaram com sucesso na 1ª intubação:

 

      NÃO ser uma via aérea difícil (OR=5.11; IC95% 3.38 a 7,72);

      ser um residente de emergência de 2º a 4º ano ou ser um médico assistente da emergência (OR=2,39; IC95% 1,61 a 3,55);

      uso de sequência rápida de intubação (OR=2,06; IC95% 1,04 a 3,03).

 

Para médicos que não eram emergencistas, apenas o fato de NÃO ser uma via aérea difícil se associou com o sucesso de intubação na primeira tentativa (OR=3,10; IC95% 1,82 a 5,28).

 

Aplicações para a prática clínica

O primeiro ponto deste estudo é que algo intuitivo acontece na prática. Uma via aérea cuja previsão é não ser difícil é o melhor preditor de sucesso em uma IOT, independentemente da especialidade médica. Entretanto, este estudo traz à tona outros fatores associados com o sucesso de uma IOT na primeira tentativa. O primeiro é o fato de o médico ter mais experiência no departamento de emergência, como ocorre com os residentes a partir de seu 2º ano de especialização e os médicos assistentes emergencistas, os quais têm maior chance de intubar em uma primeira tentativa. Outro fator é o uso de uma técnica treinada e enfatizada durante a formação do emergencista, que é o uso da sequência rápida de intubação.

A experiência e a formação como emergencista, com técnicas treinadas com grande ênfase nesta área da atuação médica (que é crítica para o sistema de saúde e o correto atendimento dos pacientes), mostra-se fundamental dentro de um contexto de saúde pública, em que se espera dos profissionais a capacidade de atuar dentro do seu maior potencial e atingindo os melhores resultados assistenciais.

O estudo demonstra isso fortemente, e este editor, particularmente, acredita na necessidade de se validar a especialidade de Medicina de Emergência no Brasil o quanto antes, algo que já existe em diversos outros países há décadas. Este não é o único estudo que corrobora a necessidade de um emergencista na atuação de pronto-socorro, porém é mais uma evidência da necessidade de uma formação adequada para se trabalhar na área de emergência.

 

Bibliografia

1.    Kim C, Kang HG, Lim TH, Choi BY, Shin YJ, Choi HJ. What factors affect the success rate of the first attempt at endotracheal intubation in emergency departments? Emerg Med J. 2012 Dec 14. [Epub ahead of print] (link para o artigo)

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