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Diminuindo Taxa de Cesáreas

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 02/09/2015

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Contexto Clínico

O Brasil é campeão mundial de cesárias, e o governo brasileiro tem apontado iniciativas no intuito de minimizar partos cesárias em nossa população.

No Canadá, as taxas de cesarianas aumentaram substancialmente ao longo da última década. Estratégias eficazes, seguros são necessários para reduzir essas taxas. Essa foi a motivação do estudo a ser apresentado a seguir.

 

O Estudo

Foi realizado um ensaio controlado randomizado em cluster de uma intervenção de 1,5 anos multifacetada em 32 hospitais em Quebec (Canadá). A intervenção envolveu auditorias de indicações para cesariana, fornecimento de feedback aos profissionais de saúde e implementação de melhores práticas. O desfecho primário foi a taxa de cesariana no período pós-intervenção de um ano.

Entre os 184.952 participantes, 53.086 mulheres no ano antes da intervenção e 52.265 mulheres no ano seguinte à intervenção. Houve uma redução significativa, mas pequena na taxa de cesárea em relação ao período pré-intervenção para o período pós-intervenção no grupo de intervenção em comparação com o grupo controle (mudança, de 22,5% para 21,8% no grupo de intervenção e de 23,2% para 23,5%no grupo controle; odds ratio de mudança incremental ao longo do tempo, ajustado para hospitais e as características do paciente: 0,90; IC95%: 0,80-0,99; P = 0,04; diferença de risco: -1,8%; IC95%: - 3,8 a -0,2). A taxa de cesareana foi significativamente reduzida entre as mulheres com gestações de baixo risco (diferença de risco ajustado, -1,7%, IC95%: -3,0 a -0,3; P = 0,03), mas não entre aqueles com gravidez de alto risco (P = 0,35 ; P = 0,03 para interação). O grupo de intervenção também teve uma redução maior de morbidade neonatal, em comparação com o grupo controle (diferença de risco ajustado: -0,7%; IC95%: -1,3 para -0,1; P = 0,03) e um menor aumento na morbidade neonatal menor (diferença de risco: -1,7%; IC95%: -2,6 para -0,9; P <0,001). Mudanças na morbidade materna menor e maior não diferiram significativamente entre os grupos.

 

        Aplicações Práticas

Este estudo é bastante interessante por fornecer insights para a situação atual de nosso país, que tenta resolver o excesso de cesarianas. Neste caso do Canadá, as auditorias das indicações para cesariana, feedback para os profissionais de saúde e implementação de melhores práticas, em comparação com os cuidados habituais, resultou em uma redução significativa, mas pequena na taxa de cesárea, sem efeitos adversos sobre os resultados maternos ou neonatais. O benefício foi impulsionado pelo efeito da intervenção em gestações de baixo risco.

 

Bibliografia

Chaillet N et al. A Cluster-Randomized Trial to Reduce Cesarean Delivery Rates in Quebec. N Engl J Med 2015; 372:1710-1721.

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