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Vacina Quadrivalente para HPV e Riscos na Gestação

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 14/07/2017

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Contexto Clínico

 

A vacina quadrivalente do vírus do papiloma humano (HPV) é recomendada para todas as meninas e mulheres de 9 a 26 anos de idade. Algumas mulheres terão exposição inadvertida à vacinação durante uma possível gravidez precoce ainda não diagnosticada, mas existem poucos dados sobre a segurança da vacina quadrivalente contra o HPV nesse contexto.

 

O Estudo

 

Este é um estudo observacional do tipo coorte que incluiu todas as mulheres na Dinamarca que tiveram uma gravidez que terminou entre 1/10/2006 e 30/11/2013. Usando registros nacionais, foram levantadas informações sobre vacinação, resultados adversos na gravidez e potenciais fatores de confusão entre as mulheres na coorte.

As mulheres que tiveram exposição à vacina durante as janelas de tempo pré-especificadas foram combinadas para o escore de propensão em uma proporção de 1:4 com as mulheres que não tiveram a exposição à vacina durante as mesmas janelas de tempo. Os resultados incluíram aborto espontâneo, natimorto, grande defeito congênito, tamanho pequeno para a idade gestacional, baixo peso ao nascer e nascimento prematuro.

Em análises combinadas, a exposição à vacina quadrivalente contra o HPV não foi associada, em comparação a outras exposições, a riscos bem maiores de defeito congênito grave (65 casos entre 1.665 gestações expostas e 220 casos entre 6.660 gravidezes não expostas; OR de prevalência de 1,19; IC 95%, 0,90 a 1,58), aborto espontâneo (20 casos entre 463 gestações expostas e 131 casos entre 1.852 gestações não expostas, HR de 0,71; IC 95%, 0,45 a 1,14), parto prematuro (116 casos entre 1.774 gestações expostas e 407 casos entre 7.096 gravidezes não expostas, OR de prevalência, 1,15; IC 95%, 0,93 a 1,42), baixo peso ao nascer (76 casos entre 1.768 gestações expostas e 277 casos entre 7.072 gestações não expostas, OR de prevalência de 1,10; IC 95%, 0,85 a 1,43), tamanho pequeno para a idade gestacional (171 casos entre 1.768 gestações expostas e 783 casos entre 7.072 gestações não expostas, OR de prevalência 0,86; IC 95%, 0,72 a 1,02) ou natimortos (2 casos entre 501 gestações expostas e 4 casos entre 2004 gestações não expostas, HR, 2,43; IC 95%, 0,45 a 13,21).

 

Aplicação Prática

 

A conclusão deste estudo é que a vacinação quadrivalente contra o HPV durante a gravidez não foi associada a um risco significativamente maior de resultados adversos da gravidez em relação à ausência de tal exposição. Sendo assim, tem-se uma evidência bastante interessante para demonstrar a segurança da vacina, mesmo em situação em que não se sabe sobre a gestação, ou ainda como recomendação para gestantes da idade-alvo para a vacina.

 

 

Bibliografia

 

Scheller NM et al. Quadrivalent HPV Vaccination and the Risk of Adverse Pregnancy Outcomes. N Engl J Med 2017; 376:1223-1233.

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