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Cirurgia para Diverticulite

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 31/07/2014

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Especialidades: Cirurgia Geral /Coloproctologia/Medicina de Emergência

 

Contexto Clínico

        A diverticulite do cólon sigmoide é uma condição comum, responsável por morbidade substancial. A incidência de diverticulite tem aumentado na última década. Também na última década, algoritmos de tratamento evoluíram em resposta a um melhor diagnóstico por imagem, maior compreensão da história natural e do prognóstico da doença, levando a adoção de maior número de tratamentos não cirúrgicos, como drenagem de abscesso percutânea. Cirurgias de urgência se tornaram menos comuns, e mesmo cirurgias eletivas começam a ser questionadas. Ainda assim, as taxas de cirurgia eletiva para a diverticulite continuam a aumentar, especialmente em pacientes com menos de 65 anos.

        Os objetivos do tratamento para a diverticulite, seja para o paciente hospitalizado com um episódio agudo ou um paciente estável sendo tratados em ambulatório, são para aliviar os sintomas, prevenir a reincidência, realizar quando possível cirurgia eletiva ao invés de emergencial, e manter a continuidade intestinal. A alta incidência de complicações operatórias, a morbidade a longo prazo, e sintomas persistentes como dor, e função defecatórios alterado após colectomia são pontos que trazem incertezas futuras e abrem discussão sobre estratégias ideais para a realização de cirurgias. Apresentaremos uma revisão sistemática exatamente a respeito da questão da cirurgia na diverticulite.

 

O Estudo

        Este é um estudo de revisão sistemática sobre decisão, aspectos técnicos e sobre desfechos de cirurgias para diverticulite aguda, recorrente e crônica. As questões que procuraram ser respondidas foram as seguintes: (1) quais as indicações para ressecção cirúrgica?; (2) há alguma técnica cirúrgica mais recomendada?; (3) quais os desfechos do tratamento cirúrgico?

       Foram identificados 68 estudos com critérios para a revisão final. A maioria dos estudos era observacional. Foi verificado que recorrência com complicação após recuperação de um episódio não complicado de diverticulite é algo raro (<5%), e que idade de início < 50 anos e ter duas ou mais recorrências não aumenta o risco de complicações. Sintomas crônicos podem persistir mesmo após ressecção em 5 a 22% dos pacientes. Cirurgia profilática geralmente não é recomendada para pacientes com diverticulite, independente do número de episódios agudos e não complicados da doença. A decisão de proceder a uma ressecção colônica não deve ser baseadas na frequência dos sintomas da diverticulite.

 

Aplicações Práticas

      Esta revisão traz informações fundamentais para a condução dos casos de diverticulite. Importante ressaltar que as diverticulites permanecem como uma condição clínica comum, porém onde o tratamento cirúrgico é controverso, conforme visto. Em primeiro lugar, fica bem claro que a conduta padrão previamente estabelecida de realizar colectomia eletiva após dois episódios de diverticulite não é mais algo aceitável. A decisão de realizar colectomia deve ser baseada em considerações de risco de diverticulite recorrente, morbidade da cirurgia, sintomas, complexidade da doença e risco cirúrgico. A via laparoscópica tende a ser a abordagem preferencial. Evidências recentes sugerem que há segurança em se evitar colectomia eletiva para a maioria dos pacientes com doença não complicada. Além disso, as portas estão abertas para abordagens mais modernas como anastomose seletiva com desvio proximal em casos agudos, e colectomia laparoscópica em casos eletivos. Uma avaliação prospectiva destas novas estratégias é necessária para melhorar as evidências neste campo.

 

Bibliografia

Regenbogen SE et al. Surgery for Diverticulitis in the 21st Century. A Systematic Review. A Systematic Review. JAMA Surg. 2014; 149(5): 439-445. (Link para o artigo).

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