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Estudo Randomizado com Dieta do Mediterraneo

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 17/04/2014

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Especialidades: Medicina de Família / Cardiologia / Neurologia

 

Contexto Clínico

Há poucos anos, estudos observacionais do tipo coorte e um ensaio clínico de prevenção secundária (Lyon Diet Heart Study, vide bibliografia abaixo) demonstraram que aumentar a adesão à dieta do Mediterrâneo é benéfico no que diz respeito a risco cardiovascular. Inclusive, uma revisão sistemática na área ranqueou a dieta do Mediterrâneo como o modelo de dieta que mais protege contra doença coronariana.

Esta dieta se caracteriza pelo grande consumo de azeite, frutas, nozes e similares, vegetais e cereais integrais, além de um consumo moderado de peixe, aves domésticas, e um baixo consumo diário de carne vermelha, carne processada e doces. Há também consumo de vinho de forma moderada junto às refeições.

Foi então realizado um ensaio clínico randomizado para testar a eficácia da dieta do Mediterrâneo comparativamente a uma dieta controle com baixo consumo de gordura. O objetivo foi verificar prevenção de eventos cardiovasculares.

 

O Estudo

Neste ensaio clínico randomizado realizado na Espanha, foram incluídas cerca de 7500 pessoas com idades entre 55 e 80 anos. Como critérios de inclusão, estas pessoas não podiam ter doença cardiovascular conhecida, mas podiam ter diabetes ou = 3 fatores de risco cardíaco que não diabetes. Estes participantes foram randomizados para uma de três dietas:

         Dieta mediterrânea suplementada com azeite de oliva extravirgem (pelo menos quatro colheres de sopa por dia)

         Dieta mediterrânea suplementada com porções de 30g diárias de nozes, amêndoas, avelãs

         Dieta controle com baixo teor de gordura

 

Durante seguimento médio de cinco anos, o desfecho composto primário de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou morte cardiovascular relacionada, ocorreu significativamente com menos frequência nos dois grupos que ingeriram dieta do Mediterrâneo (8 por 1000 pessoas/ano em cada grupo da dieta do Mediterrâneo contra 11 por 1000 pessoas/ano no grupo de dieta controle). A queda de risco de doença cardiovascular nos grupos da dieta do Mediterrâneo foi de 30% em comparação ao grupo controle. Entre os três componentes do desfecho primário, apenas AVC foi significativamente menor nos grupos de intervenção. As duas dietas mediterrâneas não baixaram significativamente a mortalidade por todas as causas.

 

Aplicações Práticas

Este estudo é extremamente interessante e demonstra uma grande queda de risco (30%) com uso da dieta Mediterrânea para eventos cardiovasculares, um feito que é impressionante se comparado a terapias medicamentosas e mais ainda se comparado a qualquer efeito de mudança dietética. O efeito mais significativo foi em termos de queda de AVC, algo que pode ser atribuído à queda dos valores de pressão arterial dos participantes dos grupos de intervenção.

Como a dieta controle com baixo teor de gordura não era muito diferente da dieta do Mediterrâneo dos dois grupos de intervenção, podemos acreditar que o azeite de oliva e as nozes foram os principais responsáveis ??para o resultado deste estudo. Vale ressaltar que cerca de 50 % dos participantes em cada grupo estavam tomando iECA, 40% estavam tomando estatinas, e 30% consumiam pelo menos um copo de vinho por dia. Estas características provavelmente tiveram algum efeito sobre a taxa relativamente baixa de eventos cardiovasculares que ocorreram em todos os grupos.

O estudo mostra que há impacto com o uso da dieta do Mediterrâneo. Entretanto, ficam algumas dúvidas, como: há benefício em aumentar o uso de azeite e nozes nas diferentes dietas de outras pessoas ou esse benefício é restrito ao contexto da dieta do Mediterrâneo? Será que ao aumentar o consumo de azeite e nozes não tem impacto em ganho de peso? Quantidades menores de azeite e nozes também geram benefício? Aguardamos as respostas em breve.

 

Bibliografia

1.             Estruch R et al. Primary prevention of cardiovascular disease with a Mediterranean diet. N Engl J Med 2013 Feb 25; [e-pub ahead of print] (link para o artigo).

2.             Appel L J, Van Horn L. Did the PREDIMED Trial Test a Mediterranean Diet? N Engl J Med 2013; 368:1353-1354 (link para o artigo).

3.             Sofi F, Abbate R, Gensini GF, Casini A. Accruing evidence on benefits of adherence to the Mediterranean diet on health: an updated systematic review and meta-analysis. Am J Clin Nutr 2010;92:1189-1196

4.             Serra-Majem L, Roman B, Estruch R. Scientific evidence of interventions using the Mediterranean diet: a systematic review. Nutr Rev 2006;64:S27-S47

5.             de Lorgeril M, Salen P, Martin JL, Monjaud I, Delaye J, Mamelle N. Mediterranean diet, traditional risk factors, and the rate of cardiovascular complications after myocardial infarction: final report of the Lyon Diet Heart Study. Circulation 1999;99:779-785

6.             Mente A, de Koning L, Shannon HS, Anand SS. A systematic review of the evidence supporting a causal link between dietary factors and coronary heart disease. Arch Intern Med 2009;169:659-669

 

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