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BI-RADS 4

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 13/12/2016

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Quadro Clínico

Mulher de 49 anos, sem antecedentes pessoais mas com histórico de câncer de mama na família, realizou mamografia e ultrassom de mamas para rastreamento. A mamografia veio sem alterações; o ultrassom, entretanto, identificou uma alteração, que pode ser vista na imagem 1.

 

 

Imagem 1 – Ultrassom de mama (retroareolar)

 

 

Discussão

Neste ultrassom de mama,  é possível observar na região retroareolar um nódulo complexo (sólido-cístico), oval e circunscrito, que tinha vascularizacão ao Doppler; pode ser caracterizado como nódulo intraductal, configurando para esta imagem característica de BI-RADS 4.

As categorias de avaliação BI-RADS servem para padronizar os relatos de achados em exame de imagem de mama, além de direcionar as condutas a serem tomadas na sequência (por exemplo, manter ou alterar periodicidade de rastreamento, ou indicar biópsia). É importante notar que a classificação BI-RADS refere-se apenas a achados de imagem, e não leva em conta o quadro clínico da paciente.

A categoria 4 do BI-RADS indica que há anormalidade suspeita, uma lesão com características suspeitas de malignidade. Entretanto, os casos classificados como suspeitos  nessa categoria apresentam ampla variação no risco de malignidade (2 a 94%). Assim, para definir os critérios a serem utilizados para a subdivisão dos achados suspeitos na categoria 4, as lesões mamárias foram subcategorizadas em três grupos com risco diferente:  suspeita baixa  (4A, chance de malignidade 2 a 9%), intermediária (4B,  chance de malignidade 10-49%), e alta (4C, chance de malignidade 50-94%), de modo que o paciente e seu médico possam tomar uma decisão  com base  em uma avaliação individualizada do risco, propondo uma conduta de acordo com a probabilidade de malignidade.  

Nesse caso, tivemos um diagnóstico com uso do ultrassom, em vez da mamografia, que é o exame de rastreamento mais básico e tradicional. Um dos papéis principais do ultrassom é no diagnóstico de follow-up de uma mamografia anormal. O ultrassom tem melhor sensibilidade que a mamografia, e maior acurácia para avaliar o tamanho e as características morfológicas das massas, e para diferenciar uma massa sólida de um cisto. Se estiver disponível, o Doppler colorido do ultrassom pode auxiliar na avaliação de nódulos mamários, como neste caso. No entanto, a ausência de fluxo no Doppler não exclui a possibilidade de malignidade. Cabe lembrar que, neste caso, foi identificado fluxo ao Doppler, o que aumenta a chance de malignidade. Quando identificados, nódulos suspeitos podem facilmente ser submetidos à biópsia guiada por imagem para confirmar ou excluir a malignidade.

 

Bibliografia

American College of Radiology. American College of Radiology Breast Imaging Reporting and Data System BI-RADS, 5th ed, D'Orsi CJ, Sickles EA, Mendelson EB, Morris EA, et al. (Eds), American ColegeofRadiology, Reston, VA 2013

 

Catalano O, Raso MM, D'Aiuto M, et al. Additional role of colour Doppler ultrasound imaging in intracystic breast tumours. Radiol Med 2009; 114:253.

 

Berg WA, Gutierrez L, NessAiver MS, et al. Diagnostic accuracy of mammography, clinical examination, US, and MR imaging in preoperative assessment of breast cancer. Radiology 2004; 233:830.

 

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