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Checklist para alta hospitalar segura

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 11/12/2013

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Especialidades: Medicina Hospitalar / Segurança do Paciente

 

Resumo

Este estudo desenvolveu um checklist baseado em evidências para realização de uma alta segura para pacientes hospitalizados.

 

Contexto clínico

A alta hospitalar é um ponto no processo de assistência que, apesar de parecer algo simples, envolve, na verdade, diversos riscos ao paciente no que tange a continuidade de sua assistência. Pacotes de intervenções que sejam focados na alta hospitalar seriam uma forma de minimizar esses riscos, diminuindo, portanto, a chance de eventos adversos. A seguir, é apresentada uma abordagem desenvolvida para acompanhar o paciente desde a internação até a alta hospitalar, utilizando um checklist com foco na segurança do paciente.

 

O estudo

O estudo foi realizado em Ontário, no Canadá. Um grupo de especialistas foi convocado pelo ministério da saúde canadense e conduziu uma revisão sistemática da literatura. Uma abordagem estruturada foi utilizada para revisar as práticas baseadas em evidências que são mais efetivas, eficientes, seguras e centradas no paciente em momentos de transição de assistência. O checklist final desenvolvido inclui 7 domínios que devem estar corretamente descritos e documentados conforme sua pertinência ao caso. Esse checklist deve ser aplicado desde o início da internação:

 

1.    Indicação da hospitalização.

2.    Atenção primária:

a.    identificar/confirmar quem é o médico que acompanha o doente;

b.    contatar/notificar este médico sobre a internação, o diagnóstico e a previsão de alta hospitalar;

c.    agendar retorno com este médico em 7 a 14 dias após a alta prevista.

3.    Segurança em medicamentos:

a.    reconciliar medicações usadas em casa com as iniciadas na internação;

b.    ensinar o uso apropriado das medicações prescritas na alta e sua relação com as medicações de uso crônico previamente em uso;

c.    reconciliar as medicações orientadas para alta hospitalar com aquelas de uso em casa.

4.    Plano de seguimento:

a.    seguimento pós-alta com telefonema 72 horas após alta para pacientes de alto risco (presença de alto índice de LACE – Lenght of Stay, Acuity on Admission, Comorbidity, Emergency Department Visits);

b.    organizar/planejar exames pós-alta, se necessário (laboratório, imagem etc.);

c.    organizar consulta com especialista após alta, se necessário.

5.    Referência de homecare:

a.    serviços de homecare compartilham informações sobre as condições preexistentes do paciente;

b.    envolva o serviço de homecare;

c.    agende visita do homecare pós-alta, se necessário.

6.    Comunicação com profissionais de saúde fora do hospital:

a.    providenciar resumo de alta adequado, informações sobre reconciliação medicamentosa e o contato do médico responsável durante a internação; tais informações devem estar disponíveis para o próprio paciente, para o médico que segue o paciente ambulatorialmente e para outros profissionais, incluindo farmacêuticos e cuidadores.

7.    Educação do paciente:

a.    utilizar método de repetição (explicar e pedir para o paciente ou familiar dizer a informação com suas próprias palavras);

b.    explicar a relação entre novos medicamentos e diagnósticos;

c.    explicar o resumo de alta;

d.    explicar o curso da doença em casa, antecipando circunstâncias e possíveis sintomas, e quando é motivo para entrar em contato com um profissional médico.

 

Aplicações para a prática clínica

Este foi um estudo que desenvolveu um checklist extremamente interessante para programação adequada de alta hospitalar. Os diferentes domínios permitem cobrir diversos aspectos que são de risco, como questões relacionadas a medicamentos e como deve ser feito o seguimento pós-alta do paciente. Obviamente, não se trata de estudo que analisou resultados do uso deste checklist, mas como foi um instrumento desenvolvido baseado em evidências, é bastante razoável imaginarmos que os benefícios sejam reais, e que eventos adversos possam vir a ser evitados. Uma boa sugestão é tentar adaptar ou utilizar seu conteúdo integralmente em hospitais, uma vez que se trata de uma ação de baixíssimo custo (basta implementar e treinar seu uso), objetivando mais segurança para os pacientes no processo de alta hospitalar.

 

Bibliografia

1.        Soong C, Daub S, Lee J, Majewski C, Musing E, Nord P et al. Development of a checklist of safe discharge practices for hospital patients. J Hosp Med 2013 Aug; 8:444. (link para o artigo).

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