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Impacto da mudança de estilo de vida em longo prazo no diabetes tipo 2

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 14/11/2013

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Especialidades: Endocrinologia / Medicina de Família / Cardiologia

 

Resumo

Este estudo mostra o impacto de mudanças de estilo de vida no diabetes tipo 2 a longo prazo, algo nunca antes demonstrado.

 

Contexto clínico

Um dos pontos mais importantes no manejo de pacientes diabéticos é a redução de peso por meio de atividade física e restrição dietética. A base desta recomendação são estudos fisiológicos, estudos observacionais e estudos randomizados. Entretanto, a maioria desses estudos avaliou desfechos em curto prazo; nenhum estudo anterior avaliou o impacto dessas intervenções no longo prazo em pacientes com diabetes tipo 2 para verificar se os benefícios se mantêm em termos de diminuição de eventos cardiovasculares, morte, comprometimento renal, comprometimento oftalmológico e outras complicações.

 

O estudo

Este foi um estudo multicêntrico e randomizado feito nos EUA. Um total de 5.145 pacientes com sobrepeso ou obesidade e diabetes tipo 2 foram alocados em 2 grupos: um de intervenção com mudança de estilo de vida (aumento de atividade física e diminuição das calorias na dieta) e outro de controle com apenas suporte educacional. Os desfechos primários analisados foram morte por causa cardiovascular, IAM, AVC e intervenção por angina.

No grupo de intervenção, houve uma redução de peso 7,9% maior no 1º ano do estudo (8,6% vs. 0,7% de perda de peso), além de redução de medida da circunferência abdominal, diminuição de pressão sistólica e diminuição dos níveis de hemoglobina glicada. Entretanto, não houve diferença quantos aos desfechos cardiovasculares estudados entre os grupos (P=0,51). O estudo inclusive foi interrompido com cerca de 10 anos de seguimento (mediana de 9,6 anos), pois uma análise não concluída mostrou que este resultado não se alteraria mesmo com mais tempo de estudo.

 

Aplicações para a prática clínica

É importante salientar o resultado deste estudo: a mudança de estilo de vida focada em perda de peso não diminui a taxa de eventos cardiovasculares em pacientes com diabetes tipo 2 e sobrepeso ou obesidade a longo prazo. Este resultado é importantíssimo se pensarmos em orientações a longo prazo para o perfil de pacientes diabéticos estudados. Vale ressaltar que, apesar de não serem foco do estudo, a mudança de estilo de vida teve, de fato, impacto positivo para redução de peso, circunferência abdominal, pressão sistólica e hemoglobina glicada, algo que de modo algum pode ser desprezado. Esse impacto é positivo, uma vez que possivelmente diminui gastos com medicamentos, chance de apneia do sono, melhora o bem-estar do paciente e pode até mesmo levar a remissão do diabetes em alguns casos. Mesmo não havendo o esperado benefício para eventos cardiovasculares a longo prazo, não se deve desprezar as mudanças de estilo de vida tendo em vista todos os seus outros benefícios agregados, inclusive no longo prazo.

 

Bibliografia

1.        The Look AHEAD Research Group. Cardiovascular Effects of Intensive Lifestyle Intervention in Type 2 Diabetes. N Engl J Med 2013. DOI: 10.1056/NEJMoa1212914. (link para o artigo)

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