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História natural da dupla lesão de valva aórtica

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 06/11/2013

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Especialidades: Cardiologia

 

Resumo

Este estudo mostra o que acontece na evolução natural dos pacientes que apresentam estenose e insuficiência aórtica combinadas.

 

Contexto clínico

Existe uma falta muito grande de evidências que auxiliem o médico a manejar os pacientes que apresentam dupla lesão de valva aórtica. Muitas vezes, o que se faz é tentar utilizar o que está descrito em diretrizes de manejo da estenose aórtica quando esta é mais grave, e o mesmo quando a lesão mais grave é a insuficiência aórtica. Dados prognósticos são escassos na literatura e podem fazer muita diferença no manejo destes pacientes.

O objetivo deste estudo foi mostrar o que acontece na evolução natural dos pacientes que apresentam estenose e insuficiência aórtica combinadas, procurando desvendar quais são fatores prognósticos podem ser utilizados na prática.

 

O estudo

Este foi um estudo de coorte prospectiva que acompanhou 71 pacientes assintomáticos (idade média de 52 anos, sendo 21 mulheres). Os pacientes precisavam apresentar ao menos estenose aórtica moderada, combinada com insuficiência aórtica ao menos moderada também, e fração de ejeção de ventrículo esquerdo (FEVE) preservada, ou seja, = 55%.

A mediana de tempo de seguimento dos pacientes foi de 8,9 anos. Nenhum paciente morreu de causa cardíaca no período de estudo. Do total de 71 casos, 50 evoluíram com indicação de troca valvar. A taxa de pacientes sem ocorrência de eventos com 1, 2, 3, 4, 5 e 6 anos de seguimento foi respectivamente de 82 ± 5%, 62 ± 6%, 49 ± 6%, 33 ± 6%, e 19 ± 5%.

O melhor preditor independente para sobrevida sem eventos foi o pico de velocidade de fluxo aórtico (AV-Vel). Pacientes com AV-Vel entre 3 e 3,9 m/s tiveram taxas de ausência de eventos 94 ± 4%, 88 ± 6%, 65 ± 9%, e 51 ± 9% após 1, 2, 4, e 6 anos de seguimento respectivamente. Pacientes com AV-Vel entre 4 e 4,9 m/s tiveram taxas de 92 ± 4%, 67 ± 7%, 38 ± 8%, e 12 ± 6% e pacientes com AV-Vel = 5 m/s tiveram taxas de 67 ± 8%, 39 ± 10%, 17 ± 9%, e 0% (P < 0,0001).

 

Aplicações para a prática clínica

A grande virtude deste estudo está no fato de ser um dos primeiros a avaliar a história natural de uma condição pouco estudada que é a dupla lesão valvar aórtica. O tempo de seguimento foi razoável (mediana de 8,9 anos) e mostra segurança neste período, não tendo ocorrido mortes de causa cardíaca nestes pacientes, o que leva a crer que podem ser seguidos até que haja uma indicação cirúrgica formal sem maiores problemas. O grande preditor encontrado, mostrando diferença estatisticamente significativa, foi o pico de velocidade de fluxo aórtico. Este índice é um bom parâmetro para mostrar a gravidade tanto da estenose quanto da insuficiência, e é facilmente obtido pelo ecocardiograma, podendo facilmente ser incorporado na prática como medida prognóstica.

 

Bibliografia

1.    Zilberszac R, Gabriel H, Schemper M, Zahler D, Czerny M, Maurer G et al. Outcome of combined stenotic and regurgitant aortic valve disease. J Am Coll Cardiol 2013 Apr 9; 61:1489. (link para o artigo)

2.    Byrd B, Baker M. Mixed aortic stenosis and regurgitation demands our attention. J Am Coll Cardiol 2013 Apr 9; 61:1496. (link para o artigo)

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